Antonio
Donizetti Fadel (*)

O Brasil é o maior e, o mais eficiente,
produtor de álcool de cana-de-açúcar
do Mundo. Sua produção em escala
teve início nos anos 70, com o programa
denominado Pró-álcool, com forte
apoio governamental.
Neste período, o Mundo passou por várias
crises de petróleo, e o setor canavieiro
também, mas conseguimos superá-las.
Hoje estamos começando a colher estes frutos,
entrando em agências de automóveis
para comprar automóveis bi-combustível.
Aparentemente, somos os únicos no Mundo
com esta tecnologia; senão, os únicos.
Além desta vantagem, ainda podemos ter
o privilégio e o orgulho de afirmar que
poluímos menos o ambiente.
Quando do início Pró-álcool,
a mandioca também foi incluída neste
programa. Porém, foram instaladas algumas
indústrias de produção de
álcool de mandioca em regiões não
tradicionais, ou em fim de ciclo do pólo
mandioqueiro, o que fez com que o empreendimento
se tornasse inviável.
Entre os exemplos estão os Municípios
de Curvelo-MG, onde jamais uma indústria
desta seria viável; Sinop-MT; e, o sertão
da Bahia, que apresenta solo semelhante a áreas
desérticas. Houve, também, instalação
de duas usinas em Santa Catarina, em áreas
que foram consideradas pólos mandioqueiros
dos anos 50, mas que, no início dos anos
80, perderam essa condição, com
a transferência de indústrias para
os Estados do Paraná e Mato Grosso do Sul.
Foi instalada outra usina, ainda, no interior
de São Paulo, a única ainda em operação.
Como podemos analisar, a mandioca naquela época,
e até hoje, ficou de fora desse processo,
apesar de ser matéria- -prima de excelência
para a produção de álcool.
A mandioca é produzida em todos os Estados
do Brasil, tem baixos custos, é uma cultura
de poucos riscos, baixos investimentos, além
de ser um produto, genuinamente, brasileiro.
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COMPARATIVOS
ENTRE A PRODUÇÃO DE ÁLCOOL
DE MANDIOCA E DA CANA-DE-AÇÚCAR
Para se construir uma usina de álcool
de cana-de-açúcar, com capacidade
de moagem anual de um milhão de toneladas
de cana, faz-se um investimento na ordem de R$
130 milhões a R$ 140 milhões, se
incluído neste valor o parque industrial
e a parte agrícola.
Esta moagem ocorre num período de seis
a sete meses por ano, com produção
estimada de 85 milhões de litros de álcool,
necessitando-se de área agrícola
de cerca de 13 mil hectares de terra, considerando-se
produtividade, média, de 77 toneladas por
hectare.
Para se construir uma usina de álcool
de mandioca com capacidade de moagem anual de
300 mil toneladas de mandioca é necessário
investimento na ordem de R$ 25 milhões,
incluindo-se neste valor o parque industrial,
de, aproximadamente, R$ 20 milhões, e mais
R$ 5 milhões no plantio de mandioca, no
sistema de parceria com contrato, plantando-se
variedades adequadas, para serem colhidas em épocas
diferentes do ano.
Hoje temos estas variedades e podemos estimar
produção na ordem de 60 milhões
de litros de álcool, pois podemos extrair
até 200 litros de álcool por tonelada
de mandioca, necessitando, para isto, área
de 10 mil a 11 mil hectares de terra, com produtividade
na ordem de 28 toneladas por hectare.
Como se pode analisar, com o valor do investimento
de uma usina para moagem de um milhão de
toneladas de cana por ano é possível
se montar cinco usinas de mandioca, beneficiando-se,
mais de 1.100 produtores de mandioca, e gerando-se
benefícios para mais de 13 mil pessoas,
durante 300 dias úteis por ano, com produção
de 300 milhões de litros de álcool.
Isto favoreceria não somente as pessoas,
mas o País, enquanto que o projeto de uma
usina de álcool de cana, como a relatada
acima, traz benefícios bem menores. A partir
dessa análise, pode-se afirmar que a mandioca
é uma cultura com grande potencial de distribuição
de renda, enquanto a cana é concentradora
de renda.
Esta análise não objetiva mostrar
contrariedade à cana-de-açúcar,
mas sim, chamar atenção da sociedade,
de grupos de investidores, autoridades para que
analisem estes dados, tanto sob o aspecto da viabilidade
econômica e social, visando se incluir a
mandioca nos próximos projetos para a produção
de álcool, como também para atender
os mercados interno e externo, pois o Mundo quer,
e precisa, do nosso álcool.
(*) Antonio Donizetti Fadel é
Sócio-proprietário da
Halotek Fadel Industrial Ltda.
e.mail: antonio.fadel@halotek.com.br
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