| Nas
indústrias agroalimentares, os amidos e
derivados são utilizados como ingredientes,
componentes básicos dos produtos ou aditivos
adicionados em baixas quantidades para melhorar
a fabricação, apresentação
ou conservação. Os produtos de hidrólise
(xarope de glicose ou de maltose, maltodextrinas)
e de isomerização (iso-glicose ou
frutose) são utilizados nas indústrias
de balas, doces, chocolates, bolos, pastelarias,
assim como nas indústrias de geléias
e sobremesas, por seus poderes anti-cristalizante,
adoçante ou de higroscopicidade (faculdade
de reter a água). No Brasil, dois terços
da fécula de mandioca produzida são
utilizados pelo setor alimentício na forma
nativa.
- Indústria frigorífica:
a fécula de mandioca é o principal
amido usado neste setor. Ela apresenta maior absorção
de água, deixa os produtos mais macios
proporcionando maiores rendimentos e custos menores.
- Indústrias de biscoitos:
O amido pode ser colocado na matéria-prima,
para padronizar o teor de glúten da farinha,
em proporção de 15% a 20% do peso
da farinha de trigo. Esse procedimento não
traz problemas de ordem técnica, de alteração
de aparência ou de outras características
fundamentais dos mesmos. Em geral os biscoitos
feitos com farinhas mistas (amido e trigo) são
mais bem aceitos por se tornarem mais agradáveis
ao paladar e serem mais leves que os convencionais.
- indústria de massas (macarrões):
a utilização de fécula
de mandioca na confecção de macarrões
tem se mostrado, através de experimentos,
muito vantajosa no que diz respeito ao aspecto
do produto, diminuição do tempo
de cocção e outros. Além
dessas vantagens, não exije grandes alterações
nos esquemas de produção. Em geral,
a substituição da farinha de trigo
pela fécula se dá na faixa de 25%
a 50%, resultando em maiores rendimentos industriais,
em razão da fécula reter mais água,
e, por isso, manter seu peso, depois de seco,
melhor que o produto tradicional. A massa feita
com fécula apresenta coloração
mais clara, com aspecto mais próximo ao
dos macarrões caseiros. O macarrão
com 50% de fécula é mais adequado
para sopas, pois apresenta certa pegajosidade
quando cozido, enquanto que com 25% não
apresenta grandes diferenças em relação
ao padrão.
Outra vantagem pode ser ressaltada, pois a fécula
apresenta a característica de digestão
muito fácil em relação ao
macarrão tradicional. As massas com fécula
são indicadas para pessoas idosas e crianças.
A adição de fécula permite
também diminuir o tempo de cozimento, propriedade
apreciada na produção de macarrões
instantâneos.
- Industrias de sobremesas: O
amido nativo é colocado como espessante
em mistura com leite, na base de 1% a 2%, dependendo
das características do produto e com um
máximo possível de 2,5%.
- Indústrias de iogurtes: com
o objetivo de substituir a gelatina, outro ingrediente
utilizado, para obtenção de um produto
final cremoso.
- Os snacks : apenas alguns
snacks utilizam amido nativo nas suas composições,
principalmente aqueles elaborados com amendoim
(amendoim “japonês”, ovinhos”
de amendoim). Para esses produtos se usa apenas
a fécula de mandioca, em proporção
de 20% a 35% como base para fritura.
- Indústrias de chocolates e bombons:
O amido entra na produção dos wafers
para diminuir a força do glúten,
com taxas de incorporação de 0,5%
do peso total do produto final.
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Indústria de balas e caramelos:
amidos nativos em pó são usados
nos moldes para produção de balas
e caramelos. O amido, com 5% a 10% de umidade
é usado para absorver a umidade dos moldes.
- As sopas: fécula de
mandioca, muitas vezes, é usada como base
para produção de amidos esterilizáveis,
que entram na produção de sopas
em conservas ou de outros tipos de conservas.
- Os molhos: as pastas de amido
servem também de estabilizador de emulsão
em molhos de salada. Como esses molhos são
de pH baixo, o amido deve ser capaz de resistir
em elevada acidez. Deve também resistir
a ações mecânicas durante
a homogeneização do molho.
- Produtos a base de carne:
o amido é usado como ligante em emulsões
de carne tais como salsichas e linguiças,
para unir a carne com a água e a matéria
graxa. Além de amidos nativos, cada vez
mais as indústrias de alimentos usam amidos
modificados:
- Indústria de sorvetes:
Os amidos podem ser utilizados para dar corpo
aos sorvetes e como estabilizante.
- Pudins e sobremesas: Para
as sobremesas e os pudins instantâneos,
derivados de mandioca estão entre os mais
utilizados por não apresentarem o gosto
típico dos amidos de cereais.
- Produtos de panificação:
Amidos com ligações cruzadas,
estabilizadas ou não, são usados
como espessantes em recheios de tortas, cremes
para recheios ou coberturas, frutos usados em
recheios, etc.
- Macarrões instantâneos:
Além de amidos nativos as formulações
de macarrões instantâneos podem incorporar
amidos pré-gelatinizados.
- Balas e caramelos: O amido
fornece a textura e controla o tempo de preparo
das balas gelatinosas. O amido de mandioca está
entre os amidos geralmente utilizados por conter
alto teor de amilose, que contribui para reduzir
o tempo de preparo e aumentar a firmeza da bala.
Amidos de baixa viscosidade, como o obtido da
raiz de mandioca funcionam como agentes ligantes
em gomas de mascar. A indústria de balas
usa grande quantidade de amidos ácido-modificados
na produção de sobremesas de gelatina.
- Sopas e conservas: Amidos
pré-gelatinizados são utilizados
como espessantes em sopas instantâneas.
- Molhos: Amidos pré-gelatinizados
são usados em caldo de carne desidratado
e outros molhos prontos. As indústrias
alimentares também utilizam amidos pré-gelatinizados
na produção de massas, condimentos,
etc.
(*) Conteúdo extraído do livro
Propriedades
Gerais do Amido, produzido pela Fundação
Cargill, coordenado pela pesquisadora
Marney Pascoli Cereda
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