Kitchakarn
(2003) afirma que o crescimento da mandiocultura
na Ásia poderá ter um grande desafio
para os próximos anos. A cadeia produtiva
asiática terá que buscar soluções
para eliminar possíveis gargalos da produção.
Em países como Indonésia, Vietnã,
Filipinas e até mesmo a China, será
de extrema importância a busca por melhores
variedades, sistemas mais eficientes de colheita,
assim como de extração de amido.
Diante desse novo contexto, é interessante
o entendimento do ambiente organizacional, institucional,
tecnológico e competitivo da cadeia agroindustrial
da mandioca nos países asiáticos.
Esta análise tem como objetivo tecer considerações
sobre a evolução da produção
agrícola e industrial, e a comercialização
dos produtos derivados da mandioca, em alguns
países produtores da Ásia.
Segundo Howeler (2003) a cultura da mandioca
passou a ganhar importância na Ásia
após a Segunda Guerra Mundial, tornando-se
importante matéria-prima agroindustrial.
Primeiramente a raiz se desenvolveu na Tailândia,
com a produção de fécula,
visando atender ao consumo interno.
Num período posterior, outros produtos
derivados passaram a ser fabricados, com destaque
para os chips e pellets de mandioca, que passaram
a ser exportados para a Europa para utilização
na alimentação animal, tendo expressivo
crescimento no volume exportado nas décadas
de 1970 e 1980, devido ao apoio da Europa através
da redução das taxas de importação.
Na Ásia, de modo geral, o cultivo da mandioca
é realizado por pequenos produtores, com
áreas entre 0,5 hectare e 5,0 hectares,
e concorre com outras culturas. Em termos de competitividade,
esta difere entre os países, principalmente,
em função do custo de produção.
Segundo Howeler (2003), os produtores mais tecnificados
da Tailândia, o principal país exportador
de fécula no Mundo, apresentam maior custo
agrícola por hectare que os produtores
da Indonésia e Filipinas, mas são
mais competitivos que os do Vietnã, da
Índia e da China. Há certa variação
nos custos, devido às características
de cultivo; do custo dos insumos (fertilizantes
e defensivos); da mecanização; e,
da produtividade agrícola.
Especificamente em termos de produtividade agrícola,
alguns dados parecem interessantes. A Índia
é o país com maior produtividade:
de 28 t/ha. Neste país a cultura tem menor
importância econômica, sendo bastante
utilizada para alimentação in natura.
Em seguida está a Tailândia, com
produtividade média de 20 t/ha, mas sofreu
decréscimo na produção de
2005, devido a problemas climáticos. Nos
demais países, como China, Indonésia
e Vietnã, a produtividade é semelhante,
estando próxima de 15 t/ha.
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INDÚSTRIA
- Na Tailândia se encontram as maiores plantas
industriais para a produção de fécula,
setor que vem ganhando notoriedade no Vietnã,
com crescimento e modernização expressiva
para a fabricação de produtos com
maior valor agregado, como amidos modificados,
glucose, maltose e sorbitol (Holewer, 2003).
O comércio de derivados da mandioca também
é importante nos países asiáticos,
seja como exportador ou importador. Em 2003, a
China passou a importar chips e pellets de mandioca
da Tailândia para a produção
de etanol e para a alimentação animal.
O volume importado chegou a ser de 1,99 milhões
de toneladas naquele ano.
Segundo Howeler (2003), a China deu início
à utilização de mandioca
para a produção de etanol. O governo
daquele país passou a estimular a produção
do “gasohol” (mistura de 10% a 20%
de etanol misturado à gasolina). Diante
disso, há grande interesse da China em
elevar a produção de mandioca, bem
como as importações de chips e pellets.
O grande interesse de países como a Tailândia
e a China são por fontes energéticas
renováveis e não por aquelas consideradas
mais poluentes. Algumas indústrias chinesas,
com tecnologia brasileira, já estão
em teste, e de acordo com Piyachomkwan et al.(2002),
a cultura da mandioca se mostra competitiva naquele
país.
Nos países asiáticos se projeta
forte incremento na utilização da
mandioca para plásticos biodegradáveis,
novas utilizações nos setores têxtil,
alimentício, indústria de plásticos,
entre outras.
Em suma, o que se observa é que a cadeia
produtiva da mandioca tem se desenvolvido rapidamente
nos países asiáticos. Este desenvolvimento
parece estar ancorado em variedades produtivas,
em unidades industriais competitivas, assim como
na diversidade de produtos.
Ao mesmo tempo, há constantes buscas
de maiores produtividades agrícola e industrial,
melhoria no sistema de colheita e comercialização
da mandioca e subprodutos.
Estes tópicos e a relação
com o que pode ser aproveitado pelo Brasil, e
até mesmo qual a nossa competitividade
frente a estes países, serão pautas
de novos trabalhos.
Artigo produzido com a participação
do Pesquisador Lucilio Rogerio Aparecido Alves
Referências bibliográficas
HOWELER, R. Cassava in Ásia: Present Situation
and its Future Potential in Agro-Industry. CIAT
Cassava Office for Ásia, Departamente of
Agriculture, Bangkok. Thailand, 2003.
FAO - Food and Agriculture Organization of The
United Nations. Roma (Italy),2006. Statitical
Databases - FAOSTAT) - <http://faostat.fao.org>
consultado em 05/03/2006.
KITCHAKARN, Y. The Future of the Thai Tapioca
Industry: Shifting export opportunities from the
EU to China. Rabobank International, Hong Kong.
China, 2003.
PIYACHOMKWAN, K. et al. Ethanol production from
cassava chips in Thailand. Bangkok, Thailand,
2002.
TUALANANDA, A. Asia`s Future Role in World Agricultural
Trade: The Perspective from Thailand. 2000, International
Food and Agricultural Trade Policy Council, Washington,
DC, United States of América, 2000.
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