| A
competitividade no setor agropecuário tem
forçado os produtores de gado de corte
a procurar alternativas que reduzam os custos
de produção. Dos componentes do
custo, a alimentação representa
a maior parcela, devido à participação
de grãos e farelos necessários às
dietas de alta energia.
Os resíduos da agroindústria de
mandioca podem substituir, com vantagem econômica,
os alimentos tradicionais, e representam enorme
potencial para a produção de bovinos.
Os resíduos da industrialização
da mandioca são partes constituintes da
própria planta, gerados em função
do processo tecnológico adotado. Uma fecularia
que processa, em média, 200 toneladas de
mandioca por dia, gera, aproximadamente, 183 toneladas
por dia de bagaço, com 15% de matéria
seca; 73% de amido; e, 15% de fibras na matéria
seca. segundo Leonel (2001).
Quando esses resíduos não são
adequadamente manejados podem se constituir em
problema ambiental. Entretanto, a composição
química e as características nutricionais
de cada alimento devem ser conhecidas de forma
a utilizá-los adequadamente.
Segundo Cereda (1994) o resíduo úmido
da fecularia obtido após a extração
do amido caracteriza-se por baixos teores de matéria
seca e proteína bruta e elevados teores
de fibras, e até 75% de amido residual,
caracterizando-se como um alimento energético.
Utilizando-se o resíduo da lavagem das
raízes em substituição ao
milho, Lorenzoni e Mella (1994) obtiveram em bovinos
ganhos diários de 0,82 kg. Ferreira e colaboradores
(1989), com raspas de mandioca, obtiveram ganhos
diários de 1,14 kg. A utilização
do resíduo úmido é comum
entre os produtores, mas pouca informação
sobre sua utilização é encontrada
na literatura.
Em função destes aspectos foi conduzido
na Estação Experimental de Paranavaí,
pertencente ao Instituto Agronômico do Paraná,
experimento com o objetivo de avaliar a substituição
do milho pelo resíduo de fecularia, em
relação ao ganho de peso, ingestão
de nutrientes e conversão alimentar.
Foram utilizados 40 animais oriundos de cruzamentos
industriais, machos, inteiros, com 21 meses de
idade e peso médio de 363 quilos, que foram
avaliados por período de 117 dias.
Os animais foram alojados dois a dois em baias
de piso concretado, parcialmente cobertas, com
cocho de três metros lineares para alimento
e bebedouro. O consumo e as sobras de alimentos
foram determinados diariamente. Amostras dos alimentos
foram coletadas semanalmente para determinações
laboratoriais. |
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Os
tratamentos foram: cinco dietas compostas por
um volumoso à base de silagem de sorgo
forrageiro; e, cinco diferentes concentrados,
sendo uma à base de milho; e, os demais,
substituições do milho em 25%; 50%;
75% a 100%, por bagaço úmido de
fecularia em relação à base
seca (Tabela 1).
O volumoso foi oferecido à vontade, duas
vezes ao dia, juntamente com o concentrado. As
dietas foram calculadas para permitir ganho de
peso de 1,3 kg/dia, aditivadas com 30 mg/kg de
monensina sódica na matéria seca,
e suplemento vitamínico.
A substituição do milho pelo resíduo
de fecularia não teve efeito sobre o ganho
de peso. O valor médio para ganho médio
diário (1,63 kg) foi elevado, se considerado
que as dietas tinham, em média, 49% de
concentrado; 38,83% de fibra em detergente neutro;
e, 23,71% de fibra em detergente ácido.
Valores inferiores foram obtidos por Ramos e
colaboradores (2000) que avaliaram este resíduo
em substituição ao milho e conseguiram
ganhos de 1,12 kg, substituindo 66% do milho pelo
resíduo de fecularia. No entanto Marques
(2000) obteve ganhos de 1,6 kg/dia avaliando subprodutos
da mandioca na alimentação de novilhas.
A conversão alimentar não foi
diferente entre os tratamentos (Tabela 2) com
valor médio de 5,4:1, valor alto, considerando-se
o peso inicial dos animais e a duração
do experimento.
A utilização da monensina contribuiu
para a melhoria da conversão, pois a ingestão
de matéria seca foi reduzida e os ganhos
elevados.
O consumo não foi influenciado pela substituição
do milho pelo resíduo (Tabela 2).
Os valores encontrados por Ramos e colaboradores
(2000) foram inferiores aos desse experimento,
tendo o autor atribuído este fato à
baixa qualidade do volumoso.
O consumo de fibra em detergente ácido
aumentou diretamente com o aumento da inclusão
do resíduo, explicado pelo maior teor desta
fração nas dietas com maiores proporções
de resíduo (Tabela 1).
A substituição do milho pelo resíduo
de fecularia não afetou o ganho e a conversão
dos animais, propiciando a utilização
nas dietas para bovinos em terminação.
José Jorge dos Santos Abrahão
Pesquisador do Iapar/Paranavaí |
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LITERATURA
CITADA
AGRICULTURAL AND FOOD RESEARCH COUNCIL AFRC.
1993. Technical committee on responses to nutrients:
energy and protein requirements of ruminants.
Wallinford: CAB INTERNATIONAL.159p.
CEREDA, M.P. Caracterização dos
resíduos da industrialização
da mandioca. In: CEREDA, M.P. Resíduos
da industrialização da mandioca.
Botucatu,1994. p.11-50.
FERREIRA, J.J.; MARQUES NETO, J.; MIRANDA, C.S.
Efeito do milho, sorgo e raspa de mandioca na
ração, sobre o desempenho de novilhos
confinados. Revista da Sociedade Brasileira de
Zootecnia, volume 18. no .4, páginas 306-313,
1989.
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LORENZONI, W.R.
& MELLA, S.C. Avaliação do resíduo
obtido da lavagem de raiz de mandioca como alimento
energético para bovinos. In: Cereda, M.P.
Resíduos da industrialização
da mandioca. Botucatu, 1994. p. 91-100.
MARQUES, J.A.; PRADO, I.N.; ZEOULA, L.M. et al.
Avaliação da mandioca e seus resíduos
industriais em substituição ao milho
no desempenho de novilhas confinadas. Revista
Brasileira de Zootecnia, volume 29, no.5, páginas
1528-1536, 2000.
RAMOS, P.R.; PRATES, E.R.; FONTANELLI, R.S. et
al. Uso do bagaço de mandioca em substituição
ao milho no concentrado para bovinos em crescimento.2.
Digestibilidade aparente, consumo de nutrientes
digestíveis, ganho de peso e conversão
alimentar. Revista Brasileira de Zootecnia, volume
29, no 1, páginas 300-305, 2000 (b). |