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Amido de mandioca contribui para economia com importação de trigo
19/03/2008 - 15h12min

A exemplo do que aconteceu no Brasil no ano 2002, o amido de mandioca volta ser o salvo-conduto do setor de farinhas de trigo no enfrentamento à insuficiência de produção do grão pelo País. Com o título de maior comprador mundial de trigo, o Brasil não consegue produzir nem 50% de suas necessidades. Para dar conta de seu consumo, terá de importar este ano 7,2 milhões de toneladas, incluindo farinhas e pré-misturas. O Brasil deve colher entre 4,5 milhões e 5 milhões de toneladas de trigo. Porém, seu consumo está estimado em 10 milhões de toneladas.

No ano 2002, quando a taxa cambial atingiu R$ 4,00/dólar, o preço do amido de mandioca, no atacado, ficou na metade do valor do quilo do trigo, o que gerou grande correria de moinhos e panificadores ao setor de amido para buscar o substituto. “O setor vendeu 250 mil toneladas de amido de mandioca num curto período de quatro meses daquele ano”, quantifica o Presidente da ABAM (Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca), Ivo Pierin Júnior.

Considerando-se que o preço do trigo está em alta no mercado mundial, devido à escassez do grão em todos os Continentes, a conta do Brasil com importações aumenta, significativamente. Na Bolsa de Kansas, onde se negocia trigo de melhor qualidade, as cotações do trigo acumulam alta de 26% este ano. Em 12 meses, o aumento foi de 125%. O resultado disso se faz sentir no aumento de preços de farinhas, e, de quebra, nos pães, massas alimentícias e biscoitos. A Secex (Secretaria de Comércio Exterior) estima que as despesas com importações de cereais e produtos de moagem cresceram 149,4% neste início de ano.

“Hoje a corrida pelo amido de mandioca ainda se dá em passos lentos, mas isto vai mudar rapidamente, pois a situação de abastecimento de trigo poderá se agravar e fazer com que moinhos e indústrias de panificação sejam obrigados a consumir amido de amido/fécula de mandioca a níveis acima de 2002”, observa João Eduardo Pasquini, Presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Mandioca e Derivados.

Para Pasquini a situação do trigo deverá se agravar mais a partir do mês de maio, já que os estoques mundiais são os menores dos últimos 40 anos. Prevê que, nesse mês, devido ao desabastecimento de trigo, ocorrerá uma corrida de moinhos e indústrias de panificação para adquirir amido/fécula de mandioca pra adicionar à farinha de trigo.

Ele considera que “o setor de amido de mandioca já ajudou muito o País a amenizar a dependência do trigo importado, e isto deverá se repetir novamente”. Para ele “o Brasil errou, no passado, ao adotar o trigo como um dos principais alimentos para sua população, já que o País, por problemas de solo e clima não é auto-suficiente na produção deste cereal”.

Em sua análise, a resistência de alguns moinhos ao uso do amido/fécula de mandioca deve-se ao fato desses estarem instalados nos portos, ou bem próximos a eles, o que favorece a compra do trigo importado, ao invés de investir na estrutura necessária ao processo de mistura do amido à farinha. No entanto, ele acredita que, mesmo assim, a adição do amido deverá aumentar gradativamente, e superar os números atingidos no ano 2002.

Ingerência do Governo - Pasquini lembra que está em tramitação no Congresso Nacional, desde 2001, um projeto-de-lei que obriga a adição de derivados de mandioca à farinha de trigo. Já aprovado na Câmara, o projeto-de-lei encontra-se paralisado no Senado. Isso acontece, conforme ele, “devido à ingerência do Governo Federal, que pediu, por meio do Líder do Governo no Senado, que fosse tirado de tramitação, com o pretexto de se discutir melhor o impacto sobre a arrecadação pública, já que o mesmo estabelecia benefícios ficais para as indústrias de trigo e de mandioca”.

Na avaliação do Presidente da Câmara Setorial, houve um lobby, por parte de alguns moinhos de trigo, junto ao Governo Federal para que o projeto-de-lei não fosse aprovado. “Com isso, mais uma vez, quem está sendo prejudicado é o consumidor final, que continua a pagar mais caro pelo pão, e, também, os pequenos produtores de mandioca, que poderiam produzir mais mandioca e gerar mais emprego”.

Conforme ele, “se beneficiam dessa atitude do Governo os grandes moinhos brasileiros, e os produtores de trigo argentino, e de outros países, em detrimento dos triticultores brasileiros e do próprio País, hoje referenciado como o maior importador de trigo do Mundo – o Brasil enviou em torno de R$ 25 bilhões pra fora nos últimos 12 anos, para compra de trigo estrangeiro”.

Dependência - O Presidente da ABAM afirma que o Brasil tem plenas condições de minimizar sua dependência do trigo estrangeiro, tomando como hábito a adição de amido/fécula de mandioca à farinha de trigo. Ele salienta que o uso regular do amido de mandioca absorveria 10% das importações de trigo pelo Brasil, para produção de pão, e até 40% nos segmentos de massas e biscoitos.

Para ele ainda é preciso haver maior conscientização por parte dos grandes importadores de trigo do Brasil, tanto em relação à valorização do produto nacional (o amido de mandioca e o próprio trigo), quanto à redução de envio de recursos brasileiros para o exterior, para a compra de trigo estrangeiro.

Pierin Júnior diz que a adição do amido de mandioca à farinha de trigo tem que ser vista como um benefício econômico global, pois traz ganhos aos panificadores - que vão comprar o produto final (farinha de trigo misturada com o amido/fécula de mandioca); aos moinhos - que economizarão divisas com importações; às indústrias de amido - que ganham com a ampliação do mercado, o aumento da produção e a conseqüente manutenção ou aumento na oferta de emprego; aos produtores rurais - com a elevação do consumo de raiz (para se obter um quilo de amido/fécula de mandioca são necessários quatro quilos de raiz); ao País como um todo, que deixará de enviar dinheiro para o exterior, investindo aqui mesmo suas divisas; e, ao consumidor final, que terá a sua disposição um pão mais crocante, com maior durabilidade, no qual se estará, unicamente, substituindo amido por amido, ou seja, amido de trigo por amido de mandioca, o que assegura sua integridade enquanto alimento.

Jornalista responsável: Silvana Porto – Mtb 6.716 – fones 44 3422.6490 / 9965.5488

Trigo – amido substitui importação
19.03.08




Fonte: abam
Contato (imprensa@abam.com.br)

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