Como
os amidos diferem em relação as
suas características, a simples escolha
da matéria-prima pode ajudar a resolver
os problemas da aplicação em alimentos.
Por exemplo: sopas tipo creme, translúcidas,
e com muito corpo, só serão obtidas
com fécula de mandioca.
De forma geral os amidos podem ser agrupados
em quatro grandes grupos: as féculas, que
são frações amiláceas
de matérias-primas subterrâneas;
os amidos que são mais gerais, podendo
ser obtidos de cereais, leguminosas e outros.
A palavra fécula existe apenas na língua
portuguesa e francesa. Em inglês e espanhol
a palavra amido serve para todas as matérias-primas.

O terceiro grupo é constituído
por leguminosas amiláceas, embora com grande
aplicação em alimentos cozidos como
o feijão (comum e soja), ainda permanecem
pouco exploradas comercialmente para amido. A
exceção é da ervilha, com
extração de amido, principalmente,
na Europa; e o feijão Mungo, na Ásia,
usado para fabricação de macarrão.
E, o quarto grupo, é o dos amidos raros,
estudados e caracterizados, mas ainda não
extraídos.
Os amidos comerciais são obtidos, portanto,
de um grupo muito pequeno de matérias-primas
que podem proporcionar amidos baratos através
de processos de extração bem dominados.
Formação de géis
- a formação do gel através
do aquecimento de uma suspensão de amido
em água fria, que depois vai sendo aquecida
gradativamente, e, sob agitação,
até engrossar, é a forma mais evidente
de verificar as propriedades de aplicação.Géis
de fécula de mandioca são mais viscosos
que os de amido de milho. Portanto, garante a
mesma viscosidade com quantidades menores. Quando
se acompanha em aparelhos adequados a formação
do gel ao longo do tempo e do aquecimento, tem-se
o que se chama de viscograma. Para adequar as
características dos amidos comerciais às
necessidades das indústrias que precisam
das propriedades de aplicação específicas
surgiram os amidos modificados.

As modificações são, sempre,
dirigidas para corrigir defeitos ou acrescentar
qualidades aos amidos naturais. Não sendo
excessivamente caros, os amidos modificados podem
ser usados em processos sem encarecer o produto.
As principais modificações do amido
foram propostas nas décadas de 40 e 50
e foram adaptadas de modificações
feitas para a celulose - um polímero estruturalmente
semelhante ao amido. Essas modificações
eram todas químicas.
Indústria de alimentos - embora muitos
amidos modificados tenham aplicação
em indústrias têxteis, papeleira,
de tintas, moldes, etc, a maioria desses amidos
modificados pode ser também utilizada no
setor de indústrias de alimentos.
Da indústria de alimentos, o segmento
que mais cresce é o de alimento processado.
Pratos prontos e semi-prontos congelados ou desidratados
são encontrados nas capitais, mas, mais
seguidamente, são uma necessidade, mesmo
nas cidades menores. A rapidez da vida moderna,
com famílias que querem mais lazer, aliado
à maior necessidade de alimentos de qualidade,
são razões para essas mudanças.

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Uma
outra mudança que vem ocorrendo com o consumidor
é em relação à forma
com que vê o alimento. Conceitos de alimentos
sadios, mais próximos dos alimentos caseiros,
mas sem perder a tentadora aparência e facilidade,
têm sido consolidados no perfil do consumidor
brasileiro.

As modificações químicas
podem prejudicar o conceito de natural para alguns
produtos. Quanto mais informado o consumidor,
mais ele procura por alimentos naturais. O que
fazer então?
Em paralelo a essa nova necessidade do consumidor
mundial de alimentos, os pesquisadores e industriais
vêm buscando novas formas de ajustar os
amidos nativos às necessidades mais exigentes
das indústrias que processam alimentos,
com o menor uso de produtos químicos, resultando
em amidos modificados, obtidos por processos físicos.
Para atendimento do consumidor europeu, que é
mais exigente em questões de alimentação
sadia, uma série de amidos vem sendo obtida
por processos físicos, sendo valorizada
com rótulos apelativos, equivalentes aos
dos alimentos naturais.

Ingrediente / aditivo - pelas legislações
européia e brasileira, um amido modificado
por processo físico é um ingrediente,
e pode ser usado em maiores quantidades no alimento
sem que conste no rótulo como amido modificado.
Ao contrário, os amidos modificados por
processos químicos devem ser registrados
como tal nos rótulos, e são considerados
como aditivos, sendo usados, obrigatoriamente,
em quantidades menores.
Alguns amidos modificados por processos físicos
são já bastante conhecidos dos empresários
brasileiros, como as dextrinas térmicas
e os pré-géis (amidos previamente
gelificados pelo calor e depois desidratados).
Os que começam a sair das prateleiras
da pesquisa para as empresas processadoras são
os gelificados por pressão altíssima,
sem necessidade de uso de calor.
Também tem sido iniciada a esterilização
ou redução de contaminação
pelo uso de luz pulsante, em substituição
ao uso de oxidantes como os peróxidos e
clorados.

O uso de lâmpadas de ultravioleta pode
proporcionar amidos oxidados ou de baixo conteúdo
microbiológico. Amidos podem ser transformados
pelo uso de microondas e radiação
gama. O fato de que após o tratamento não
restam quaisquer resíduos é um importante
ponto a ser considerado.
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