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Amandioca é cultivada em todas as regiões
do Brasil, desempenhando papel relevante na alimentação
e nutrição humana e animal. Este
tubérculo, gera uma série de produtos
para uso humano, além de produzir restos
culturais e resíduos ou subprodutos industriais
da extração da fécula ou
da farinha, que podem se tornar contaminantes
ambientais, se não houver uma destinação
adequada (Souza e Fialho, 2003).
A parte aérea, caracterizada como resto
cultural, pode ser utilizada in natura, ensilada
ou fenada, resultando em alimento que pode ter
alto valor protéico, dependendo da quantidade
de folha contida no mesmo. A raiz pode ser usada
in natura, na forma de raspa ou ensilada, da mesma
forma, os seus resíduos industriais, obtidos
através do processamento da raiz de mandioca,
como massa de fecularia (resíduo resultante
da extração da fécula); casca
de mandioca (formada pela casca e cepa); farinha
de varredura (resíduo formado por pó,
fibra e farinha, imprópria para o consumo
humano) - são fontes de alimentos ricos
em energia para consumo animal (Marques e Caldas
Neto, 2002). Estas informações são
corroboradas por trabalhos de Prado et al. (2000)
e Abrahão (2004).
Nos últimos anos, as pessoas estão,
cada vez mais, se preocupando com a qualidade
de vida, e isso reflete no interesse por alimentos
saudáveis e de qualidade. Sendo a carne
vermelha muito criticada por ser prejudicial à
saúde, fato este inverídico, conforme
se observa no artigo de Marques (2006), pois a
carne vermelha é um alimento de alto valor
biológico e deve fazer parte de uma dieta
equilibrada. Estas informações foram
confirmadas no Congresso Brasileiro de Cardiologia
realizado em Porto Alegre em 2005, onde foi sugerido
um aumento na ingestão de carne vermelha
na ordem de 50% dos valores preconizados pela
Associação Americana de Saúde
(AHA).
Todavia, pode-se manipular a dieta de animais
para, através desta, se alterar o perfil
da carne que será consumida. A mandioca
e seus resíduos e subprodutos podem ser
usados com este objetivo. Marques et al. (2000),
avaliando desempenho de novilhas com dietas à
base de mandioca e seus resíduos, em substituição
ao milho, conforme Tabela 1, obtiveram bons resultados
de ganho em peso. Silva et al (2002), utilizando
o contra-filé das novilhas alimentadas
com estas dietas, obtiveram resultados adequados
e concordantes com a literatura.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
ABRAHÃO, J.J.S. Resíduos da extração
da fécula de mandioca em substituição
ao milho: desempenho animal, digestibilidade,
características da carcaça e da
carne de tourinhos e novilhas terminados em confinamento.
Maringá – Pr: Universidade Estadual
de Maringá, 2004. 128p. Tese (Doutorado
em Zootecnia) Universidade Estadual de Maringá.
2004.
MARQUES, J.A.; PRADO, I.N.; ZEOULA, L.M.; ALCALDE,
C.R.; NASCIMENTO, W.G. Avaliação
da mandioca e seus resíduos industriais
em substituição ao milho no desempenho
de novilhas confinadas. Revista Brasileira de
Zootecnia. n.29. v.5. p.1528-1536. 2000.
MARQUES, J.A.; CALDAS NETO, S.F. Mandioca na alimentação
animal: parte aérea e raiz. Campo Mourão:
Centro integrado de Ensino Superior. 2002. 28p.
MARQUES, J.A. A carne bovina e a alimentação
humana. Boi & Companhia. n.658. Scot Consultoria.
Maio/2006.
PRADO, I.N.; MARTINS, A.S.; ALCALDE, C.R.; ZEOULA,
L.M.; MARQUES, J.A. Desempenho de novilhas alimentadas
com ração contendo milho ou casca
de mandioca como fonte energética e farelo
de algodão ou levedura como fonte protéica.
Revista Brasileira de Zootecnia. n.29. v.1. p.278-287.
2000.
SILVA, R.G.; PRADO, I.N.; MATSUSHITA, M et al.
Dietary effects on muscle fatty acid composition
of finished heifers. Pesquisa Agropecuária
Brasileira. v.37. n.1. p.95-101. jan. 2002.
SOUZA, L.F.; FIALHO, J.F. Cultivo da mandioca
para região de cerrado. Sistema de produção,
8. Versão eletrônica, jan.2003. |
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Tabela
1. Composição percentual (%MS) dos
alimentos nas rações utilizadas.
