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Editorial
Entrevista - Eduardo Parquini "Crise é uma das mais graves do setor"
Técnicos do Governo avaliam preços
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Análise Conjuntural da cadeia da mandioca
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Análise das forças competitivas na indústria de fécula de mandioca
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ANO IV - Nº13 - Janeiro - Março/2006


Análise Conjuntural da cadeia da mandioca

(*) Methodio Groxko

Dentro de uma análise retrospectiva, observa-se que a safra 2004/2005 foi marcada por uma série de dificuldades ligadas à comercialização da raiz, farinha, fécula, e demais produtos derivados.

Esta situação resultou de um comportamento climático que privilegiou os principais Estados produtores do Nordeste. Como aqueles Estados são responsáveis por 50% da produção nacional, a safra, considerada satisfatória, atendeu plenamente a demanda regional, e ainda ocupou boa parte do mercado de outras praças, anteriormente abastecidas com o produto paranaense.

Assim, passou todo o período de comercialização da última safra, e poucos foram os empresários que conseguiram colocar seus produtos, principalmente a farinha, nos mercados do Nordeste. A fécula também encontrou obstáculos de mercado e ainda enfrentou um forte concorrente: o amido de milho, cujos preços também estavam aviltados.

Evidentemente que a forte crise desencadeou várias reuniões dentro do setor. As câmaras técnicas, Estaduais e Nacionais, foram envolvidas, e seus representantes foram, diversas vezes, aos Ministérios, em Brasília, para tratar dos pleitos.

Após uma série de reivindicações encaminhadas às esferas federais, no segundo semestre, foi aprovado e liberado recurso para o PROP. Este instrumento não surtiu efeito, porque, inicialmente, foi anunciado um prêmio de R$ 40,00/t de raiz, e, quando entrou em vigor, este valor foi reduzido para apenas R$ 15,00/t.

Como os preços não estavam remunerando os custos de produção muitos produtores decidiram deixar suas lavouras para colher com dois ciclos, na tentativa de alcançar melhor remuneração durante a próxima safra. Segundo a avaliação de campo realizada por técnicos do Deral, cerca de 30% da área são remanescentes do ano passado.

SAFRA 2005/2006 - Embora seja estranho, mesmo com toda a crise que o setor enfrentou no ano passado, a área na atual safra cresceu 22%, passando de 166 mil hectares para 204 mil hectares. Esta diferença justifica-se, em boa parte, às áreas remanescentes.

Neste início de safra, os preços continuam em baixa e a tendência para o primeiro semestre de 2006 não permite visualizar um período de melhoria, o que já começa a preocupar todos os segmentos da comercialização.

No dia de 10 de janeiro de 2006 as entidades ligadas ao setor reuniram-se com técnicos da Conab/DF, em Paranavaí/PR, para realizar o cálculo do custo de produção da raiz, da farinha e da fécula.

O custo variável, calculado pelos técnicos nessa reunião situou-se na faixa de R$ 90,00/t de raiz, enquanto que o preço mínimo vigente é de apenas R$ 54,00/t.

Com essa defasagem fica impraticável o setor se beneficiar de AGF, ou mesmo de EGF, uma vez que os preços da farinha e da fécula também estão muito distantes dos custos de produção.

 

 

MEDIDAS NECESSÁRIAS
Portanto, considerando-se a atual conjuntura, e aliando-se a grande oferta de matéria-prima, é necessário que sejam tomadas algumas medidas como:

• Reajustar, imediatamente, os preços mínimos de garantia aos patamares equivalentes aos custos de produção;

• manter os leilões de Prêmio para Escoamento do Produto PEP;

• incluir os produtos da mandioca nos Programas do Governo.

 

(*) Methodio Groxko é Técnico do Deral/Seab (Departamento de Economia Rural da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná)

   
 
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