A
mandioca é uma planta cultivada em mais
de 90 países, que alimenta cerca de 500
milhões de pessoas em todo o Mundo. Segundo
o IBGE (2005), a produção nacional
dessa cultura, na safra 2004, foi de 23,8 milhões
de toneladas, com rendimento médio de 13,8
toneladas de raízes por hectare. Considerando-se
a fase de produção primária
e o processamento de farinha e fécula,
estima-se que são gerados no Brasil um
milhão de empregos diretos pela cultura.
Em função da sua elevada capacidade
de uso do recurso água, e da sua grande
adaptação a solos de baixa fertilidade,
a mandioca se expandiu para todas as unidades
da Federação, sendo produzida, tanto
para mesa quanto para indústria, na sua
maioria, por pequenos produtores, com pouco ou
nenhum uso de tecnologia moderna, especialmente
agroquímicos.

Sistema completo contendo linha de extrusão
experimental IMBRAMAC RX (45Kg/h)
Diante da importância da cultura para
a alimentação do brasileiro e, também,
para a agroindústria de pequeno, médio
e grande porte, melhorias nos processamentos tradicionais
para a produção de fécula,
farinha e polvilho azedo, bem como, a implantação
de novas tecnologias para a produção
de itens que atendam as necessidades de incremento
nos sistemas produtivos da mandioca no Brasil,
se fazem necessárias.
A farinha constitui um dos principais produtos
da mandioca, e seu uso é muito difundido
em todo o País, fazendo parte da refeição
diária da maioria dos brasileiros, especialmente
das regiões Norte e Nordeste. Caracteriza-se
por ser um alimento de alto valor energético,
devido ao seu teor elevado de carboidratos (principalmente
amido) e contém alguns minerais como potássio,
cálcio, fósforo, sódio e
ferro.
Escala industrial - a escala
de operação das indústrias
de processamento de farinha vai desde as pequenas
unidades artesanais de processamento (casas de
farinha comunitárias ou privadas, que produzem
entre seis a 10 sacas de farinha por dia), existentes
em todo o Brasil, principalmente no Norte e Nordeste,
até unidades de grande porte, que processam,
em média, 300 sacas de farinha por dia,
passando por unidades de médio porte, que
possuem capacidade instalada para processar 100
sacas por dia.
O Cerat/Unesp, em parceria com o Sebrae e outras
instituições de pesquisa, tem buscado
avanços tecnológicos que permitam
melhorias no processamento da farinha de mandioca,
os quais beneficiarão comunidades de baixa
renda, que têm este produto como fonte de
alimentação e renda familiar, possibilitando
melhores condições higiênicas,
rendimento de processo e qualidade de produto,
que, com certeza, contribuirão de forma
expressiva para a melhoria desse setor.

