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ANO III - Nº12 - Outubro - Dezembro/2005


Reflexões sobre a cadeia produtiva da mandioca em 2005

 

O objetivo deste texto é descrever os principais fatos ocorridos na cadeia agroindustrial da mandioca durante este ano. É de extrema importância descrever não apenas fatos referentes ao mercado em si, como os fatos mais importantes ocorridos no setor durante o ano.


Fábio Isaías Felipe
é pesquisador do
CEPEA/ ESALQ/USP

O ano de 2005 poderá ser visto como um período de grande oferta de mandioca para a indústria processadora. Em grande parte do período houve a opção das empresas de trabalhar com a capacidade instalada total. No entanto, em razão da falta de demanda para os produtos derivados, trabalhou-se com ociosidade bastante significativa. Diante disso os valores da mandioca tiveram redução, mudando o contexto do mercado, levando, até mesmo, contratos de entrega de raiz ás indústrias a serem renegociados.

Algumas poucas empresas, ainda no início do ano, elevaram sua produção, tendo crença no aumento da demanda por fécula no mercado interno, e na possibilidade de explorar o mercado internacional. O mercado externo passou a ser para as indústrias de amido de mandioca uma opção a mais de escoamento, uma vez que problemas climáticos na Tailândia (maior exportador mundial de fécula) elevaram os valores do produto. No entanto, as oportunidades para a fécula brasileira foram inviabilizadas pelo câmbio, que está muito aquém da margem considerada ideal para que se efetuem exportações.

Diante desse contexto houve excesso de fécula no mercado, tornando os valores mais baixos a cada semana. Tal fato fez os compradores mudarem suas estratégias, passando a adquirir o produto apenas para processamento de curto prazo. Como solução para o excesso de oferta de raiz de mandioca foi lançado pelo Governo Federal o Contrato Privado de Opção (PROP), objetivando um valor da raiz que garantisse rendimento ao produtor, bem como atendesse às necessidades da indústria. Para o setor o lançamento de tal mecanismo de comercialização foi um grande avanço, uma vez que a mandioca ganhou a notoriedade de culturas como milho, algodão, arroz e trigo, também atendidos com tal instrumento.

 

 

Para o excesso de oferta de farinha e fécula de mandioca no mercado a solução encontrada foi o lançamento pelo Governo Federal de AGF (Aquisições do Governo Federal). Foram colocados a disposição do setor R$ 14 milhões para AGF, para compra de 15 mil toneladas de fécula e 30 mil toneladas de farinha. O setor espera que com a operacionalização de tais instrumentos possa haver maior equilíbrio no mercado, podendo, até mesmo, evitar significativas reduções nos valores da raiz.

Outro ponto de extrema importância a ser considerado é o maior nível e a maior precisão das informações no mercado. O Indicador de Preços Cepea/ABAM esteve mais próximo da realidade do setor, servindo como um importante parâmetro dos mercados de raiz, fécula e farinha.

Diante de tais aspectos é possível perceber que houve, de fato, maior auxílio governamental ao setor No entanto, é correto afirmar também que o setor buscou se organizar e se articular de maneira mais ampla, seja com maior nível de informações, ou com inovações, para atingir tais objetivos que, certamente, poderão ter impacto positivo em todos os elos da cadeia produtiva.

Material redigido com a participação do Pesquisador do Cepea, Lucílio Rogério Aparecido Alves

   
 
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