Nesta Edição
Editorial
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A atuação do CERAT/UNESP na agroindustrialização da Mandioca
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Como melhorar a textura, sabor e performance de produtos em panificação
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Alimentação equilibrada assegura qualidade de vida

Maltodextrinas da Mandioca - Estrelas do mundo esportivo

Mercado com sinais de maior oferta
Atuação do Governo no mercado da mandioca
Bagaço da mandioca gerado em fecularias alimenta bovinos de corte
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ANO III - Nº11 - Julho - Setembro/2005


Bagaço da mandioca gerado em fecularias alimenta bovinos de corte

Nesta edição abro espaço para o Pesquisador do IAPAR/Paranavaí, José Jorge dos Santos Abrahão, tratar de um assunto de grande interesse na cadeia produtiva da mandioca.

Abrahão se dedica, há muito tempo, ao estudo dos resíduos resultantes do processo de obtenção do amido de mandioca nas fecularias, e traz aos leitores da coluna uma abordagem moderna e atual do nível das pesquisas relativas ao uso do bagaço da mandioca na alimentação de gado de corte.


Mário Takahashi
é engenheiro agrônomo,
pesquisador do Instituto
Agronômico do Paraná.

A competitividade no setor agropecuário tem forçado os produtores de gado de corte a procurar alternativas que reduzam os custos de produção. Dos componentes do custo, a alimentação representa a maior parcela, devido à participação de grãos e farelos necessários às dietas de alta energia.

Os resíduos da agroindústria de mandioca podem substituir, com vantagem econômica, os alimentos tradicionais, e representam enorme potencial para a produção de bovinos.

Os resíduos da industrialização da mandioca são partes constituintes da própria planta, gerados em função do processo tecnológico adotado. Uma fecularia que processa, em média, 200 toneladas de mandioca por dia, gera, aproximadamente, 183 toneladas por dia de bagaço, com 15% de matéria seca; 73% de amido; e, 15% de fibras na matéria seca. segundo Leonel (2001).

Quando esses resíduos não são adequadamente manejados podem se constituir em problema ambiental. Entretanto, a composição química e as características nutricionais de cada alimento devem ser conhecidas de forma a utilizá-los adequadamente.

Segundo Cereda (1994) o resíduo úmido da fecularia obtido após a extração do amido caracteriza-se por baixos teores de matéria seca e proteína bruta e elevados teores de fibras, e até 75% de amido residual, caracterizando-se como um alimento energético.

Utilizando-se o resíduo da lavagem das raízes em substituição ao milho, Lorenzoni e Mella (1994) obtiveram em bovinos ganhos diários de 0,82 kg. Ferreira e colaboradores (1989), com raspas de mandioca, obtiveram ganhos diários de 1,14 kg. A utilização do resíduo úmido é comum entre os produtores, mas pouca informação sobre sua utilização é encontrada na literatura.

Em função destes aspectos foi conduzido na Estação Experimental de Paranavaí, pertencente ao Instituto Agronômico do Paraná, experimento com o objetivo de avaliar a substituição do milho pelo resíduo de fecularia, em relação ao ganho de peso, ingestão de nutrientes e conversão alimentar.

Foram utilizados 40 animais oriundos de cruzamentos industriais, machos, inteiros, com 21 meses de idade e peso médio de 363 quilos, que foram avaliados por período de 117 dias.

Os animais foram alojados dois a dois em baias de piso concretado, parcialmente cobertas, com cocho de três metros lineares para alimento e bebedouro. O consumo e as sobras de alimentos foram determinados diariamente. Amostras dos alimentos foram coletadas semanalmente para determinações laboratoriais.

 

Os tratamentos foram: cinco dietas compostas por um volumoso à base de silagem de sorgo forrageiro; e, cinco diferentes concentrados, sendo uma à base de milho; e, os demais, substituições do milho em 25%; 50%; 75% a 100%, por bagaço úmido de fecularia em relação à base seca (Tabela 1).

