Nesta Edição
Editorial
Química Fina - Mandioca pra beber
Seminário atualiza conhecimentos de produtores paulistas
Alcool de mandioca? Por quê?
Biopolímeros - Amido substitui petróleo na produção de embalagens biodegradáveis
CeTeAgro
Cepea
Mandioca e seus resíduos na alimentação de ruminantes e qualidade da carne
Manipueira é indicada para fertiirrigação
Panificadora Experimental difunde produtos com amido
Comissão Especial analisa projeto de lei
Notícias da EMBRAPA
CeTeAgro ensina como produzir amidos modificados
Workshop do Cerat teve mandioca como enfoque
Rápidas
INDEMIL
LAR
 
Outras Revistas
ANO IV - Nº14 - Abril - Junho/2006


NOTÍCIAS DA EMBRAPA

Está em curso na Câmara dos Deputados o projeto de lei 4679/01, de autoria do deputado federal Aldo Rebelo, que trata da obrigatoriedade do uso da mistura fécula/amido de mandioca na farinha de trigo, visando, entre outros objetivos, a redução de importações pelo Brasil. Intenso trabalho de validação da tecnologia, mostrando a viabilidade técnica da mistura mandioca/trigo, foi desenvolvido pela Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, da Bahia, através de nossa atuação direta. Nas reflexões abaixo resgatamos esse esforço, e procuramos saber com mais detalhes os resultados obtidos.


Joselito Motta
é engenheiro agrônomo,
pesquisador da Embrapa Mandioca
e Fruticultura, tem mestrado em Extensão Rural pela
Universidade Federal de Viçosa/MG e cursos de especialização
em uso da mandioca
Email

COMO TEVE INÍCIO A PARTICIPAÇÃO DA EMBRAPA NA VALIDAÇÃO DA TECNOLOGIA DE ADIÇÃO DA FÉCULA/AMIDO NA FARINHA DE TRIGO?
- Em outubro de 2001 aconteceu no Espaço Cultural da Câmara dos Deputados, em Brasília, o Seminário: Importância Social e Econômica da Mandioca no Brasil, promovido pelo Deputado Federal Aldo Rebelo, para servir de fundamentação ao projeto de lei de sua autoria. Presentes, estavam os mais diversos segmentos envolvidos com a cadeia produtiva da mandioca: produtores, industriais, políticos, pesquisadores, agentes de assistência técnica e representantes de vários órgãos governamentais. Entre os temas abordados no evento, foram apresentados os resultados de pesquisas com farinhas mistas para a fabricação de pães. Esta iniciativa data do começo da década de 80, pela equipe da Embrapa Agroindústria de Alimentos, tendo à frente o pesquisador El Dash, hoje vinculado ao ITAL. Os resultados obtidos à época, colocados a disposição da sociedade brasileira, acompanhados de degustação em cinco Estados, evidenciaram a aceitação dos consumidores.

DEPOIS DO EVENTO EM BRASÍLIA, COMO FICOU A QUESTÃO?
- Iniciamos o processo de validação utilizando o novo ingrediente. Encontramos receptividade na Panificadora Paraty em Cruz das Almas/BA, onde está baseada a Unidade da Embrapa, e, com o confeiteiro Tony Carvalho, há 35 anos na atividade. Foram feitos os primeiros testes com a nova formulação, e realizados pequenos ajustes nos procedimentos de rotina da panificação. Algumas farinhas de trigo comercializadas aceitaram a substituição ao nível de até 20%, para a fabricação do pão francês. Mas, como medida de segurança, definimos a substituição de 10% da farinha pela fécula/amido de mandioca. Na avaliação do produto o experiente padeiro foi taxativo: o pão ficou melhor. A partir daí iniciamos o processo de validação e divulgação, especialmente com panificadores.

 

 

QUAIS AS CARACTERÍSTICAS DO NOVO PRODUTO? MUDA ALGUMA COISA EM RELAÇÃO AO PÃOZINHO TRADICIONAL?
- O pão fica mais crocante e mais saboroso. A massa interna fica mais alva, mais consistente e uniforme, e, no dia seguinte, continua macio, pois não emborracha nem endurece. A vida útil do pãozinho, portanto, aumenta. No ano 2002, foram feitas 5.742 avaliações sensoriais, a partir de degustações realizadas após cada uma das 80 palestras realizadas em 19 Estados brasileiros. Os meios de comunicação foram grandes aliados na divulgação dos resultados. Através da Embrapa, 68 reportagens foram levadas ao ar por canais de televisão; 334 por emissoras de rádio; e mais de uma centena de matérias foram veiculadas em jornais e revistas, no Brasil e no exterior. Conclusão: houve preferência do pão com fécula, quando comparado àquele confeccionado somente com farinha de trigo.

ALGUMA SITUAÇÃO CURIOSA OU INUSITADA NESSA MARATONA?
- Duas me pareceram especiais: a identificação de pães com fécula em Cruz das Almas, sem que o panificador tivesse feito uso desta. A análise da amostra da farinha de trigo indicava a presença da fécula - a mistura era feita pelo próprio moinho de trigo. A outra situação que despertou atenção foi um teste realizado no primeiro semestre de 2002, em uma fábrica de hóstias, num mosteiro de freiras, em Salvador/BA. As placas, antes do corte, se partiam resultando em perdas de material. Os resultados utilizando a fécula foram melhores, nos níveis de 10%, 15% e 20% de substituição. O laudo emitido pela Abadessa do mosteiro indicava que as hóstias ficaram mais alvas, mais macias e mais consistentes.

   
 
© 2000-2008 .:ABAM:. Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca
Avenida Rio Grande do Norte, 1330 - CEP: 87701-020 - Fone: (44)3422-8217 / 3422-6490
Paranavaí - Paraná