Editorial
Até bem pouco tempo a mandioca era vista
somente como uma raiz que servia de alimento aos
índios e escravos, e era tida como um produto
de terceira classe, servido nos caldeirões
das senzalas. Com a evolução das
tecnologias de processamento industrial a raiz
se desenvolveu, e ganhou terreno, conquistando
lugar de destaque nos itens de vanguarda da indústria
brasileira, deixando de ser apenas um produto
tupiniquim para se tornar um item de exportação.
As novas tecnologias industriais estão
permitindo, a cada dia, a evolução
das descobertas das infinitas possibilidades de
uso da mandioca, a partir da extração
do seu amido, da qual se obtém uma série
infindável de sub-produtos, de aplicações
diversas no setor fabril. A expansão do
amido de mandioca sobre o campo da ciência,
propiciou a descoberta de melhoradores e geradores
de produtos dos setores de papel e papelão,
tintas e vernizes, colas e gomas, madeireiro,
pasta dentifrícia, explosivos, petrolífero,
fundição, medicamentos, sabões
e detergentes, tecidos, farmacêutico, têxtil,
entre outros.
As diversas possibilidades de modificação
do amido extraído da mandioca aumentam
ainda mais o leque de utilização
do produto como ingrediente alimentício.
Pães de queijo, tapioca, sagu, biscoitos,
bolos, tortas, pães, pudins, sequilhos,
cremes, confeitos, achocolatados, melhoradores
panificáveis, espessantes para alimentos
cozidos, embutidos frigorificados como salsicha,
mortadela e lingüiças, baby-foods,
massas alimentícias, são alguns
dos alimentos que utilizam o amido de mandioca
em suas formulações.
A agroindústria para obtenção
dos derivados amiláceos da mandioca tornou-se
conhecida, tradicionalmente, como fecularia. A
maioria delas situa-se nas regiões noroeste
e oeste do Paraná, no sul do Mato Grosso
do Sul, no oeste de São Paulo e no interior
de Santa Catarina.
Existem no país em torno de 70 fecularias,
das quais 52 são vinculadas à Abam
(Associação Brasileira dos Produtores
de Amido de Mandioca), entidade de âmbito
nacional, sem fins lucrativos, com sede em Paranavaí,
município situado na maior região
produtora do país, no Noroeste do Paraná.
As fecularias associadas da Abam responderam
no ano passado por 82,15% da produção
brasileira de amido de mandioca, que foi de 667.297
toneladas. A expansão do setor se evidencia
a partir do crescimento escalonado da produção
nos últimos anos (ver matéria na
página 3)
As exportações também têm
apresentado significativo crescimento, sobretudo
em função da revolução
industrial propiciada pelas diversas modificações
químicas, que geraram variados tipos de
amidos modificados de mandioca. O setor atraiu
multinacionais para o Brasil, que passaram a exportar
o amido brasileiro para todos os continentes do
Mundo (ver matéria na página 5).
As metas para o futuro são bastante positivas,
embora neste ano as previsões sejam de
retração, em função
da queda na oferta de raiz, em face da redução
da área de plantio. As expectativas para
o setor, a situação atual e futura
do mercado, entre outras questões ligadas
à cadeia produtiva da mandioca, como preço
de garantia para a raiz, estão ilustradas
em entrevista do Presidente da Abam, Mauricio
Yamakawa, nas páginas 6 e 7.
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