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Análise das forças competitivas na indústria de fécula de mandioca
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ANO IV - Nº13 - Janeiro - Março/2006


Produtividade e tecnologia das lavouras de mandioca

Acompetitividade da cadeia produtiva da mandioca passa, necessariamente, pela melhoria da produtividade do setor agrícola, acompanhada da redução dos custos de produção. A responsabilidade desta elevação de produtividade depende não somente dos agricultores, mas de toda a cadeia produtiva.

A comparação que uma cadeia produtiva assemelha-se a uma corrente é muito sugestiva, onde os elos devem possuir a mesma força. De nada adianta o “elo” industrial muito fortalecido se o agrícola for muito fraco. Onde a corrente irá arrebentar?

Uma das formas de aumentar a força do “elo” agrícola é a melhoria da produtividade das lavouras de mandioca. Porém, a produtividade a qualquer custo também não leva a lugar nenhum, se não for acompanhada da redução de custos por tonelada de raiz produzida.

(*) Mário Takahashi


Mário Takahashi
é engenheiro agrônomo,
pesquisador do Instituto
Agronômico do Paraná.

As lavouras de mandioca, mesmo nas regiões mais tecnificadas, ainda utilizam poucos insumos como, por exemplo, fertilizantes e agroquímicos. Com isso, surge a seguinte questão: será que a produtividade aumentará com o uso crescente destes insumos, evidentemente manejados de forma racional?

Não existem no Brasil estatísticas sobre o uso destes insumos nas lavouras de mandioca. Fato é que a produtividade no Brasil tem evoluído, segundo informações do IBGE e da CONAB, relativas ao período de 1997 a 2005.No período considerado, a produtividade de mandioca evoluiu positivamente em 8,7%, valor este considerável se compararmos com o milho, que apresentou elevação de 12%; e o soja, que apresentou decréscimo de 4%.

Vários fatores contribuem para alterar as médias de produtividade como o clima e a tecnologia empregada. Com relação a estes fatores, se o milho e o soja empregam mais tecnologia, a mandioca é mais estável com relação às adversidades climáticas. Dependendo do estágio de crescimento da mandioca, 30 dias de estiagem não são tão prejudiciais.A evolução da produtividade não depende somente da tecnologia, mas esta assume particular importância quando se consideram os investimentos realizados em pesquisa agropecuária para estas três culturas consideradas. Embora estes números não possam ser facilmente avaliados, podemos utilizar como exemplo o número de princípios ativos registrados no Ministério da Agricultura para as três culturas: soja 130; milho 104; e, mandioca - 8.Um dos maiores empecilhos para que grandes empresas não realizem pesquisas com novos produtos voltadas para a cultura da mandioca é, posteriormente, lucrar com esse investimento.

Citemos o caso da rama ou maniva, que é a “semente” de uma nova variedade de mandioca. Após longos anos de desenvolvimento para que se obtenha uma nova variedade, no máximo, será possível vender esta semente por duas ou três gerações. Posteriormente, a disseminação desta ocorrerá de um vizinho para outro, não sendo possível controlar a comercialização.

 

 



Evolução das produtividades das culturas do milho, da soja e da mandioca durante 1997 a 2005. Fonte:CONAB e IBGE (2006).


 

Se tal aspecto dificulta a entrada de grandes empresas produtoras de sementes, também é verdade que facilita o acesso dos agricultores à nova variedade, ou seja, democratiza-se a tecnologia. Outro exemplo é o Baculovirus, usado para controle da lagarta mandarová. É uma tecnologia de baixo custo, fácil acesso, e não necessita de muita qualificação para seu uso, além de não proporcionar riscos ao ambiente. Por isso ela se disseminou nos locais onde a lagarta é problemática.

   
 
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