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ANO III - Nº11 - Julho - Setembro/2005


NOTÍCIAS DA EMBRAPA

 

Gestão da matéria-prima na cadeia agroindustrial da mandioca

A coluna traz aos leitores nesta edição um artigo assinado pelo Pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, de Cruz das Almas/BA, Carlos Estevão Leite Cardoso. Ele faz uma análise da variação dos preços da mandioca, abordando a influência da gestão inadequada da matéria-prima no comportamento desses.


Joselito Motta
é engenheiro agrônomo,
pesquisador da Embrapa Mandioca
e Fruticultura, tem mestrado em Extensão Rural pela
Universidade Federal de Viçosa/MG e cursos de especialização
em uso da mandioca

Instabilidade nos preços e volume inadequado de oferta restringe a competitividade da cadeia da mandioca, sobretudo no caso da produção de fécula. Estudos têm demonstrado que o coeficiente de variação simples dos preços de mandioca recebidos pelos produtores está sempre acima daquele observado para os produtos concorrentes, por exemplo, milho e trigo.

Esse comportamento dos preços tem sido influenciado, diretamente, pela gestão inadequada da matéria-prima. Os conflitos entre produtores e industriais podem ser explicados pelas principais características ou atributos das transações: a) freqüência; b) incerteza; e, c) especificidade dos ativos.

As transações podem ser realizadas em diferentes níveis de freqüência, observando-se as ocasionais e aquelas que são recorrentes. Na cadeia da mandioca as transações são recorrentes. Isso reduz a incerteza, o que favorece o estabelecimento de estruturas de governanças informais.

No tocante à incerteza nas transações entre os segmentos das cadeias agroindustriais, a incapacidade dos agentes preverem os acontecimentos futuros, e, assim, ampliarem o espaço para renegociação, aumentam as possibilidades de perdas derivadas do comportamento oportunista das partes.

Quanto ao atributo da especificidade dos ativos, este se caracteriza por não ser reempregrável, a não ser com perda de valor. A busca por relações mais equilibradas ao longo dessa cadeia é imprescindível para a competitividade, em virtude da forte dependência entre os segmentos.


 

O grau de dependência intersegmentos é determinado pela especificidade geográfica, locacional e temporal da matéria-prima. A impossibilidade de transportar a matéria-prima a grandes distâncias, em virtude da alta perecibilidade e da grande presença de água, implica elevados custos de transporte, o que exige que o segmento de processamento esteja geograficamente próximo da fonte de matéria-prima.

Portanto, as características da raiz de mandioca implicam que a coordenação (ou a gestão da matéria-prima) seja via contratos e parcerias, ou via verticalização da produção. Todavia, há restrições à implementação dessas alternativas. No caso dos contratos citam-se: a) a existência de poucas organizações de produtores; b) a falta de consenso quanto à forma de remunerar a matéria-prima de melhor desempenho industrial; c) o formato dos contratos, que corresponde a meras cartas de intenção de compra de produção exigidas pelos agentes repassadores de crédito rural; e d) a ausência de mecanismos para lidar com a assimetria de informações quanto aos preços.

No caso da verticalização da produção, as restrições associam-se: a) à necessidade de imobilizar capital com a aquisição de terra; b) à obrigatoriedade de implementar a prática da rotação de culturas e, conseqüentemente, atuar em atividades fora do foco; e, c) a ter que gerenciar um contingente de mão-de-obra não desprezível, com implicações diretas nos custos de produção.

Carlos Estevão Leite Cardoso - Pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, pesquisador convidado do CEPEA/ESALQ/USP e professor substituto do Centro de Ciências Agrárias da UFBA. E-mail: estevao@cnpmf.embrapa.br

   
 
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