Nesta Edição
Editorial
Diretoria da ABAM participa de audiências em Brasília
Contrato de Opção ajuda a evitar queda dos preços
Estamos diante de uma grande safra
Conjuntura atual do mercado de raize fécula de mandioca
Plantio direto na cultura da mandioca
Notícias da Embrapa
Métodos específicos de análise para a fécula de mandioca uma necessidade do setor
Informe CETEM
Industrial paulista assume a ABAM
Entrevista - Ricardo Bandeira Villela
Câmara Setorial investe no aumento da produtividade
Seminário da cultura da Mandioca
Seminário - Etapa Cianorte
Seminário - Etapa Nova Londrina
Seminário - Etapa Marechal Cândido Rondon
Seminário - Etapa Paranavaí
Seminário - Destaques sociais dos Seminários
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Uma Delícia de Livro!
Sabores da Mandioca
EBS Uma fábrica de fábricas de amido
ANHUMAÍ - PODIUM Indústria comemora 15 anos
Produção de Álcool da mandioca
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ANO II - Nº10 - Abril - Junho/2005

 

RICARDO BANDEIRA VILLELA

Cooperação é a palavra-chave para o desenvolvimento global do setor

O industrial Ricardo Bandeira Villela, 37 anos de idade, sócio-proprietário da Brasamid Agro-Industrial Ltda., com sede em Bataguassu/MS, assumiu a presidência da ABAM, no dia 12 de maio deste ano, com o propósito de trabalhar ativamente no sentido de intensificar as relações institucionais da entidade com os Governos Federal e Estaduais.
Está entre suas diretrizes realizar acompanhamento constante dos assuntos relativos à cadeia produtiva da mandioca, gestionando em órgãos públicos e privados, no sentido de promover o estabelecimento de acordos de cooperação voltados ao desenvolvimento global do setor.

Cooperação é a palavra-chave de Villela para a promoção do espírito associativista que deve, em sua análise, conduzir os rumos da política setorial nos próximos anos. Ele defende que indústria e produtor devem olhar na mesma direção, buscando, conjuntamente, soluções para o vaivém do mercado.

Entre os instrumentos eficazes para o crescimento do setor, defendidos por Villela, se destacam o contrato de garantia, lançado quatro anos atrás; e a alteração de leis que contribuíram para elevar a carga tributária das indústrias de amido de mandioca (PIS/Cofins e ICMS), que resultaram em perda de competitividade do amido de mandioca perante amidos concorrentes.

Villela, que reside atualmente no município de Presidente Prudente/SP, é graduado em Administração de Empresas, pela EAESP/FGV (Fundação Getúlio Vargas). Iniciou carreira no Grupo Company, na capital paulista, onde atuou nos setores administrativo e financeiro. Tem experiência em operações de mercado de capitais como emissão de debêntures, comercial papers, entre outras atividades da área econômica e tributária.

 


Nesta entrevista à Revista ABAM Villela fala do presente, e do que espera para o futuro do setor, a partir das estratégias que tem traçadas para a sua gestão, que terá duração até maio de 2007.

 

1) ABAM: O senhor assume a presidência da ABAM num momento em que o Brasil está prestes a colher, senão a maior, uma das maiores safras de mandioca de sua história (26 milhões de toneladas de raiz, segundo previsões da Conab). Na sua análise, o que levou a esta supersafra? O mercado brasileiro tem capacidade para absorver tamanha produção? Quanto desse volume será direcionado à indústria de amido de mandioca?

Villela: Esta supersafra foi causada, mais uma vez, pelo “efeito manada”, onde produtores, ao verem alguns colegas tendo lucros absurdos com uma lavoura, se interessam pela mesma, sem experiência e, muitas vezes, mal localizados para a venda. Este efeito aconteceu com a soja nos últimos anos. Mas, como a mandioca é uma cultura que o investimento em equipamentos é pequeno, e muitos pensam que é uma cultura simples, o efeito é muito acentuado. O mercado brasileiro não tem capacidade para absorver esta safra num período curto, de forma que será necessário o alongamento da mesma, com a postergação da colheita de grande parte da produção. A indústria de amido de mandioca deve absorver em torno de três milhões de toneladas.

