Desde
1933, quando fundou o IAA (Instituto do Açúcar
e do Álcool), o Governo Brasileiro se via
às voltas com um problema singular: a dependência
externa no abastecimento do petróleo. O
petróleo durante todo o século XX
foi o item mais pesado de nossa pauta de importações.
Em 1973, veio a primeira grande crise do petróleo,
e a necessidade de termos uma alternativa ficou
evidente. Em 1975, enfim, o Governo criou o Pró-alcool,
enxergando que haveria a necessidade de formar
massa crítica no setor para viabilizar
a utilização do álcool como
combustível.
Seguiram-se anos de desafios; crises como a
1989, quando chegou a faltar álcool; e
assistimos a venda de veículos à
álcool cair de 94%, em 1984, para 1% em
2001.
O que permitiu que as crises fossem vencidas
e que houvesse continuidade neste processo foi
o início da mistura de álcool anidro
na gasolina, e, mais recentemente, a criação
dos motores bicombustíveis.
Quando se iniciou a mistura houve uma verdadeira
campanha contrária, patrocinada por empresas
de petróleo. Vimos até mecânicos,
no papel de “bonecos de ventríloquo”,
declarando a inviabilidade, e possíveis
prejuízos aos motores.
Hoje acredito que ninguém mais tenha dúvida
da viabilidade desta mistura, do grande número
de empregos gerados, e dos grandes benefícios
que traz para o País.
Neste momento discutimos outra mistura, que
vem a combater outra grande sangria em nossa balança
comercial, e nos traz outra grande oportunidade
de gerar empregos e diminuir a dependência
externa: a mistura de fécula de mandioca
à farinha de trigo.
Novamente assistimos ao mesmo filme: campanhas
difamatórias na imprensa; compra de pareceres
jurídicos; campanha de desinformação
junto aos usuários; etc... tudo em defesa
de interesses comerciais, basicamente, dos grandes
importadores de trigo.
Tanto a mistura do álcool na gasolina,
quanto a mistura da fécula na farinha,
devem ser tratadas como o que, realmente, são:
QUESTÕES DE ESTADO.
(*) Ricardo Bandeira Villela é Presidente
da ABAM
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As grandes virtudes desta mistura
são:
-
grande geração
de empregos no campo (estima-se 150 mil novos
postos de trabalho);
-
viabilização
da pequena propriedade e assentamentos, visto
que a mandioca, talvez, seja a única
lavoura que torna a pequena propriedade competitiva;
-
inexistência de dificuldades
técnicas;
-
diminuição de
importações;
-
criação de
um horizonte de crescimento sustentável
para o setor mandioqueiro.
Os grandes desafios são:
- criar um cronograma realista de implantação;
- assegurar a participação dos
pequenos proprietários, nos moldes do
programa de compras do Ministério do
Desenvolvimento Agrário;
- definição de regras claras,
que evitem fraudes;
- esclarecimento da população.
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