ANO I - Nº1 - Abril - Maio/2003

Editorial

Até bem pouco tempo a mandioca era vista somente como uma raiz que servia de alimento aos índios e escravos, e era tida como um produto de terceira classe, servido nos caldeirões das senzalas. Com a evolução das tecnologias de processamento industrial a raiz se desenvolveu, e ganhou terreno, conquistando lugar de destaque nos itens de vanguarda da indústria brasileira, deixando de ser apenas um produto tupiniquim para se tornar um item de exportação.

As novas tecnologias industriais estão permitindo, a cada dia, a evolução das descobertas das infinitas possibilidades de uso da mandioca, a partir da extração do seu amido, da qual se obtém uma série infindável de sub-produtos, de aplicações diversas no setor fabril. A expansão do amido de mandioca sobre o campo da ciência, propiciou a descoberta de melhoradores e geradores de produtos dos setores de papel e papelão, tintas e vernizes, colas e gomas, madeireiro, pasta dentifrícia, explosivos, petrolífero, fundição, medicamentos, sabões e detergentes, tecidos, farmacêutico, têxtil, entre outros.

As diversas possibilidades de modificação do amido extraído da mandioca aumentam ainda mais o leque de utilização do produto como ingrediente alimentício. Pães de queijo, tapioca, sagu, biscoitos, bolos, tortas, pães, pudins, sequilhos, cremes, confeitos, achocolatados, melhoradores panificáveis, espessantes para alimentos cozidos, embutidos frigorificados como salsicha, mortadela e lingüiças, baby-foods, massas alimentícias, são alguns dos alimentos que utilizam o amido de mandioca em suas formulações.

A agroindústria para obtenção dos derivados amiláceos da mandioca tornou-se conhecida, tradicionalmente, como fecularia. A maioria delas situa-se nas regiões noroeste e oeste do Paraná, no sul do Mato Grosso do Sul, no oeste de São Paulo e no interior de Santa Catarina.

Existem no país em torno de 70 fecularias, das quais 52 são vinculadas à Abam (Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca), entidade de âmbito nacional, sem fins lucrativos, com sede em Paranavaí, município situado na maior região produtora do país, no Noroeste do Paraná.

As fecularias associadas da Abam responderam no ano passado por 82,15% da produção brasileira de amido de mandioca, que foi de 667.297 toneladas. A expansão do setor se evidencia a partir do crescimento escalonado da produção nos últimos anos (ver matéria na página 3)

As exportações também têm apresentado significativo crescimento, sobretudo em função da revolução industrial propiciada pelas diversas modificações químicas, que geraram variados tipos de amidos modificados de mandioca. O setor atraiu multinacionais para o Brasil, que passaram a exportar o amido brasileiro para todos os continentes do Mundo (ver matéria na página 5).

As metas para o futuro são bastante positivas, embora neste ano as previsões sejam de retração, em função da queda na oferta de raiz, em face da redução da área de plantio. As expectativas para o setor, a situação atual e futura do mercado, entre outras questões ligadas à cadeia produtiva da mandioca, como preço de garantia para a raiz, estão ilustradas em entrevista do Presidente da Abam, Mauricio Yamakawa, nas páginas 6 e 7.

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