2) ABAM: A ABAM tem investido na filosofia do Plantio Responsável de Mandioca, que prevê a assinatura de contratos de fornecimento de raiz, a partir da determinação de um preço mínimo para a tonelada do produto. O que representa, em sua análise, o plantio responsável de mandioca, e qual é o objetivo da Associação em incentivar a assinatura desse tipo de contrato? Como tem sido a adesão do produtor rural aos contratos de garantia?

Villela: Representa o início da estruturação do setor, unindo todos os elos da cadeia produtiva, de forma a termos mercado mais estável, gerando maior confiança dos consumidores finais nos amidos de mandioca. O objetivo da ABAM é disseminar a cultura do plantio responsável, visando essa estabilidade. A adesão tem sido muito boa, do produtor tradicional, embora o excesso de plantio por produtores não contratados deva causar muitas dificuldades às indústrias consumidoras. O produtor sem contrato sofre influência maior no momento da oferta, porque a demanda de mercado, em grande parte, está amarrada aos produtores contratados. A mandioca de não contratados gera queda enorme da cotação da mandioca, que é o fenômeno que estamos assistindo agora. Quando isso acontece, as empresas que não têm contrato com produtores se beneficiam desse fato, adquirindo mandioca por preços inferiores às indústrias sérias, o que leva a uma perpetuação do quadro.

3) ABAM: A supersafra de mandioca sucede um ano em que se teve pouca oferta de raiz, o que gerou supervalorização desse item, e conseqüente elevação do preço do amido, ocasionando perda de mercados para amidos concorrentes. Como o setor deverá se comportar para que se evite essas oscilações de preços, se garantindo estabilidade entre a oferta e demanda do setor industrial?

Villela: Insistindo no trabalho do plantio responsável, e evoluindo o instrumento dos contratos entre produtor e indústria e entre indústria e consumidor final, buscando condições para a criação de mercado futuro da fécula de mandioca.

4) ABAM: Qual seria hoje o preço ideal da tonelada de raiz e da tonelada de amido de mandioca para se enfrentar os amidos concorrentes, e que assegure ganho aos envolvidos na cadeia produtiva, se atendendo, também, as exigências das indústrias consumidoras de amido?

Villela: O grande concorrente da fécula de mandioca é o amido de milho. Para termos preços competitivos com este item, o preço da tonelada de mandioca tem que variar entre cinco e sete sacas de milho. O grande desafio é melhorar a produtividade agrícola, os teores de amido da raiz, de forma a lavoura ser altamente rentável, com preços realistas. Esta discussão, hoje, está complicada, já que as planilhas de custo ainda não refletiram a queda dos preços dos insumos ocorridas nos últimos meses e, em muitos casos, carregam preços absurdos de arrendamento, causados pela euforia com os ganhos da mandioca em 2003 e 2004.

5) Devido à instabilidade gerada pelos altos preços da raiz no ano passado, e início deste ano, o setor de amido de mandioca produziu menos que o planejado. A partir desses acontecimentos houve mudança na projeção de se atingir no Brasil a produção de 2,2 milhões de toneladas de amido de mandioca até o ano 2010? É possível se chegar a esse volume de produção? O que é preciso para que o país explore plenamente sua capacidade produtiva?

Villela: A capacidade de produção de amido de mandioca brasileira vem crescendo ano a ano, a partir da criação de novas indústrias e ampliação das existentes, de forma que, hoje, a capacidade instalada, ou em instalação, está em torno de 1,5 milhão de toneladas. Em 2010 a capacidade instalada deverá ser até maior que a prevista. O grande desafio do setor é a destinação de toda essa produção ao mercado. A demanda atual do Brasil é de 600 mil toneladas de amido de mandioca. Somando-se às demandas de outros amidos devemos chegar a um total de 1,4 milhão/ano. Assim, vemos que, hoje, para vender no mercado interno toda a produção industrial teríamos que ter preço e confiabilidade, de modo a deslocar todos os demais amidos, e que permanecesse apenas o amido de mandioca no mercado. Obviamente, isso não vai acontecer. Dessa maneira, devemos analisar quais são os grandes caminhos para o escoamento. Temos dois: exportação e substituição de parte do trigo importado, na produção de farinha de trigo, cujo mercado é muito grande.

