Os
objetivos foram efetuar um levantamento sobre
a produção de fécula brasileira
em 2005, entender a gestão da matéria-prima,
identificar os principais setores compradores
de fécula e apontar perspectivas para este
ano.
A maior disponibilidade de matéria-prima
e os preços mais competitivos frente a
amidos substitutos favoreceram o acréscimo
da produção de fécula em
2005. Em média, cada indústria produziu
9.108 toneladas de fécula (contra 6.700
toneladas em 2004). Considerando o preço
médio da fécula em 2005, de aproximadamente
R$ 750,00/t FOB indústria, houve queda
de 48,3% frente ao de 2004 (R$ 1.450,00/t).
A produção de fécula em
2005 foi a terceira maior da história,
perdendo apenas para as de 2001 e 2002. O Paraná
foi o estado que mais produziu, com 64,5% do total
nacional, seguido pelo Mato Grosso do Sul (19,5%),
São Paulo (11,9%), Santa Catarina (3,9%)
e Ceará (0,2%). De modo geral, houve uma
ligeira perda de market share de Paraná
e Mato Grosso do Sul, em detrimento de São
Paulo e Santa Catarina.
Em relação à gestão
da matéria-prima, um número menor
de empresas efetivou contratos com produtores
em 2005. As perspectivas do setor para 2006, contudo,
continuam otimistas. Do total das empresas respondentes,
10% irão aumentar sua capacidade de processamento
de raiz em 62%, em média. No geral, 42%
das empresas irão processar maior quantidade
de raiz, outros 13% processarão uma quantidade
menor e 18% estimam processar a mesma quantidade
que em 2004. Outros 27% preferiram não
opinar.
A expectativa de maior processamento está
embasada no aumento da área de plantio
de raiz de dois e um ciclos; na maior utilização
da capacidade instalada das indústrias;
no aumento da competitividade do setor, que deverá
recuperar os mercados não atendidos em
2003 e 2004; na abertura de novos mercados; aumento
da capacidade instalada; lançamentos de
produtos novos; além de atendimento de
contratos antecipados.
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Para
que essas estimativas se consolidem, a aposta
é em continuidade de preços competitivos
na safra e na entressafra de 2006. Segundo agentes,
no período de safra de cada região,
há expectativa de que o preço médio
da raiz na região Centro-Sul do País
fique em R$ 82,30/t e o da fécula, em R$
620,00/t. Na entressafra, o preço médio
da raiz deve ficar em R$ 100,00/t e o da fécula,
em cerca de R$ 730,00/t. É preciso ressaltar
que essas expectativas foram embasadas nas condições
de mercado que prevaleciam até abril de
2006, período de aplicação
dos questionários.
Além disso, devem ser levados em conta
outros fatores: a possibilidade de alterações
dos preços do grão e da farinha
de trigo, com a suspensão das exportações
argentinas e a possível mistura da fécula
na farinha de trigo; a valorização
cambial que estava ocorrendo até a primeira
quinzena de maio, que diminui a competitividade
da fécula no mercado externo; o aumento
da safra tailandesa de fécula (2005/06)
em 12%, que reduz o preço do amido de mandioca
no mercado internacional; os baixos preços
do milho, que favorecem a produção
de amido desse cereal; o arrendamento das terras
para o plantio de cana-de-açúcar
nos estados do Paraná, São Paulo
e Mato Grosso do Sul.
Esses aspectos chamam a atenção
para a necessidade de avanço tecnológico
nos setores agrícola e industrial, no intuito
de reduzir custos de produção e
melhorar a competitividade do produto com amidos
substitutos. Nos setores agrícolas, em
geral, o que se observa são margens apertadas
a cada ano, diante de preços decrescentes.
Só continuarão na atividade aqueles
que forem capazes de produzir de forma eficiente,
gerando produto de qualidade e a custos menores.
Equipe Mandioca Cepea/Esalq
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