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Não sei de quando data, mas sei que
faz muito tempo que a inventaram; e, se faz
muito tempo, é do “tempo da vovó”.
Aliás, de minha bisavó, que morreu
em 1947, aos 108 anos. Ela já fazia brevidades
para seus filhos e netos, conforme costumava
contar. Já a vovó, sua filha,
fazia pra nós. Iaiá, minha bisavó,
sempre contava que na Casa de Cima (sua fazenda)
havia o costume de fazer cestos de brevidades.
Quem me falou de brevidades aqui em Mato Grosso
do Sul foi uma grande amiga, filha de ex-governador
e primeira-dama por três vezes (uma quando
seu marido foi prefeito de Campo Grande e outras
duas quando ele governou o Estado). Nelly Martins
era seu nome. Mulher fina, escritora, artista
plástica.
Ela falava com carinho das lembranças
de sua infância, ao lado de irmãs
e primos, nos fins de semana na casa dos avós,
onde eram feitos bolos, compotas, biscoitos
e brevidades. Um dia ensinou-me a fazer esta
delícia que eu defino como um bolinho
que parece biscoito ou um biscoito que parece
bolinho.
Experimente e me conte depois.
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(*) Iracema
Sampaio
é jornalista
e escritora |