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Editorial
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ANO III - Nº11 - Julho - Setembro/2005


Embrapa pesquisa mandioca para indústrias de amido

Desenvolvimento da indústria de fécula de mandioca no Brasil tem demandado novas variedades
com teores de amido mais elevados nas raízes e qualidade que agregue valores ao produto

Wania Maria Gonçalves Fukuda (*)

A cultura da mandioca apresenta, em média, 30% de matéria seca nas raízes, já tendo sido encontrado, na espécie Manihot esculenta, até 45% de matéria seca. Os teores de matéria seca nas raízes são altamente correlacionados com os teores de amido ou fécula, dependendo da variedade do local onde se cultiva, da idade e época de colheita.
Vários estudos sobre o potencial de produção de amido foram desenvolvidos com a cultura da mandioca no Brasil, observando-se uma ampla diversidade genética da espécie para este fator, variando de 5% a 43%.

O desenvolvimento da indústria de fécula de mandioca no Brasil tem demandado novas variedades com teores de amido mais elevados nas raízes e qualidade que agregue valores ao produto.
Um dos objetivos do Programa de Melhoramento Genético da Embrapa Mandioca e Fruticultura é elevar o teor de amido nas raízes de mandioca e identificar novos tipos de amido para a utilização na indústria.

Durante os últimos 10 anos foram selecionadas e recomendadas pelo CNPMF 21 variedades de mandioca para a indústria da fécula e farinha, adaptadas aos ecossistemas de tabuleiros Costeiros, Recôncavo da Bahia e Semi-Árido do Nordeste brasileiro.

No ano passado foram recomendadas pelo CNPMF, para o Semi-Árido brasileiro, as variedades Arari, Mani-Branca e o híbrido Formosa, com teores de matéria seca na raiz em torno de 39% (Arari e Mani Branca); e, 40% (Formosa), aos 18 meses de idade. (Fotos 1,2 e 3).

Este ano a Embrapa Mandioca e Fruticultura estará lançando as variedades Prata e Moreninha, para indústria de farinha e de amido, adaptadas ao Nordeste com teores de matéria seca nas raízes em torno de 38%. (Fotos 4 e 5).

Com exceção da variedade Formosa as demais variedades apresentam película e polpa branca, uma das características importantes para o produtor de amido do Nordeste. (Fotos 4 e 5).

A mandioca é uma cultura rústica, adaptada às condições marginais de clima e solo. Constitui uma das mais importantes fontes de carboidratos de 600 milhões de pessoas em vários países tropicais do mundo. É considerada uma planta completa com suas raízes ricas em carboidratos, e folhas ricas em proteínas, vitaminas A e C, além de outros nutrientes.

Nos últimos 10 anos, consideráveis avanços foram feitos pela pesquisa, no sentido de se identificar novos potenciais dessa cultura, capazes de contribuir na melhoria do status nutricional das populações com graves problemas de desnutrição, situadas nos trópicos, particularmente no Nordeste brasileiro, onde a mandioca constitui um dos principais cultivos.

Betacaroteno e Licopeno - foi constatado que, além de carboidratos, a mandioca é uma excelente fonte de betacarotenos, precursores da Vitamina A, nas raízes de coloração amarela; e, de licopeno, nas raízes de coloração rosada. Essa correlação foi mais uma descoberta importante da pesquisa, facilitando e agilizando o processo de identificação e seleção de variedades com maior potencial de carotenos nas raízes.

Os teores de betacaroteno (pró-vitamina A) nas raízes de mandioca, é um caráter governado por poucos genes e de fácil manipulação pelos métodos convencionais de melhoramento genético. Com isso, estima-se que é fácil obter-se variedades de mandioca com teores mais elevados de caroteneoides nas raízes, superiores àqueles já encontrados no germoplasma nativo (variedades crioulas).

