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ANO IV - Nº14 - Abril - Junho/2006

 

Coluna do CEPEA

Produção de fécula cresce 38%, mas receita cai 2,8%

O mercado de fécula de mandioca movimentou R$ 410 milhões em 2005, receita 28,5% menor que a de 2004 (R$ 573,3 milhões). Esse valor foi obtido mesmo com uma produção de 546,5 mil toneladas, 38% superior à de 2004 (395,4 mil toneladas). Para 2006, a produção esperada é de 573,5 mil toneladas, aumento de 5% sobre a de 2005.

Esses são os resultados obtidos por meio de um questionário realizado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) em parceria com a ABAM (Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca) junto às unidades produtoras de fécula no Brasil entre fevereiro e abril deste ano.


Fábio Isaías Felipe
é pesquisador do
CEPEA/ESALQ/USP

Os objetivos foram efetuar um levantamento sobre a produção de fécula brasileira em 2005, entender a gestão da matéria-prima, identificar os principais setores compradores de fécula e apontar perspectivas para este ano.

A maior disponibilidade de matéria-prima e os preços mais competitivos frente a amidos substitutos favoreceram o acréscimo da produção de fécula em 2005. Em média, cada indústria produziu 9.108 toneladas de fécula (contra 6.700 toneladas em 2004). Considerando o preço médio da fécula em 2005, de aproximadamente R$ 750,00/t FOB indústria, houve queda de 48,3% frente ao de 2004 (R$ 1.450,00/t).

A produção de fécula em 2005 foi a terceira maior da história, perdendo apenas para as de 2001 e 2002. O Paraná foi o estado que mais produziu, com 64,5% do total nacional, seguido pelo Mato Grosso do Sul (19,5%), São Paulo (11,9%), Santa Catarina (3,9%) e Ceará (0,2%). De modo geral, houve uma ligeira perda de market share de Paraná e Mato Grosso do Sul, em detrimento de São Paulo e Santa Catarina.

Em relação à gestão da matéria-prima, um número menor de empresas efetivou contratos com produtores em 2005. As perspectivas do setor para 2006, contudo, continuam otimistas. Do total das empresas respondentes, 10% irão aumentar sua capacidade de processamento de raiz em 62%, em média. No geral, 42% das empresas irão processar maior quantidade de raiz, outros 13% processarão uma quantidade menor e 18% estimam processar a mesma quantidade que em 2004. Outros 27% preferiram não opinar.

A expectativa de maior processamento está embasada no aumento da área de plantio de raiz de dois e um ciclos; na maior utilização da capacidade instalada das indústrias; no aumento da competitividade do setor, que deverá recuperar os mercados não atendidos em 2003 e 2004; na abertura de novos mercados; aumento da capacidade instalada; lançamentos de produtos novos; além de atendimento de contratos antecipados.

 

 

Para que essas estimativas se consolidem, a aposta é em continuidade de preços competitivos na safra e na entressafra de 2006. Segundo agentes, no período de safra de cada região, há expectativa de que o preço médio da raiz na região Centro-Sul do País fique em R$ 82,30/t e o da fécula, em R$ 620,00/t. Na entressafra, o preço médio da raiz deve ficar em R$ 100,00/t e o da fécula, em cerca de R$ 730,00/t. É preciso ressaltar que essas expectativas foram embasadas nas condições de mercado que prevaleciam até abril de 2006, período de aplicação dos questionários.

Além disso, devem ser levados em conta outros fatores: a possibilidade de alterações dos preços do grão e da farinha de trigo, com a suspensão das exportações argentinas e a possível mistura da fécula na farinha de trigo; a valorização cambial que estava ocorrendo até a primeira quinzena de maio, que diminui a competitividade da fécula no mercado externo; o aumento da safra tailandesa de fécula (2005/06) em 12%, que reduz o preço do amido de mandioca no mercado internacional; os baixos preços do milho, que favorecem a produção de amido desse cereal; o arrendamento das terras para o plantio de cana-de-açúcar nos estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Esses aspectos chamam a atenção para a necessidade de avanço tecnológico nos setores agrícola e industrial, no intuito de reduzir custos de produção e melhorar a competitividade do produto com amidos substitutos. Nos setores agrícolas, em geral, o que se observa são margens apertadas a cada ano, diante de preços decrescentes. Só continuarão na atividade aqueles que forem capazes de produzir de forma eficiente, gerando produto de qualidade e a custos menores.

Equipe Mandioca Cepea/Esalq
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