O
ano de 2005 poderá ser visto como um período
de grande oferta de mandioca para a indústria
processadora. Em grande parte do período
houve a opção das empresas de trabalhar
com a capacidade instalada total. No entanto,
em razão da falta de demanda para os produtos
derivados, trabalhou-se com ociosidade bastante
significativa. Diante disso os valores da mandioca
tiveram redução, mudando o contexto
do mercado, levando, até mesmo, contratos
de entrega de raiz ás indústrias
a serem renegociados.
Algumas poucas empresas, ainda no início
do ano, elevaram sua produção, tendo
crença no aumento da demanda por fécula
no mercado interno, e na possibilidade de explorar
o mercado internacional. O mercado externo passou
a ser para as indústrias de amido de mandioca
uma opção a mais de escoamento,
uma vez que problemas climáticos na Tailândia
(maior exportador mundial de fécula) elevaram
os valores do produto. No entanto, as oportunidades
para a fécula brasileira foram inviabilizadas
pelo câmbio, que está muito aquém
da margem considerada ideal para que se efetuem
exportações.
Diante desse contexto houve excesso de fécula
no mercado, tornando os valores mais baixos a
cada semana. Tal fato fez os compradores mudarem
suas estratégias, passando a adquirir o
produto apenas para processamento de curto prazo.
Como solução para o excesso de oferta
de raiz de mandioca foi lançado pelo Governo
Federal o Contrato Privado de Opção
(PROP), objetivando um valor da raiz que garantisse
rendimento ao produtor, bem como atendesse às
necessidades da indústria. Para o setor
o lançamento de tal mecanismo de comercialização
foi um grande avanço, uma vez que a mandioca
ganhou a notoriedade de culturas como milho, algodão,
arroz e trigo, também atendidos com tal
instrumento.
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Para
o excesso de oferta de farinha e fécula
de mandioca no mercado a solução
encontrada foi o lançamento pelo Governo
Federal de AGF (Aquisições do Governo
Federal). Foram colocados a disposição
do setor R$ 14 milhões para AGF, para compra
de 15 mil toneladas de fécula e 30 mil
toneladas de farinha. O setor espera que com a
operacionalização de tais instrumentos
possa haver maior equilíbrio no mercado,
podendo, até mesmo, evitar significativas
reduções nos valores da raiz.
Outro ponto de extrema importância a ser
considerado é o maior nível e a
maior precisão das informações
no mercado. O Indicador de Preços Cepea/ABAM
esteve mais próximo da realidade do setor,
servindo como um importante parâmetro dos
mercados de raiz, fécula e farinha.
Diante de tais aspectos é possível
perceber que houve, de fato, maior auxílio
governamental ao setor No entanto, é correto
afirmar também que o setor buscou se organizar
e se articular de maneira mais ampla, seja com
maior nível de informações,
ou com inovações, para atingir tais
objetivos que, certamente, poderão ter
impacto positivo em todos os elos da cadeia produtiva.
Material redigido com a participação
do Pesquisador do Cepea, Lucílio Rogério
Aparecido Alves |