(*)
Methodio Groxko
Dentro de uma análise retrospectiva, observa-se
que a safra 2004/2005 foi marcada por uma série
de dificuldades ligadas à comercialização
da raiz, farinha, fécula, e demais produtos
derivados.
Esta situação resultou de um comportamento
climático que privilegiou os principais
Estados produtores do Nordeste. Como aqueles Estados
são responsáveis por 50% da produção
nacional, a safra, considerada satisfatória,
atendeu plenamente a demanda regional, e ainda
ocupou boa parte do mercado de outras praças,
anteriormente abastecidas com o produto paranaense.
Assim, passou todo o período de comercialização
da última safra, e poucos foram os empresários
que conseguiram colocar seus produtos, principalmente
a farinha, nos mercados do Nordeste. A fécula
também encontrou obstáculos de mercado
e ainda enfrentou um forte concorrente: o amido
de milho, cujos preços também estavam
aviltados.
Evidentemente que a forte crise desencadeou
várias reuniões dentro do setor.
As câmaras técnicas, Estaduais e
Nacionais, foram envolvidas, e seus representantes
foram, diversas vezes, aos Ministérios,
em Brasília, para tratar dos pleitos.
Após uma série de reivindicações
encaminhadas às esferas federais, no segundo
semestre, foi aprovado e liberado recurso para
o PROP. Este instrumento não surtiu efeito,
porque, inicialmente, foi anunciado um prêmio
de R$ 40,00/t de raiz, e, quando entrou em vigor,
este valor foi reduzido para apenas R$ 15,00/t.
Como os preços não estavam remunerando
os custos de produção muitos produtores
decidiram deixar suas lavouras para colher com
dois ciclos, na tentativa de alcançar melhor
remuneração durante a próxima
safra. Segundo a avaliação de campo
realizada por técnicos do Deral, cerca
de 30% da área são remanescentes
do ano passado.
SAFRA 2005/2006 - Embora seja estranho, mesmo
com toda a crise que o setor enfrentou no ano
passado, a área na atual safra cresceu
22%, passando de 166 mil hectares para 204 mil
hectares. Esta diferença justifica-se,
em boa parte, às áreas remanescentes.
Neste início de safra, os preços
continuam em baixa e a tendência para o
primeiro semestre de 2006 não permite visualizar
um período de melhoria, o que já
começa a preocupar todos os segmentos da
comercialização.
No dia de 10 de janeiro de 2006 as entidades
ligadas ao setor reuniram-se com técnicos
da Conab/DF, em Paranavaí/PR, para realizar
o cálculo do custo de produção
da raiz, da farinha e da fécula.
O custo variável, calculado pelos técnicos
nessa reunião situou-se na faixa de R$
90,00/t de raiz, enquanto que o preço mínimo
vigente é de apenas R$ 54,00/t.
Com essa defasagem fica impraticável
o setor se beneficiar de AGF, ou mesmo de EGF,
uma vez que os preços da farinha e da fécula
também estão muito distantes dos
custos de produção. |
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