O volumoso foi oferecido à vontade, duas vezes ao dia, juntamente com o concentrado. As dietas foram calculadas para permitir ganho de peso de 1,3 kg/dia, aditivadas com 30 mg/kg de monensina sódica na matéria seca, e suplemento vitamínico.

A substituição do milho pelo resíduo de fecularia não teve efeito sobre o ganho de peso. O valor médio para ganho médio diário (1,63 kg) foi elevado, se considerado que as dietas tinham, em média, 49% de concentrado; 38,83% de fibra em detergente neutro; e, 23,71% de fibra em detergente ácido.

Valores inferiores foram obtidos por Ramos e colaboradores (2000) que avaliaram este resíduo em substituição ao milho e conseguiram ganhos de 1,12 kg, substituindo 66% do milho pelo resíduo de fecularia. No entanto Marques (2000) obteve ganhos de 1,6 kg/dia avaliando subprodutos da mandioca na alimentação de novilhas.

A conversão alimentar não foi diferente entre os tratamentos (Tabela 2) com valor médio de 5,4:1, valor alto, considerando-se o peso inicial dos animais e a duração do experimento.

A utilização da monensina contribuiu para a melhoria da conversão, pois a ingestão de matéria seca foi reduzida e os ganhos elevados.

O consumo não foi influenciado pela substituição do milho pelo resíduo (Tabela 2).

Os valores encontrados por Ramos e colaboradores (2000) foram inferiores aos desse experimento, tendo o autor atribuído este fato à baixa qualidade do volumoso.

O consumo de fibra em detergente ácido aumentou diretamente com o aumento da inclusão do resíduo, explicado pelo maior teor desta fração nas dietas com maiores proporções de resíduo (Tabela 1).

A substituição do milho pelo resíduo de fecularia não afetou o ganho e a conversão dos animais, propiciando a utilização nas dietas para bovinos em terminação.

José Jorge dos Santos Abrahão
Pesquisador do Iapar/Paranavaí

     

LITERATURA CITADA

AGRICULTURAL AND FOOD RESEARCH COUNCIL AFRC. 1993. Technical committee on responses to nutrients: energy and protein requirements of ruminants. Wallinford: CAB INTERNATIONAL.159p.

CEREDA, M.P. Caracterização dos resíduos da industrialização da mandioca. In: CEREDA, M.P. Resíduos da industrialização da mandioca. Botucatu,1994. p.11-50.

FERREIRA, J.J.; MARQUES NETO, J.; MIRANDA, C.S. Efeito do milho, sorgo e raspa de mandioca na ração, sobre o desempenho de novilhos confinados. Revista da Sociedade Brasileira de Zootecnia, volume 18. no .4, páginas 306-313, 1989.

 

 

LORENZONI, W.R. & MELLA, S.C. Avaliação do resíduo obtido da lavagem de raiz de mandioca como alimento energético para bovinos. In: Cereda, M.P. Resíduos da industrialização da mandioca. Botucatu, 1994. p. 91-100.

MARQUES, J.A.; PRADO, I.N.; ZEOULA, L.M. et al. Avaliação da mandioca e seus resíduos industriais em substituição ao milho no desempenho de novilhas confinadas. Revista Brasileira de Zootecnia, volume 29, no.5, páginas 1528-1536, 2000.

RAMOS, P.R.; PRATES, E.R.; FONTANELLI, R.S. et al. Uso do bagaço de mandioca em substituição ao milho no concentrado para bovinos em crescimento.2. Digestibilidade aparente, consumo de nutrientes digestíveis, ganho de peso e conversão alimentar. Revista Brasileira de Zootecnia, volume 29, no 1, páginas 300-305, 2000 (b).

     
Tabela 1. Percentagem média de silagem e concentrados nas dietas e composição em matéria orgânica, proteína bruta, extrato etéreo, fibra em detergente neutro, fibra em detergente ácido, carboidratos totais e carboidratos não fibrosos (% na matéria seca).
     
Tabela 2. Peso médio dos animais inicial, final e ganho médio diário.
     
   
 
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