Aumento dos preços mínimos devem incentivar investimento na mandioca 09/07/2008 - 15h37min
O aumento dos preços mínimos de itens da cadeia produtiva da mandioca, autorizado pelo Governo Lula através do Plano Agrícola e Pecuário 2008/2009, confere maior segurança ao produtor para investir na cultura, e maior volume de recursos na aquisição de empréstimos bancários, visto que os valores financiados pelo Governo são baseados nos preços mínimos. A análise é do Presidente da Cadeia Produtiva da Mandioca e Derivados, João Eduardo Pasquini, que também é Conselheiro da ABAM (Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca).
A raiz aumentou 49,77%, o que elevou para R$ 98,85 o preço da tonelada nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e R$ 106,12 nas Regiões Norte e Nordeste. A farinha teve acréscimo de 39,29%, sendo que a saca de 50 quilos, no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, passou para R$ 23,68; e, no Norte e Nordeste, para R$ 26,83. A fécula/amido aumentou 27,77%. No Sul, Sudeste e Centro-Oeste o preço mínimo do quilo do produto ficou em R$ 0,69. Nas Regiões Norte e Nordeste, o amido de mandioca não é cotado. Lá a referência similar é a goma/polvilho, que teve seu preço elevado para R$ 0,74 o quilo.
Pasquini lembra que o setor vem se articulando desde o ano 2003 pra conseguir melhorar os preços mínimos do setor. Concentradas na Câmara Setorial, as discussões envolveram membros de entidades ligadas à cadeia produtiva (indústrias e produtores), e do setor político. Ele enfatiza o apoio recebido do deputado federal Moacir Micheletto, no agendamento e participação de audiências em Brasília.
Outro benefício trazido pelo Plano, sinalizado por Pasquini, é a ampliação do volume de financiamento para custeio da produção. O valor para o produtor aumentou de R$ 300 mil para R$ 400 mil, com juros controlados de 6,75% ao ano, o que, em sua análise, traz incentivo ao setor.
O Presidente da ABAM, Ivo Pierin Júnior, pondera que o aumento dos valores de financiamentos contribui para equilibrar os aumentos de custos para o produtor. Ele considera que os preços mais elevados, favorecerão operações de EGF (Empréstimo do Governo Federal) e LEC (Linha Especial de Crédito), uma vez que, quando a indústria faz uma operação de crédito através de EGF e LEC o banco usa o preço mínimo como referencial para definir a liberação de recursos.
Pierin Júnior argumenta que pelo fato dos derivados de mandioca terem prazos longos de validade, se armazenados corretamente, é possível sua estocagem por tempo significativo, sem perda de qualidade. Farinhas e amido/fécula, podem ser armazenados, segundo ele, por período superior a 24 meses.
Essa peculiaridade dos derivados de mandioca permite, na avaliação do Presidente da ABAM, a formação de estoques no País, tanto pelo Governo quanto pela iniciativa privada, desde que esta tenha a disposição prazos de financiamentos de estocagem mais longos que os atuais, a juros do mercado agrícola. “O País não pode ficar a mercê do mercado. Se o produtor arcar sozinho com os riscos ele pode deixar de investir, reduzindo a oferta de produto. Neste momento está havendo falta de amidos em âmbito mundial, em função da destinação de alguns amidos para produção de etanol e, também, devido a problemas climáticos. A única forma de enfrentar crises como esta, e minimizar eventuais faltas, é com a formação de estoque regulador”, pondera.
Na análise do Presidente da Aproman (Associação dos Produtores de Mandioca do Noroeste do Paraná), Cleto Lanziani Janeiro, embora o preço mínimo aprovado pelo Governo ainda não cubra, integralmente, os custos de produção, o aumento concedido pelo Governo foi de grande importância para o setor. A Aproman é uma das entidades que participou das reivindicações para aumento do preço mínimo.
Há que se enaltecer, em sua opinião, que o preço mínimo da raiz nunca esteve tão próximo ao custo de produção obtido através de estudos realizados pela Conab Companhia Nacional de Abastecimento), que é de R$ 110,00. A defasagem, a partir desse reajuste, ficou em R$ 12,00. “Foi uma evolução muito grande”, salienta Lanziani, observando que a Aproman considera como custo valores em torno de R$ 130,00, que engloba desde o preparo do solo, aquisição de ramas, até a colheita.
Ele acredita que o reajuste não interferirá de forma significativa na decisão do produtor de mandioca industrial de aumentar o plantio nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Para ele, o Nordeste e o Norte brasileiros terão maior incentivo ao plantio de mandioca de mesa, visto o preço mínimo lá ser maior que nas demais Regiões. “O maior estímulo ao plantio são os preços de mercado, que hoje estão aquém do esperado pelo produtor: entre R$ 150,00 e R$ 160,00 a tonelada”, declara.