Variedades com raízes amarelas são comuns em todo o país, com maior concentração de diversidade genética na região Norte e parte do Nordeste, sendo que na região Norte as mandiocas com raízes amarelas são bravas, e usadas, preferencialmente, na indústria da farinha.

Nas demais regiões do país, as variedades de mandioca com raízes amarelas são preferidas para o consumo de mesa, também chamadas de aipim e macaxeira. Variedades com colorações alaranjadas e rosadas são mais raras na natureza. Já as variedades de polpa branca são usadas para a indústria da fécula e da farinha.

A ocorrência de deficiência de vitamina A em regiões do Nordeste brasileiro, onde a mandioca é cultivada e faz parte do hábito alimentar destas populações, coloca esta cultura em posição privilegiada como alternativa viável no combate à fome nutricional destas populações.

Melhoramento genético - a Embrapa mandioca e Fruticultura Tropical vem desenvolvendo trabalhos de melhoramento genético, com os objetivos de identificar e gerar novas variedades de mandioca ricas em carotenoídes nas raízes. Iniciou o processo com avaliação do seu banco de germoplasma, com 1800 acessos.

Destes, selecionou inicialmente 72 variedades com coloração amarelas nas raízes, e identificou variedades apresentando teores carotenoídes totais de até 15,51 µ/g de polpa fresca. Estes resultados mostram o grande potencial que apresenta a cultura da mandioca como suprimento potencial de vitamina A.

Desde que a deficiência de vitamina A é resultante de uma dieta inadequada, a identificação e utilização de variedades de mandioca com teores mais elevados de carotenóides nas raízes, pode minimizar os problemas da fome nutricional.

É evidente que muitos estudos, do ponto de vista nutricional, envolvendo aspectos de biodisponibilidade de vitamina A, a partir de mandioca, no organismo do homem necessitam ser realizados para confirmar a eficiência da cultura da mandioca na redução dos efeitos da avitaminose A na população.

A exploração do germoplasma de mandioca para teores de carotenoídes nas raízes, e de outros elementos importantes para a nutrição humana, pode dar um novo enfoque à cultura da mandioca como alimento.

A associação de variedades amarelas com baixos teores de ácido cianídrico nas raízes pode maximizar o aproveitamento da vitamina A durante o seu consumo, já que exige um processamento mínimo, com menores perdas do betacaroteno contido nas raízes.

 

 


Foto 1 - Variedade Arari


Foto 2 - Variedade Mani-Branca


Foto 3 - Variedade Formosa


Foto 4 - Variedade Prata


Foto 5 - Variedade Moreninha

Mercado - ultimamente, o mercado de mandioca para mesa tem se intensificado e diversificado bastante, originando demandas em termos de qualidade de raízes com características específicas para fabricação de chips, palitos e fritas, com e sem pré-cozimento.

Dentre as variedades de polpas coloridas foram selecionadas pela Embrapa Mandioca e Fruticultura, as variedades BRS Dourada e BRS Gema de Ovo, ambas de coloração amarela; e, a variedade BRS Rosada, de coloração avermelhada, que além de apresentarem qualidade para o consumo de mesa, são ricas em carotenóides nas raízes, precursor da vitamina A.

As variedades de coloração amarelas apresentarem cerca de 4µ/g de polpa fresca de carotenoídes totais na raiz; e, a variedade Rosada, apresentou 15µ/g de carotenoídes totais (Figura 1).

 


Figura 01: Variedades de mandioca de mesa Gema de ovo (C), Cenoura Rosada (H) e Dourada (D)

A vantagem das variedades para mesa ricas em carotenoídes é que o processamento mínimo conserva melhor os teores de carotenoídes nas raízes. Além de boa qualidade para o consumo fresco cozido, a variedade BRS Dourada destacou-se também para o consumo fresco sob a forma de palito, sem cozimento (Figura 2) e na produção de farinha de copioba da Bahia (farinha fina amarela).


Figura 02: Mandioca Palito da variedade dourada

 

   
 
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