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ANO IV - Nº13 - Janeiro - Março/2006


A indústria de mandioca na Ásia

Amandioca é cultivada atualmente em mais de 180 países no Mundo, segundo dados da Food and Agriculture Organization (FAO). Em muitos países, principalmente no Continente Africano, e nos principais países produtores da América latina, a tuberosa é utilizada, principalmente, na alimentação humana, na forma in natura e/ou como farinha.

O recente e expressivo desenvolvimento da cultura fez alguns autores pensarem sobre seus desafios futuros, principalmente na Ásia, onde a mandioca vem ganhando notoriedade como importante matéria-prima agroindustrial. O Continente Asiático onde está se tornando competitivo, favorecendo o comércio de seus países, que são os principais exportadores dos subprodutos da mandioca, em especial da fécula.


Fábio Isaías Felipe
é pesquisador do
CEPEA/ESALQ/USP

Kitchakarn (2003) afirma que o crescimento da mandiocultura na Ásia poderá ter um grande desafio para os próximos anos. A cadeia produtiva asiática terá que buscar soluções para eliminar possíveis gargalos da produção. Em países como Indonésia, Vietnã, Filipinas e até mesmo a China, será de extrema importância a busca por melhores variedades, sistemas mais eficientes de colheita, assim como de extração de amido.

Diante desse novo contexto, é interessante o entendimento do ambiente organizacional, institucional, tecnológico e competitivo da cadeia agroindustrial da mandioca nos países asiáticos. Esta análise tem como objetivo tecer considerações sobre a evolução da produção agrícola e industrial, e a comercialização dos produtos derivados da mandioca, em alguns países produtores da Ásia.

Segundo Howeler (2003) a cultura da mandioca passou a ganhar importância na Ásia após a Segunda Guerra Mundial, tornando-se importante matéria-prima agroindustrial. Primeiramente a raiz se desenvolveu na Tailândia, com a produção de fécula, visando atender ao consumo interno.

Num período posterior, outros produtos derivados passaram a ser fabricados, com destaque para os chips e pellets de mandioca, que passaram a ser exportados para a Europa para utilização na alimentação animal, tendo expressivo crescimento no volume exportado nas décadas de 1970 e 1980, devido ao apoio da Europa através da redução das taxas de importação.

Na Ásia, de modo geral, o cultivo da mandioca é realizado por pequenos produtores, com áreas entre 0,5 hectare e 5,0 hectares, e concorre com outras culturas. Em termos de competitividade, esta difere entre os países, principalmente, em função do custo de produção. Segundo Howeler (2003), os produtores mais tecnificados da Tailândia, o principal país exportador de fécula no Mundo, apresentam maior custo agrícola por hectare que os produtores da Indonésia e Filipinas, mas são mais competitivos que os do Vietnã, da Índia e da China. Há certa variação nos custos, devido às características de cultivo; do custo dos insumos (fertilizantes e defensivos); da mecanização; e, da produtividade agrícola.

Especificamente em termos de produtividade agrícola, alguns dados parecem interessantes. A Índia é o país com maior produtividade: de 28 t/ha. Neste país a cultura tem menor importância econômica, sendo bastante utilizada para alimentação in natura. Em seguida está a Tailândia, com produtividade média de 20 t/ha, mas sofreu decréscimo na produção de 2005, devido a problemas climáticos. Nos demais países, como China, Indonésia e Vietnã, a produtividade é semelhante, estando próxima de 15 t/ha.

 

 

 

INDÚSTRIA - Na Tailândia se encontram as maiores plantas industriais para a produção de fécula, setor que vem ganhando notoriedade no Vietnã, com crescimento e modernização expressiva para a fabricação de produtos com maior valor agregado, como amidos modificados, glucose, maltose e sorbitol (Holewer, 2003).

O comércio de derivados da mandioca também é importante nos países asiáticos, seja como exportador ou importador. Em 2003, a China passou a importar chips e pellets de mandioca da Tailândia para a produção de etanol e para a alimentação animal. O volume importado chegou a ser de 1,99 milhões de toneladas naquele ano.

Segundo Howeler (2003), a China deu início à utilização de mandioca para a produção de etanol. O governo daquele país passou a estimular a produção do “gasohol” (mistura de 10% a 20% de etanol misturado à gasolina). Diante disso, há grande interesse da China em elevar a produção de mandioca, bem como as importações de chips e pellets.

O grande interesse de países como a Tailândia e a China são por fontes energéticas renováveis e não por aquelas consideradas mais poluentes. Algumas indústrias chinesas, com tecnologia brasileira, já estão em teste, e de acordo com Piyachomkwan et al.(2002), a cultura da mandioca se mostra competitiva naquele país.

Nos países asiáticos se projeta forte incremento na utilização da mandioca para plásticos biodegradáveis, novas utilizações nos setores têxtil, alimentício, indústria de plásticos, entre outras.
Em suma, o que se observa é que a cadeia produtiva da mandioca tem se desenvolvido rapidamente nos países asiáticos. Este desenvolvimento parece estar ancorado em variedades produtivas, em unidades industriais competitivas, assim como na diversidade de produtos.

Ao mesmo tempo, há constantes buscas de maiores produtividades agrícola e industrial, melhoria no sistema de colheita e comercialização da mandioca e subprodutos.

Estes tópicos e a relação com o que pode ser aproveitado pelo Brasil, e até mesmo qual a nossa competitividade frente a estes países, serão pautas de novos trabalhos.

Artigo produzido com a participação do Pesquisador Lucilio Rogerio Aparecido Alves

Referências bibliográficas
HOWELER, R. Cassava in Ásia: Present Situation and its Future Potential in Agro-Industry. CIAT Cassava Office for Ásia, Departamente of Agriculture, Bangkok. Thailand, 2003.
FAO - Food and Agriculture Organization of The United Nations. Roma (Italy),2006. Statitical Databases - FAOSTAT) - <http://faostat.fao.org> consultado em 05/03/2006.
KITCHAKARN, Y. The Future of the Thai Tapioca Industry: Shifting export opportunities from the EU to China. Rabobank International, Hong Kong. China, 2003.
PIYACHOMKWAN, K. et al. Ethanol production from cassava chips in Thailand. Bangkok, Thailand, 2002.
TUALANANDA, A. Asia`s Future Role in World Agricultural Trade: The Perspective from Thailand. 2000, International Food and Agricultural Trade Policy Council, Washington, DC, United States of América, 2000.

   
 
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