Instabilidade
nos preços e volume inadequado de oferta
restringe a competitividade da cadeia da mandioca,
sobretudo no caso da produção de
fécula. Estudos têm demonstrado que
o coeficiente de variação simples
dos preços de mandioca recebidos pelos
produtores está sempre acima daquele observado
para os produtos concorrentes, por exemplo, milho
e trigo.
Esse comportamento dos preços tem sido
influenciado, diretamente, pela gestão
inadequada da matéria-prima. Os conflitos
entre produtores e industriais podem ser explicados
pelas principais características ou atributos
das transações: a) freqüência;
b) incerteza; e, c) especificidade dos ativos.
As transações podem ser realizadas
em diferentes níveis de freqüência,
observando-se as ocasionais e aquelas que são
recorrentes. Na cadeia da mandioca as transações
são recorrentes. Isso reduz a incerteza,
o que favorece o estabelecimento de estruturas
de governanças informais.
No tocante à incerteza nas transações
entre os segmentos das cadeias agroindustriais,
a incapacidade dos agentes preverem os acontecimentos
futuros, e, assim, ampliarem o espaço para
renegociação, aumentam as possibilidades
de perdas derivadas do comportamento oportunista
das partes.
Quanto ao atributo da especificidade dos ativos,
este se caracteriza por não ser reempregrável,
a não ser com perda de valor. A busca por
relações mais equilibradas ao longo
dessa cadeia é imprescindível para
a competitividade, em virtude da forte dependência
entre os segmentos.
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O
grau de dependência intersegmentos é
determinado pela especificidade geográfica,
locacional e temporal da matéria-prima.
A impossibilidade de transportar a matéria-prima
a grandes distâncias, em virtude da alta
perecibilidade e da grande presença de
água, implica elevados custos de transporte,
o que exige que o segmento de processamento esteja
geograficamente próximo da fonte de matéria-prima.
Portanto, as características da raiz
de mandioca implicam que a coordenação
(ou a gestão da matéria-prima) seja
via contratos e parcerias, ou via verticalização
da produção. Todavia, há
restrições à implementação
dessas alternativas. No caso dos contratos citam-se:
a) a existência de poucas organizações
de produtores; b) a falta de consenso quanto à
forma de remunerar a matéria-prima de melhor
desempenho industrial; c) o formato dos contratos,
que corresponde a meras cartas de intenção
de compra de produção exigidas pelos
agentes repassadores de crédito rural;
e d) a ausência de mecanismos para lidar
com a assimetria de informações
quanto aos preços.
No caso da verticalização da produção,
as restrições associam-se: a) à
necessidade de imobilizar capital com a aquisição
de terra; b) à obrigatoriedade de implementar
a prática da rotação de culturas
e, conseqüentemente, atuar em atividades
fora do foco; e, c) a ter que gerenciar um contingente
de mão-de-obra não desprezível,
com implicações diretas nos custos
de produção.
Carlos Estevão Leite Cardoso - Pesquisador
da Embrapa Mandioca e Fruticultura, pesquisador
convidado do CEPEA/ESALQ/USP e professor substituto
do Centro de Ciências Agrárias da
UFBA. E-mail: estevao@cnpmf.embrapa.br
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