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ANO IV - Nº13 - Janeiro - Março/2006


Análise das forças competitivas na indústria de fécula de mandioca

(*) Marina Ariente

Acultura da mandioca tem importante papel no Brasil, tanto como fonte de energia na alimentação humana e animal, quanto como geradora de empregos e de renda. Por sua vez, o amido da mandioca (fécula, polvilho doce ou goma), carboidrato extraído da raiz da mandioca, de aspecto branco, inodoro e sem sabor, é utilizado na geração de diversos produtos de várias áreas industriais. Com os avanços tecnológicos aparecem novas possibilidades de exploração deste produto.

Como a cadeia da fécula não tem participado, em posição de destaque, nos mercados brasileiro e internacional, é interessante analisar as cinco forças competitivas, segundo Michael Porter (1991). O estudo consiste em um conjunto de procedimentos voltados à avaliação das forças que atuam em uma indústria; como essas forças evoluem, à medida que o mercado se modifica; e, como reagem os competidores, compradores e fornecedores. A pressão das cinco forças, que variam de indústria para indústria, é que vai determinar a competição e a rentabilidade de um negócio.

Análise das forças competitivas:

1. Entrada de novos concorrentes: as indústrias de amido de milho são fortes competidoras das indústrias de fécula de mandioca.
2. Ameaça de substitutos: o amido de milho, como substituto, diminui o consumo da fécula, causando queda nas vendas e menor lucratividade para as indústrias.

3. Poder de negociação dos compradores: Sadia, Perdigão, Seara, entre outros, são consideráveis clientes das indústrias de fécula de mandioca. Em relação aos pequenos compradores, elas contam com vantagens. Com alto poder aquisitivo, essas empresas realizam suas compras em grandes quantidades e adquirem o produto desejado por um valor abaixo dos demais clientes.

4. Poder de negociação dos fornecedores: o mercado das indústrias de amido de milho apresenta-se bastante concentrado, sendo composto, basicamente, por três grandes empresas: Corn Products do Brasil, Cargill Agrícola S.A e National Starch Chemical. O mercado das indústrias de fécula de mandioca também conta com importantes fabricantes, como, por exemplo: Avebe do Brasil Ltda, Halotek Fadel Industrial Ltda, Cargill Agrícola S.A, entre outros.

 

Observa-se, portanto, que os produtos competem em mercados com estruturas diferentes, isto é, enquanto no mercado de amido de milho as empresas implementam estratégias competitivas que se assemelham a uma estrutura de mercado do tipo oligopólio concentrado, o mercado da fécula de mandioca aproxima-se de uma estrutura mais concorrencial.

5. Rivalidade entre concorrentes: ocorre porquê competidores sentem sua rentabilidade pressionada para baixo, ou percebem a oportunidade de melhorar sua posição no mercado. A rivalidade assume a forma de disputa de posição, utilizando táticas como concorrência de preços, lançamento de novos produtos, entre outros.

Uma das vantagens é o potencial tanto para aumento da produtividade quanto para aplicação na indústria alimentar. Salienta-se, dessa forma, uma rivalidade entre as indústrias concorrentes de amido de milho com as de fécula da mandioca.

Fécula de mandioca - A análise das forças competitivas revela que a fécula da mandioca tem rentabilidade pressionada pela entrada de novos concorrentes, rivalidade entre competidores, ameaça dos substitutos e um grupo poderoso de fornecedores.

Não obstante, a diferenciação da fécula, considerada uma barreira à entrada de novas empresas, facilita para que as indústrias do setor da mandioca não fiquem em desvantagem em relação às indústrias dos amidos substitutos.

A rivalidade entre competidores é verificada, já que a produtividade de um produto pode apresentar queda, ocasionando poucos lucros. Os fornecedores, por sua vez, conseguem deter o mercado nacional e comandar boas negociações.

O modelo de Porter, portanto, é adequado para analisar o padrão competitivo das indústrias de fécula de mandioca em várias etapas e, também, para a discussão de novas ações estratégicas nas empresas. Sugere-se que esse modelo, embora apresente limitações, pode ser aplicado em outros setores agroindustriais.


(*) Mariana Ariente é Jornalista e
Mestranda em Administração pela
Unimep (Universidade
Metodista de Piracicaba)

   
 
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