Vista do Laboratório de Processos onde
se instalam equipamentos de extrusão, panificação,
reatores de hidrólise, spray-drier, colunas
destilação, e outros pilotos
Linhas de pesquisa - uma linha
de pesquisa desenvolvida no Cerat é a de
avaliação de variedades de mandioca
com potencialidade de processamento, tendo em
vista o potencial agronômico e suas características
físico-químicas.
O Centro conta com um Campo Experimental, Laboratório
de Biotecnologia Vegetal e Micropropagação,
e Laboratório de Processamento de Matérias-primas,
para apoio a esta importante etapa para efetivação
de melhorias e implantação de agroindústrias
de mandioca.
Extrusão - outra temática
pesquisada pelo Cerat é a diferenciação
da farinha de mandioca através do uso da
tecnologia de extrusão na produção
de farinhas instantâneas, alimentos infantis,
farinhas enriquecidas, e a modificação
física do amido para criar propriedades
únicas ou melhorar as suas propriedades.
Através dessa tecnologia, novos produtos
como biscoitos expandidos (snacks), são
produzidos, substituindo o milho, com algumas
vantagens, em termos de textura, aspectos e, principalmente,
ausência de glúten, o que os torna
indicados para consumo de pessoas celíacas
(intolerantes ao glúten).
Embora quimicamente iguais, os amidos se diferenciam
pela organização e arranjo dos seus
biopolímeros e interações
com outros compostos, que afetam/caracterizam
as suas aplicações industriais.
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Laboratório de Análises com
salas específicas para cromatografias,
análises viscográficas e espectroscopia
em FT-IR.
As pesquisas na área de estruturas e propriedades
reativas de grânulos de amido nativos e
modificados também são focadas,
e são desenvolvidos projetos que buscam
elucidar a composição dos grânulos
nativos, suas propriedades e possíveis
usos.
Projeto de pesquisa sobre modificação
química em amidos de mandioca, para aplicação
em indústrias, como os amidos catiônicos
para indústria de papel, e amidos fosfatados
para indústrias de alimentos, bem como
a produção de xaropes de glicose
e maltodextrinas, são possíveis
devido à presença de equipamentos
analíticos de alta resolução
existentes.
O Laboratório de Análises do Cerat
está equipado com cromatógrafos
líquido (HPLC), gasoso (GC-FID), de massa
(GC-MASS), baixa pressão (GP-SEC), viscógrafos
RVA, Brookfield, espectrofotômetros UV/VIS,
FT-IR, analisador de carbono TOC, capelas de fluxo
laminar, microscopia monitorada, BODs, e outros
de apoio a pesquisas avançadas.
Fermentações alcoólicas
- as agroindústrias produzem resíduos
poluentes de alto impacto ambiental, cujo manejo
e aproveitamento econômico demandam estudos.
Nesta temática estão sendo realizadas
no Centro pesquisas que objetivam o aproveitamento
dos amidos residuários dos sistemas de
agroindustrialização da mandioca
como fonte de carbono em fermentações
alcoólicas, cujos resultados têm
mostrado viabilidade técnica e produtos
com características de qualidade que o
diferenciam dos originários da cana-de-açúcar.
A realização destes trabalhos tem
permitido a integração do Centro
com outras instituições de pesquisa
de renome nacional e internacional, bem como,
parcerias com o setor produtivo, contribuindo
para o avanço do setor de amido de mandioca
no Brasil.

Laboratório de Processamento de Matérias-Primas,
estufas e câmara de nebulização.
Produtos de conveniência -
com a mudança de hábitos de consumo,
o brasileiro começa a incorporar, positivamente,
tendências mundiais, em termos de demanda
por qualidade e diversidade, levando a uma maior
exigência por produtos de preparação
mais fácil - os chamados produtos de conveniência.
A produção de polvilho azedo com
qualidade permite sua utilização
em produtos de conveniência como biscoitos
e pão-de-queijo, produtos estes com grande
crescimento no consumo, tornando-se parte integral
do hábito alimentar da maior parte da população
mundial.
A busca por melhorias de processo e a diferenciação
de produtos a partir do polvilho azedo têm
sido também alvo de pesquisas no Cerat,
em parcerias com empresas e outros pesquisadores
vinculados ao Centro, onde a aplicação
da tecnologia de extrusão vem sendo empregada
para o desenvolvimento de novos produtos com alta
qualidade, aceitação sensorial,
e bons resultados econômicos.
Neste mesmo enfoque de produtos de conveniência,
o Cerat vem trabalhando na área de seleção
de matéria-prima, avaliação
de ponto de colheita, bem como avanços
tecnológicos no processamento de mandioca
de mesa para obtenção de chips,
mandioca minimamente processada e, pré-cozida
e congelada, produtos de mercado crescente e de
interesse para associações, cooperativas,
pequenas empresas, etc.
Com isso, o Cerat/Unesp tem cumprido seu objetivo
institucional de formação de recursos
humanos expecializados, atividades de investigação
científica interdisciplinar e difusão
de conhecimentos, tecnológicos e produtos
gerados.

Laboratório de Processamento de Matérias-Primas
com equipamentos piloto de processamento de tuberosas.
Prof. Dr. Cláudio Cabello Diretor do Cerat
- dircerat@fca.unesp.br
Dra. Magali Leonel Pesquisadora do Cerat - mleonel@fca.unesp.br
Dr. Marcelo Álvares de Oliveira Pesquisador
do Cerat - maoliveira@fca.unesp.br
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