MATO
GROSSO DO SUL
Com o objetivo de conquistar aumento de produtividade
e maior rentabilidade nas lavouras, a Câmara
Setorial da Mandioca do Mato Grosso do Sul está
promovendo uma série de seminários,
direcionados a produtores rurais. Os seminários
têm programação voltada à
capacitação dos produtores, com
ênfase em fatores de produção;
seleção de manivas; espaçamento;
poda; variedades melhoradas; e, o plantio responsável
de mandioca, fundamentado em contratos de fornecimento
de raiz entre produtor e indústria.
A agenda deste ano conta com 20 eventos. Já
foram realizados encontros nos municípios
de Glória de Dourados, Deodápolis,
Ivinhema, Novo Horizonte do Sul, Ponta Porã,
Bataguassu, Anaurilândia, Batayporã
(Nova Andradina e Taquarussu), e, em Naviraí.
Mais 10 eventos deverão ser realizados
até o mês de julho deste ano.
De acordo com o Coordenador da Câmara Setorial,
o engenheiro agrônomo Carlos Roberto Gonçalves,
o Estado do Mato Grosso do Sul é o que
tem apresentado maior crescimento no setor de
industrialização de amido de mandioca,
sendo hoje o segundo produtor brasileiro conforme
estatísticas da ABAM.
Em sua análise, para que se possa acompanhar
o desenvolvimento do setor de forma sustentável
é preciso se buscar maior produtividade
das lavouras. “A produtividade média
em Mato Grosso do Sul, no ano 2003, foi de 21
toneladas por hectare, bem acima da média
nacional, que foi de 13,4 toneladas por hectare.
No entanto, há grande potencial para o
incremento dessa produtividade em nosso Estado”,
salienta Gonçalves.
Após conversas com técnicos especialistas,
e a busca de apoios importantes para a realização
do projeto, se definiram os temas dos encontros
e as regiões produtoras que seriam beneficiadas
com o programa dos seminários, que são
oferecidos sem ônus aos produtores. “Utilizando-se
adequadamente os fatores de produção,
conseguiremos atingir o crescimento esperado para
o futuro da cultura em nosso Estado”, projeta
o Coordenador da Câmara.
Gonçalves diz que com a capacitação
dos produtores rurais será possível
se aumentar a rentabilidade e a produtividade
das lavouras sul matogrossenses de mandioca, além
de se promover a aproximação entre
a indústria e o produtor. Nesse sentido
ele defende a idéia do Plantio Responsável
de Mandioca, em que produtor e indústrias
firmam contratos de fornecimento de raiz.
Câmara Setorial - a Câmara
Setorial da Mandioca do Estado do Mato Grosso
do Sul foi instituída no ano 2002, com
o objetivo de promover a articulação
institucional da cadeia produtiva, visando o crescimento
sustentável do setor naquele território.
“Para alcançar seus objetivos, a
Câmara promove a integração
das ações entre os órgãos
envolvidos com o setor (órgãos técnicos,
políticos, públicos e privados),
fortalecendo a cooperação e parceria
entre os agentes”, explica Gonçalves.
Entre as ações já executadas
pela Câmara Setorial, para atingir os objetivos
ele destaca: o estudo da cadeia produtiva da mandioca,
pela Fundação Cândido Rondon;
a estimulação de órgãos
de pesquisa para atendimento de demandas do setor;
e, a priorização de pesquisas demandadas
à Fundect (Fundação de Apoio
ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e
Tecnologia do Mato Grosso do Sul). Esta última
iniciativa rendeu a geração de cinco
projetos de pesquisa na área da mandioca
naquele Estado.
Articulação -
de acordo com Gonçalves, a idéia
de instituir a Câmara Setorial da Mandioca
surgiu a partir da crise vivida pelo setor no
Estado do Mato Grosso do Sul no ano 2002, “por
falta de articulação”. Os
preços da mandioca oscilaram de R$ 40,00
a tonelada naquele ano para R$ 380,00 nos anos
2003 e 2004.
Segundo ele, através da difusão
da lógica do plantio responsável
de mandioca, o Estado tem conseguido aumentar
as áreas de plantio. Gonçalves conta
que nos dois últimos anos foram assinados
pelas indústrias matogrossenses de amido
de mandioca média de 1.500 contratos de
fornecimento de raiz. “Nosso grande desafio
é que todas as indústrias contratem
antecipadamente a matéria prima, o que
contribuirá para haver maior estabilidade
do setor”, pondera Gonçalves, ressaltando
que os contratos assinados nos anos anteriores
estimularam o Banco do Brasil a ampliar o financiamento
para o setor.
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Carlos Roberto Gonçalves, Coordenador da
Câmara
Setorial da Mandioca do Mato Grosso do Sul

Mesa oficial de abertura do evento

Ricardo Bandeira Villela, Presidente da ABAM,
e seu
sócio na Brasamid, Celso Rui Corte, prestigiaram
o evento.
Custeio - Gonçalves fala
que um dos grandes problemas enfrentados hoje
pelo setor no Mato Grosso do Sul é a alocação
de recursos para o financiamento da safra pelo
Governo Federal. Segundo ele, o plantio naquele
Estado é recomendado entre os meses de
abril e outubro, e, quando os produtores começam
a plantar, os recursos para custeio já
se esgotaram no primeiro semestre do ano.
No segundo semestre, quando o plantio já
está encerrado, chegam recursos para a
nova safra. “Assim, muitos produtores acabam
plantando tardiamente, o que influencia na produtividade
da cultura”, observa, enfatizando que a
Câmara Setorial e a ABAM estão pleiteando,
também, a inclusão da mandioca como
cultura de outono, para fins de financiamento
agrícola.
Membros da Câmara Setorial
Seprotur (Secretaria de Estado da Produção
e do Turismo); SDA (Secretaria de Estado de Desenvolvimento
Agrário); EUMS (Universidade Federal do
Mato Grosso do Sul); Fórum da Terra; UCDB
(Universidade Católica Dom Bosco); Coop-Grande
(Cooperativa Agrícola de Campo Grande);
SERC (Secretaria de Estado de Receita e Controle);
Seplanct (Secretaria de Estado e Planejamento
e de Ciência e Tecnologia); SIM / MS (Sindicato
das Indústrias de Mandioca e de Milho de
Mato Grosso do Sul); Idaterra (Instituto de Desenvolvimento
Agrário e Extensão Rural de MS);
Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária
Animal e Vegetal); SFA (Superintendência
Federal de Agricultura); OCB / MS (Sindicato e
Organização das Cooperativas Brasileiras
no MS); Famasul (Federação de Agricultura
e Pecuária do Estado de Mato Grosso do
Sul); Fiems (Federação das Indústrias
de Mato Grosso do Sul); Embrapa Agropecuária
Oeste Banco do Brasil; UFMS (Universidade Federal
de Mato Grosso do Sul); Sebrae/ MS (Serviço
de Apoio às Micro e Pequenas Empresas);
Uniderp (Universidade para o Desenvolvimento do
Estado e da Região do Pantanal); Ampagov
(Associação de Moradores e Produtores
Agropecuarista da Gleba Ouro Verde ); e, Conab
( Companhia Nacional de Abastecimento).
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