| O
Brasil ocupa posição de destaque
na produção mundial de mandioca.
Esta planta é cultivada em todas as regiões
do País, tendo papel importante na alimentação
humana e animal. Esta raiz tuberosa, além
de gerar uma série de produtos para uso
humano, produz restos culturais e resíduos
ou subprodutos industriais da extração
da fécula ou da farinha, que podem se tornar
contaminantes ambientais, se não houver
uma destinação adequada (Souza e
Fialho, 2003).
Os restos culturais caracterizados pela parte
aérea podem ser ensilados ou fenados, resultando
em alimentos que podem ter alto valor protéico,
dependendo da quantidade de folha contida no mesmo.
A raiz (pode ser usada na forma de raspa ou ensilada)
ou seus resíduos industriais, obtidos através
do seu processamento, como massa de fecularia
(resíduo resultante da extração
da fécula); casca de mandioca (formada
pela casca e cepa); farinha de varredura (resíduo
formado por pó, fibra e farinha, imprópria
para o consumo humano) - são fontes de
alimentos ricos em energia para consumo animal
(Marques e Caldas Neto, 2002).
Por outro lado, a atividade pecuária
passa por uma fase de baixa, com preços
de insumos altos e preço da arroba não
acompanhando esta ascensão. Desta forma,
a viabilização da atividade pecuária
está voltada para a redução
de custo de produção, principalmente,
da alimentação, pois esta responde
por 45% a 70% dos custos da terminação
de bovinos.
Assim, a utilização de resíduos
industriais da mandioca para a formulação
de dietas para bovinos pode ser uma saída,
já que, os resultados obtidos por diversos
pesquisadores têm demonstrado a possibilidade
de substituição parcial ou total
de fontes energéticas tradicionais pela
mandioca e seus resíduos industriais, sem
afetar, significativamente, o desempenho dos animais.
Abrahão (2004), trabalhando com resíduo
de fecularia úmido e seco em substituição
ao milho não observou diferença
significativa para o consumo, conversão
alimentar e ganho de peso de fêmeas e machos
mestiços terminados em confinamento.

Figura 3
Prado et al. (2000), utilizando casca de mandioca
desidratada em comparação ao milho
não observaram diferença na conversão
alimentar (7,8) e no ganho em peso (0,8 kg/dia).
Em 2000, na Universidade Estadual de Maringá,
foi conduzido um trabalho, objetivando avaliar
o efeito da substituição do milho
pela mandioca raspa, farinha de varredura (Figura
1) e casca de mandioca (Figura 2) sobre o desempenho
de novilhas mestiças terminadas em confinamento
(Figura 3).
A alimentação utilizada foi baseada
em Silagem de milho, farelo de soja e como fonte
energética: milho, raspa, farinha de varredura
e casca de mandioca, conforme se observa na Tabela
1.

Para manter o mesmo nível de proteína
e energia nas diferentes dietas foi utilizada
quantidade variável de farelo de soja e
foi adicionado milho na dieta de casca de mandioca,
pois essa apresenta valor energético mais
baixo que os outros subprodutos da mandioca.
O desempenho, consumo e conversão alimentar
das novilhas mestiças, terminadas em confinamento,
estão apresentados na Tabela 2.
|
|
TABELA
2. Ganho de peso diário (kg/dia), consumo
(kg MS/dia), consumo de matéria seca em
relação a 100 kg de peso vivo (%)
e conversão alimentar da matéria
seca de novilhas mestiças terminadas em
confinamento de 56 dias.

Os animais apresentaram ganho de peso (1,6 kg/dia),
semelhante entre o milho e a mandioca e seus resíduos.
Porém, bastante elevado, possivelmente,
em função do período curto
de confinamento (56 dias) e ao baixo ganho de
peso ocorrido na fase pré-confinamento.
O consumo na dieta com milho foi superior ao
da dieta com farinha de varredura, ficando as
dietas com casca e raspa de mandioca em posição
intermediária.
A farinha de varredura influenciou negativamente
o consumo e a conversão alimentar dos animais.
Isso ocorreu, pelo uso de grande quantidade deste
alimento (43,0 %) na dieta total e pelo baixo
teor de gordura, que resulta em menor palatabilidade
e aderência à língua, dificultando
a ingestão.
Todavia, essas alterações na ingestão
dos alimentos não influenciaram o ganho
de peso dos animais, permitindo, desta forma,
a utilização da mandioca e seus
resíduos industriais em substituição
parcial ou total ao milho em dietas para animais
em terminação.

Figura 1

Figura 2
Jair de Araújo Marques, Médico
Veterinário, Doutor em Zootecnia, Pesquisador
do Programa de Produção Animal do
Iapar (Instituto Agronômico do Paraná)
- convênio IAPAR/EMATER-PR.
|
Referências
bibliográficas:
ABRAHÃO, J.J.S. Resíduos da extração
da fécula de mandioca em substituição
ao milho: desempenho animal, digestibilidade,
características da carcaça e da
carne de tourinhos e novilhas terminados em confinamento.
Maringá Pr: Universidade Estadual de Maringá,
2004. 128p. Tese (Doutorado Zootecnia) UEM. 2004.
MARQUES, J.A.; PRADO, I.N.; ZEOULA, L.M.; ALCALDE,
C.R.; NASCIMENTO, W.G. Avaliação
da mandioca e seus resíduos industriais
em substituição ao milho no desempenho
de novilhas confinadas. Revista Brasileira de
Zootecnia. n.29. v.5. p.1528-1536. 2000.
|
|
MARQUES, J.A.; CALDAS NETO, S.F. Mandioca na
alimentação animal: parte aérea
e raiz. Campo Mourão: Centro integrado
de Ensino Superior. 2002. 28p.
PRADO, I.N.; MARTINS, A.S.; ALCALDE, C.R.; ZEOULA,
L.M.; MARQUES, J.A. Desempenho de novilhas alimentadas
com ração contendo milho ou casca
de mandioca como fonte energética e farelo
de algodão ou levedura como fonte protéica.
Revista Brasileira de Zootecnia. n.29. v.1. p.278-287.
2000.
SOUZA, L.F.; FIALHO, J.F. Cultivo da mandioca
para região de cerrado. Sistema de produção,
8. Versão eletrônica, jan.2003. |