(*)
Marina Ariente
Acultura da mandioca tem importante papel no
Brasil, tanto como fonte de energia na alimentação
humana e animal, quanto como geradora de empregos
e de renda. Por sua vez, o amido da mandioca (fécula,
polvilho doce ou goma), carboidrato extraído
da raiz da mandioca, de aspecto branco, inodoro
e sem sabor, é utilizado na geração
de diversos produtos de várias áreas
industriais. Com os avanços tecnológicos
aparecem novas possibilidades de exploração
deste produto.
Como a cadeia da fécula não tem
participado, em posição de destaque,
nos mercados brasileiro e internacional, é
interessante analisar as cinco forças competitivas,
segundo Michael Porter (1991). O estudo consiste
em um conjunto de procedimentos voltados à
avaliação das forças que
atuam em uma indústria; como essas forças
evoluem, à medida que o mercado se modifica;
e, como reagem os competidores, compradores e
fornecedores. A pressão das cinco forças,
que variam de indústria para indústria,
é que vai determinar a competição
e a rentabilidade de um negócio.
Análise das forças competitivas:
1. Entrada de novos concorrentes: as indústrias
de amido de milho são fortes competidoras
das indústrias de fécula de mandioca.
2. Ameaça de substitutos: o amido de milho,
como substituto, diminui o consumo da fécula,
causando queda nas vendas e menor lucratividade
para as indústrias.
3. Poder de negociação dos compradores:
Sadia, Perdigão, Seara, entre outros, são
consideráveis clientes das indústrias
de fécula de mandioca. Em relação
aos pequenos compradores, elas contam com vantagens.
Com alto poder aquisitivo, essas empresas realizam
suas compras em grandes quantidades e adquirem
o produto desejado por um valor abaixo dos demais
clientes.
4. Poder de negociação dos fornecedores:
o mercado das indústrias de amido de milho
apresenta-se bastante concentrado, sendo composto,
basicamente, por três grandes empresas:
Corn Products do Brasil, Cargill Agrícola
S.A e National Starch Chemical. O mercado das
indústrias de fécula de mandioca
também conta com importantes fabricantes,
como, por exemplo: Avebe do Brasil Ltda, Halotek
Fadel Industrial Ltda, Cargill Agrícola
S.A, entre outros.
|
|
Observa-se,
portanto, que os produtos competem em mercados
com estruturas diferentes, isto é, enquanto
no mercado de amido de milho as empresas implementam
estratégias competitivas que se assemelham
a uma estrutura de mercado do tipo oligopólio
concentrado, o mercado da fécula de mandioca
aproxima-se de uma estrutura mais concorrencial.
5. Rivalidade entre concorrentes: ocorre porquê
competidores sentem sua rentabilidade pressionada
para baixo, ou percebem a oportunidade de melhorar
sua posição no mercado. A rivalidade
assume a forma de disputa de posição,
utilizando táticas como concorrência
de preços, lançamento de novos produtos,
entre outros.
Uma das vantagens é o potencial tanto
para aumento da produtividade quanto para aplicação
na indústria alimentar. Salienta-se, dessa
forma, uma rivalidade entre as indústrias
concorrentes de amido de milho com as de fécula
da mandioca.
Fécula de mandioca - A análise
das forças competitivas revela que a fécula
da mandioca tem rentabilidade pressionada pela
entrada de novos concorrentes, rivalidade entre
competidores, ameaça dos substitutos e
um grupo poderoso de fornecedores.
Não obstante, a diferenciação
da fécula, considerada uma barreira à
entrada de novas empresas, facilita para que as
indústrias do setor da mandioca não
fiquem em desvantagem em relação
às indústrias dos amidos substitutos.
A rivalidade entre competidores é verificada,
já que a produtividade de um produto pode
apresentar queda, ocasionando poucos lucros. Os
fornecedores, por sua vez, conseguem deter o mercado
nacional e comandar boas negociações.
O modelo de Porter, portanto, é adequado
para analisar o padrão competitivo das
indústrias de fécula de mandioca
em várias etapas e, também, para
a discussão de novas ações
estratégicas nas empresas. Sugere-se que
esse modelo, embora apresente limitações,
pode ser aplicado em outros setores agroindustriais.
(*) Mariana Ariente é Jornalista e
Mestranda em Administração pela
Unimep (Universidade
Metodista de Piracicaba)
|