| O
biscoito é a segundo colocado na escala
de vendas do setor alimentício no Brasil,
respondendo por um volume de R$ 3,3 bilhões
da comercialização do setor, conforme
dados do Simabesp (Sindicato das Indústrias
de Massas Alimentícias e Biscoitos do Estado
de São Paulo), do ano passado. O Brasil
é o segundo maior mercado consumidor mundial
de biscoito. As vendas de biscoito em nosso país
representam 10% do consumo mundial. Em paralelo
ao crescimento de vendas da área aumenta
também a destinação de fécula
de mandioca para este segmento de mercado.
As indústrias fabricantes de biscoitos
encontram na fécula de mandioca o ingrediente
que deixa o produto mais crocante, dá mais
uniformidade à massa, o que contribui para
o aumento da durabilidade do produto. O amido,
conforme estudo divulgado pela Fundação
Cargill, no livro Propriedades Gerais do Amido,
coordenado por Marney Pascoli Cereda, ajuda a
padronizar o teor de glúten da farinha,
usado na proporção de 15% a 20%
do peso da farinha de trigo.
Segundo a publicação, esse procedimento
não traz problemas de ordem técnica,
de alteração de aparência
ou outras características fundamentais
do produto. “Em geral, os biscoitos feitos
com farinhas mistas (amido e trigo) são
mais bem aceitos por se tornarem mais agradáveis
ao paladar e serem mais leves que os convencionais”,
relata o livro.
As indústrias de biscoito Faville, de
Marechal Cândido Rondon, Zadimel, de Goioerê,
e a Bolamel, de Nova Esperança, no Paraná,
adotaram a fécula de mandioca na sua linha
de produção.
FAVILLE / ZADIMEL
Dali Umberto Zadinello, Diretor do Grupo Zadinello,
composto pela Faville e Zadimel, conta que os
biscoitos fabricados pelas duas indústrias
contêm de 18% a 30% de fécula de
mandioca. O percentual menor é usado em
biscoitos tipo cream cracker e em recheados.
Os laminados incorporam doses maiores, que chegam
a 25%; e, as rosquinhas, 15%. "O amido é
uma matéria-prima nobre, que assegura qualidade
ao biscoito, deixando-o mais crocante e com cor
melhor, além de contribuir para padronizar
o formato dos biscoitos”, ressalta Zadinello.
Ele revela que usa 5% de fécula, também,
em cremes de recheios de biscoitos.
O consumo mensal de fécula chega a cerca
de setecentas toneladas, usadas para a produção
de 130 a 140 toneladas/dia de biscoitos, comercializados
em cerca de 16 mil pontos de venda. Os biscoitos
Faville e Zadimel são distribuídos
em todos os estados do Brasil, na Bolívia
e no Paraguai.

|
|

Bolamel
Os biscoitos produzidos pela Bolamel contêm
em sua receita de 8% a 10% de fécula de
mandioca. O percentual de 10% é utilizado
em biscoitos mais crocantes, em rosquinhas de
coco, leite e chocolate, e em biscoitos laminados
(de maisena, maria e coco). Nos biscoitos pão-de-mel
e bolachão a massa leva 8% de fécula.
No pão-de-mel a fécula é
usada também para a cobertura. Segundo
o Gerente da indústria, Sérgio Soares,
“toda receita tem que ter fécula,
pois, se não tiver, o biscoito fica mais
pesado e perde a crocância”.
Segundo ele o amido dá mais uniformidade
à massa e contribui para melhorar a vida
útil (durabilidade) do biscoito. As duas
fábricas da Bolamel em Nova Esperança
consomem, mensalmente, cerca de 32 toneladas de
fécula de mandioca para fabricar biscoitos,
comercializados no atacado e varejo, em redes
de supermercados de 13 estados brasileiros, das
regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e alguns
estados do Norte. O maior volume de vendas se
concentra nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

|