Entre
os acontecimentos de destaque do Congresso Brasileiro
de Mandioca figura o Plano Nacional da Mandioca,
cujas diretrizes foram discutidas na reunião
da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da
Mandioca e Derivados, acontecida durante o evento
(dia 26 de outubro), e, posteriormente, apresentada
à apreciação da plenária
do Congresso.
As propostas que deram origem às diretrizes
são baseadas nas consultas dos agentes
da cadeia e em outros documentos já existentes
(estudos e diagnósticos). O Plano Nacional,
que deverá nascer dessa iniciativa, pretende
orientar as ações de políticas
públicas e privadas relacionadas à
cadeia da mandioca para os próximos anos.
De acordo com o Pesquisador da Embrapa, Carlos
Estevão Leite Cardoso, Representante do
Grupo Temático de Elaboração
do Plano Nacional da Mandioca, as diretrizes deverão
contemplar quatro eixos principais: Fortalecimento
organizacional e político-institucional;
Promoção da demanda; Qualificação
e diversificação da oferta; e, Apoio
às ações de transferência
de tecnologia, de pesquisa e desenvolvimento e
de capacitação dos agentes da cadeia.
O objetivo do primeiro subitem citado por Cardoso
- Fortalecimento organizacional - visa, em linhas
gerais, facilitar o processo de coordenação
da cadeia; a governança (ele cita como
exemplo o projeto Plantio Responsável de
Mandioca, fundamentado em contratos de fornecimento
entre indústria e produtor), entre outras
ações.

Silvio Farnese, Coordenador Geral da Secretaria
de Política Agrícola do Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,
que é membro da Câmara Setorial,
falou aos membros da Câmara sobre o atual
momento do setor, e dos instrumentos governamentais
de apoio ao setor.
O segundo subitem do primeiro eixo - Político-institucional
tem entre suas metas a criação de
câmaras setoriais; o estímulo à
criação de organizações,
associações, cooperativas; a criação
de um fundo de apoio ao desenvolvimento para a
cultura da mandioca; a criação de
uma frente parlamentar de apoio às políticas
de garantia de renda e ciência e tecnologia
voltadas à cadeia.
O eixo voltado à Promoção
da demanda visa a busca de alternativas que proporcionem
o aumento da demanda de derivados da mandioca,
considerando-se que o consumo está baixo
para alguns produtos. “Isso contempla ações
de inclusão de derivados da mandioca em
programas governamentais como a merenda escolar;
substituição de parte da farinha
de trigo usada em produtos panificáveis
por fécula de mandioca; estímulo
à difusão e ao uso de outros produtos
tais como a parte aérea e resíduos
(co-produtos) na alimentação animal
e humana”, observa Cardoso.
|
|
Diretrizes do Plano Nacional da Mandioca foram
apresentadas na reunião da Câmara
Setorial
da Cadeia Produtiva da Mandioca e Derivados,
acontecida no Congresso Brasileiro
O terceiro prisma apontado pelas diretrizes -
Qualificação e diversificação
da oferta - pretende, conforme Cardoso, estimular
investimentos em pesquisas de novos produtos derivados
da mandioca, especialmente em alternativas que
permitam diferenciá-los (amidos especiais);
promover a atualização do sistema
de padronização e classificação
dos derivados da mandioca; estimular a criação
de mecanismos de certificação formal,
ou mesmo auto-certificação da qualidade;
da identidade (geográfica e artesanal);
e do processo de produção (certificação
social produção oriunda de produtores
familiares); e, busca de selo de qualidade, o
que é valorizado por consumidores estrangeiros,
sobretudo os europeus.
O quarto, e último, eixo - Apoio às
ações de transferência de
tecnologia, de pesquisa e desenvolvimento e a
capacitação dos agentes da cadeia
- tem entre suas atribuições, citadas
por Cardoso, estimular a realização
de pesquisas que ofereçam novas alternativas
de manejo da cultura e de novas variedades; incentivar
pesquisas que resgatem variedades crioulas ou
tradicionais, de valor cultural e de grande importância
para a segurança alimentar; incentivar
a realização do zoneamento agroindustrial;
estimular a contratação e a formação
de recursos humanos voltados à transferência,
a pesquisa e ao desenvolvimento de tecnologias
de interesse da cadeia da mandioca.
ENVIO DE SUGESTÕES
A Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da
Mandioca e Derivados ainda está colhendo
sugestões para compor o Plano Nacional
da Mandioca. Podem participar produtores, consumidores,
trabalhadores, entidades empresariais, organizações
não-governamentais e técnicos que
se dedicam à pesquisa, ao desenvolvimento
e à transferência de tecnologias
de interesse dessa cadeia.
As sugestões podem ser enviadas
para:
Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical
Caixa Postal 007 - Cruz das Almas/ BA -
CEP 44380-000
E-mail: plano.mandioca@cnpmf.embrapa.br
Fax 75 3621-8096
No site da ABAM é possível ter
acesso ao conteúdo das diretrizes apresentadas
no Congresso Brasileiro (de Campo Grande), e enviar
novas sugestões para compor o documento.
O documento encontra-se divulgado,
também, nos sites:
www.cepea.esalq.usp.br/indicador/mandioca/
www.cnpmf.embrapa.br
www.mandioca.agr.br |