Nesta Edição
Editorial
Tapioca nossa de cada dia
Indústria frigorífica é pioneira no uso da fécula
A redescoberta da fécula de mandioca
Pão mais macio e crocante
Centro de Panificação de Paranavaí
Biscoitos com qualidade e crocância
Molho cremoso com fécula
Fermento com Fécula
Embalagem comestível e biodegradável
O uso de amido nas indústrias de alimentos
Destaques
 
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ANO I - Nº3 - Agosto - Setembro/2003

 

O uso de amido nas indústrias de alimentos(*)

Nas indústrias agroalimentares, os amidos e derivados são utilizados como ingredientes, componentes básicos dos produtos ou aditivos adicionados em baixas quantidades para melhorar a fabricação, apresentação ou conservação. Os produtos de hidrólise (xarope de glicose ou de maltose, maltodextrinas) e de isomerização (iso-glicose ou frutose) são utilizados nas indústrias de balas, doces, chocolates, bolos, pastelarias, assim como nas indústrias de geléias e sobremesas, por seus poderes anti-cristalizante, adoçante ou de higroscopicidade (faculdade de reter a água). No Brasil, dois terços da fécula de mandioca produzida são utilizados pelo setor alimentício na forma nativa.

- Indústria frigorífica: a fécula de mandioca é o principal amido usado neste setor. Ela apresenta maior absorção de água, deixa os produtos mais macios proporcionando maiores rendimentos e custos menores.

- Indústrias de biscoitos: O amido pode ser colocado na matéria-prima, para padronizar o teor de glúten da farinha, em proporção de 15% a 20% do peso da farinha de trigo. Esse procedimento não traz problemas de ordem técnica, de alteração de aparência ou de outras características fundamentais dos mesmos. Em geral os biscoitos feitos com farinhas mistas (amido e trigo) são mais bem aceitos por se tornarem mais agradáveis ao paladar e serem mais leves que os convencionais.

- indústria de massas (macarrões): a utilização de fécula de mandioca na confecção de macarrões tem se mostrado, através de experimentos, muito vantajosa no que diz respeito ao aspecto do produto, diminuição do tempo de cocção e outros. Além dessas vantagens, não exije grandes alterações nos esquemas de produção. Em geral, a substituição da farinha de trigo pela fécula se dá na faixa de 25% a 50%, resultando em maiores rendimentos industriais, em razão da fécula reter mais água, e, por isso, manter seu peso, depois de seco, melhor que o produto tradicional. A massa feita com fécula apresenta coloração mais clara, com aspecto mais próximo ao dos macarrões caseiros. O macarrão com 50% de fécula é mais adequado para sopas, pois apresenta certa pegajosidade quando cozido, enquanto que com 25% não apresenta grandes diferenças em relação ao padrão.

Outra vantagem pode ser ressaltada, pois a fécula apresenta a característica de digestão muito fácil em relação ao macarrão tradicional. As massas com fécula são indicadas para pessoas idosas e crianças. A adição de fécula permite também diminuir o tempo de cozimento, propriedade apreciada na produção de macarrões instantâneos.

- Industrias de sobremesas: O amido nativo é colocado como espessante em mistura com leite, na base de 1% a 2%, dependendo das características do produto e com um máximo possível de 2,5%.

- Indústrias de iogurtes: com o objetivo de substituir a gelatina, outro ingrediente utilizado, para obtenção de um produto final cremoso.

- Os snacks : apenas alguns snacks utilizam amido nativo nas suas composições, principalmente aqueles elaborados com amendoim (amendoim “japonês”, ovinhos” de amendoim). Para esses produtos se usa apenas a fécula de mandioca, em proporção de 20% a 35% como base para fritura.

- Indústrias de chocolates e bombons: O amido entra na produção dos wafers para diminuir a força do glúten, com taxas de incorporação de 0,5% do peso total do produto final.

 

- Indústria de balas e caramelos: amidos nativos em pó são usados nos moldes para produção de balas e caramelos. O amido, com 5% a 10% de umidade é usado para absorver a umidade dos moldes.

- As sopas: fécula de mandioca, muitas vezes, é usada como base para produção de amidos esterilizáveis, que entram na produção de sopas em conservas ou de outros tipos de conservas.

- Os molhos: as pastas de amido servem também de estabilizador de emulsão em molhos de salada. Como esses molhos são de pH baixo, o amido deve ser capaz de resistir em elevada acidez. Deve também resistir a ações mecânicas durante a homogeneização do molho.

- Produtos a base de carne: o amido é usado como ligante em emulsões de carne tais como salsichas e linguiças, para unir a carne com a água e a matéria graxa. Além de amidos nativos, cada vez mais as indústrias de alimentos usam amidos modificados:

- Indústria de sorvetes: Os amidos podem ser utilizados para dar corpo aos sorvetes e como estabilizante.

- Pudins e sobremesas: Para as sobremesas e os pudins instantâneos, derivados de mandioca estão entre os mais utilizados por não apresentarem o gosto típico dos amidos de cereais.

- Produtos de panificação: Amidos com ligações cruzadas, estabilizadas ou não, são usados como espessantes em recheios de tortas, cremes para recheios ou coberturas, frutos usados em recheios, etc.

- Macarrões instantâneos: Além de amidos nativos as formulações de macarrões instantâneos podem incorporar amidos pré-gelatinizados.

- Balas e caramelos: O amido fornece a textura e controla o tempo de preparo das balas gelatinosas. O amido de mandioca está entre os amidos geralmente utilizados por conter alto teor de amilose, que contribui para reduzir o tempo de preparo e aumentar a firmeza da bala. Amidos de baixa viscosidade, como o obtido da raiz de mandioca funcionam como agentes ligantes em gomas de mascar. A indústria de balas usa grande quantidade de amidos ácido-modificados na produção de sobremesas de gelatina.

- Sopas e conservas: Amidos pré-gelatinizados são utilizados como espessantes em sopas instantâneas.

- Molhos: Amidos pré-gelatinizados são usados em caldo de carne desidratado e outros molhos prontos. As indústrias alimentares também utilizam amidos pré-gelatinizados na produção de massas, condimentos, etc.

(*) Conteúdo extraído do livro Propriedades
Gerais do Amido, produzido pela Fundação
Cargill, coordenado pela pesquisadora
Marney Pascoli Cereda

 

   
 
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