Ingredientes |
Milho |
Casca |
Farinha |
Raspa |
| Silagem de Milho |
46,5 |
40,0 |
40,0 |
39,0 |
| Farelo de Soja |
9,3 |
12,0 |
17,0 |
14,5 |
Milho |
44,3 |
24,0 |
- |
- |
| Casca de Mandioca |
- |
24,0 |
- |
- |
| Farinha de Varredura |
- |
- |
43,0 |
- |
| Raspa de Mandioca |
- |
- |
- |
46,5 |
| Sal mineralizado(g/an/dia) |
40 |
40 |
40 |
40 |
A Tabela 2 apresenta o efeito da dieta sobre
a composição
química do contra-filé de novilhas
mestiças alimentadas com as rações
apresentadas na Tabela 1.
Tabela 2. Efeito das dietas
com milho, casca de mandioca, farinha de varredura
e raspa de mandioca sobre a composição
química do contra-filé de novilhas
mestiças (Simental x Nelore) terminadas
em confinamento.
Dietas |
Milho |
Casca |
Farinha |
Raspa |
| Umidade % |
74,90a |
74,35a |
74,75a |
75,16a |
| Proteina % |
22,64a |
22,77a |
22,07a |
22,72a |
Gordura % |
1,46a |
1,94b |
2,13b |
1,10a |
| Cinzas % |
1,01a |
0,94b |
1,05b |
1,02b |
| Colesterol mg/100g |
|
51,75b |
25,42a |
43,87b |
Na Tabela 2 observa-se que a utilização
da mandioca ou seus resíduos não
influenciou o teor de umidade nem o teor de proteína
da carne. Por outro lado, as dietas contendo casca
e farinha de varredura determinaram maiores teores
de gordura em relação à dieta
com milho e raspa de mandioca, estes valores aumentados
na carne oriunda dos animais destes tratamentos
pode ser explicado pelo maior teor de fibra que
estes alimentos possuem.
A Tabela 3 apresenta o
efeito da dieta sobre os valores de ácidos
graxos saturados e insaturados do contra-filé
de novilhas mestiças alimentadas com as
rações apresentadas na Tabela 1.
Tabela 3. Efeito das dietas com
milho, casca de mandioca, farinha de varredura
e raspa de mandioca sobre a composição
de ácidos graxos do contra-filé
de novilhas mestiças (Limousin x Nelore)
terminadas em confinamento.
Dietas |
Milho |
Casca |
Farinha |
Raspa |
| Acido Esteático
(C18:0) |
11,74a |
14,55a |
15,64b |
17,20b |
| Acido Oléico
(C 18:1) |
43,01a |
46,42a |
39,20b |
43,18a |
Acidos Graxos Saturados |
39,97a |
44,64ab |
42,62ab |
47,06b |
| Acidos Graxos Insaturados |
59,10a |
53,54b |
56,16a |
52,12b |
Os dados da Tabela 3 confirmam
as informações apresentadas por
Marques (2006), onde este autor afirma que a carne
bovina apresenta, em média 45,00%, dos
ácidos graxos na forma saturada e 55,00%
na insaturada, no trabalho de Silva et al (2002)
foram, respectivamente, de 44,77% e de 55,23%
para as dietas com mandioca e seus resíduos.
Nos ácidos graxos insaturados predominam
o ácido oléico.
A gordura saturada está
associada ao aumento das lipoproteínas
(principalmente a LDL – lipoproteína
de baixa densidade, relacionada ao “mau
colesterol”). Porém, estudos recentes
mostram que os ácidos graxos: láurico,
mirístico e palmítico são
os principais responsáveis pelo aumento
das lipoproteínas, principalmente da LDL
e, em menor intensidade, a lipoproteína
de alta densidade (HDL, relacionada ao “bom
colesterol”). Em contrapartida, o ácido
esteárico (principal ácido graxo
saturado da carne de bovinos) é neutro
e, em alguns casos, até aumenta os níveis
de HDL em detrimento da LDL.
Portanto, pelo que se observa
na Tabela 3, os animais alimentados com produtos
oriundos da cultura da mandioca estão próximo
dos dados obtidos na literatura, pois, o ácido
esteárico, com 35,30% do total dos ácidos
graxos saturados, supera o valor de 33,33% proposto
pela literatura. O ácido graxo oléico
representa a maior parte dos ácidos graxos
insaturados (42,93%). Além do que, os ácidos
graxos insaturados representam mais que os 55,00%
reportados pela literatura.
Desta forma, a introdução
da mandioca e seus resíduos não
alteram negativamente a qualidade da carne dos
animais alimentados com os mesmos.
Jair de Araújo Marques1,2
e
José Jorge dos Santos Abrahão1
1 – Pesquisador do Programa de Produção
Animal do IAPAR
2 – Convênio IAPAR/EMATER
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