 

 

6) ABAM: A indústria brasileira de amido de mandioca está apta a exportar? O momento favorece a exploração do mercado externo? Que estratégias deverão ser adotadas pelo setor para incrementar as exportações brasileiras?

Villela: A indústria brasileira está apta a exportar. O que ainda não está adequada é a cadeia produtiva como um todo. A criação de uma política consistente de exportação demanda certas premissas: a primeira é garantir uma menor flutuação de preços para o mercado externo; a segunda é a criação de um mercado futuro de mandioca e fécula que auxilie nessa estabilização, e propicie um “hedge” nesta operação, ou seja, permita diminuir os riscos da oscilações de preços. Todas essas premissas esbarram hoje num grande problema do país: a política cambial adotada, a meu ver irresponsável, está tirando a competitividade dos produtos brasileiros. Enquanto não houver, por parte das autoridades econômicas, uma genuína preocupação com os setores produtivos da sociedade o Brasil continuará vivendo ciclos de aumentos e diminuições de exportações muito intensos.

7) ABAM: Qual é o papel do industrial de amido de mandioca no sentido de se solidificar a política setorial encampada pela ABAM. E qual é o papel dos governos municipais, estaduais e federal nesse contexto?

Villela: O papel do empresário é conduzir seu negócio dentro dos princípios éticos, mantendo uma postura que não venha a denegrir a imagem do setor em que atua, respeitando todos os elos da cadeia produtiva. Deve, também, se fazer representar pela Associação à qual está vinculado. A Associação tem que ser o elo de ligação entre os empresários e o Governo, fazendo com que o Governo implante políticas adequadas às necessidades do setor. O Governo precisa ser o facilitador da economia, nos setores produtivos, criando estrutura e condições para os negócios crescerem sem sobressaltos. Todos os países que agiram assim tiveram sucesso. Não podemos ser diferentes.

8) ABAM: Que pleitos a ABAM tem encaminhado ao Governo Federal no intuito de fortalecer a cadeia produtiva da mandioca, e, sobretudo o segmento industrial de amido?

Villela: A ABAM vem intensificando contatos com o Governo objetivando obter sua ajuda no sentido de criar um ambiente mais propício aos negócios do setor. Momentaneamente, solicita a intervenção da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) no mercado. A longo prazo, a normatização definição de regras claras em relação à tributação, comércio exterior, meio ambiente, trabalhista, entre outros setores, fazendo assim com que o empresário se preocupe em produzir e em ser eficiente.

9) ABAM: Quais são as metas prioritárias de sua administração?

Villela: Melhorar as relações com o Governo, evitando surpresas e sobressaltos; melhorar o entendimento de autoridades governamentais sobre o setor, de modo a se adequar ações do Governo em relação à cultura da mandioca.

10) Que mensagem o senhor deixaria hoje para o produtor rural que já investe na atividade; para aqueles que estão pensando em plantar mandioca; e, para quem está pensando em investir no segmento industrial?

Villela: A principal recomendação ao produtor é que não plante sem estar próximo à indústria, e sem ter contrato garantindo a venda; e, acima de tudo, cuide de sua roça, escolha as manivas, adube, controle o mato, pois, quem consegue alta produção dificilmente tem prejuízo. Para os que estão pensando em investir na área de industrialização o ideal é que façam um estudo meticuloso do mercado, levando em consideração que a capacidade instalada já está quase três vezes maior que a demanda do país. Devem também analisar, friamente, que vantagens competitivas seu empreendimento terá em relação aos concorrentes, pois este é um mercado duro e altamente competitivo. E, acima de tudo, não devem subestimar a dificuldade de abastecimento de matéria prima.

   
 
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