Pesquisas
baseadas na substituição da farinha
de trigo por ingredientes alternativos em produtos
de panificação, realizadas pelo
ITAL (Instituto de Tecnologia de Alimentos), revelaram
que a fécula/amido de mandioca é
uma boa opção, pois, além
de ser tecnicamente viável, poderia diminuir
gastos com a importação do trigo,
gerar empregos diretos e indiretos, a partir do
aumento do consumo, e estimular a cadeia produtiva
deste tubérculo tropical. O ITAL realiza
pesquisas sobre ingredientes alternativos desde
a década de 60.
No início dos anos 80, as pesquisas estavam
evoluindo, mas o Governo Federal promoveu um grande
subsidios ao trigo importado, desacelerando o
interesse sobre o assunto.
Outro marco importante com relação
ao uso da fécula foi o ano de 1989, quando
foi aprovada a Portaria 224, que permitia a utilização
de farinhas mistas, com adição de
outras matérias-primas, além do
trigo, para a fabricação de produtos
como biscoitos, pães e massas alimentícias.
O Projeto de Lei nº 4679 de 2001, do Deputado
Federal Aldo Rebelo, que previa a obrigatoriedade
da adição de 10% de fécula
de mandioca à farinha de trigo, voltou
a estimular novos testes com produtos de panificação.
Nessa ocasião, Francy Zambrano, Rita de
Cássia Ormenese, Flávio Montenegro
e Eliete de Faria, pesquisadores do ITAL, desenvolveram
um estudo sobre a utilização da
fécula de mandioca no pão francês.
Sabor e textura agradam consumidor - diversos
testes foram realizados com 5%, 10% e 15% de fécula
misturada à farinha de trigo para produção
de pão francês. Em seguida, foram
feitas avaliações para se determinar
a aceitação do produto junto ao
público. Além das análises
físico-químicas, um grupo de 50
pessoas avaliou aparência, textura, sabor,
e avaliou a possibilidade de compra.
O pão com 10% de fécula de mandioca
foi bem aceito - o sabor, a textura e a aparência
do pãozinho agradaram ao público
que participou dos testes de avaliação.
Os resultados mostraram que a aceitação
dos consumidores se tornava menor à medida
que se aumentava a porcentagem de farinha mista
(contendo fécula), e o tempo de estocagem.
A pesquisa concluiu que é possível
se fazer a substituição da farinha
de trigo por 10% de fécula de mandioca
para produção de pão francês,
desde que seja utilizada uma farinha de trigo
forte, ou seja, com maior capacidade de retenção
de gás carbônico, que, conseqüentemente,
proporciona maior crescimento da massa. Além
disso, a quantidade de água e o tempo de
mistura devem ser menores. Deve-se ainda avaliar
a utilização de aditivos tais como
agentes oxidantes e emulsificantes.
Os pesquisadores iniciaram, também, testes
com pão de hambúrguer e pão
de forma. No entanto, como o Projeto de Lei 4679/01
não foi aprovado, as pesquisas não
tiveram continuidade nestes outros tipos de pães.
Recentemente, estava prevista a apresentação
de uma emenda ao projeto de lei, se restringindo
a obrigatoriedade de adição de 10%
da fécula de mandioca somente sobre o trigo
importado, o que evitaria prejuízos à
triticultura nacional. Caso a lei seja aprovada
devem retornar os incentivos ao uso da fécula
de mandioca.
Se houver interesse, estudos/pesquisas mais aprofundados,
poderão ser feitos pelos pesquisadores
do ITAL.
Colaboração: Ana Carolina Bertho
- Jornalista do ITAL |
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Rita de Cássia Ormenese, Pesquisadora
do Ital: “Substituição de
10% da farinha de trigo por fécula de mandioca
é viável"

Pães com adição de fécula
de mandioca, pesquisados no ITAL, tiveram boa
aceitação junto ao público.
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