| Um
dos setores que, tradicionalmente, usa a fécula
de mandioca na fabricação de seus
produtos é a indústria frigorífica.
Conforme estudos da Fundação Cargill,
divulgados através do livro Propriedades
Gerais do Amido, (Marney Cereda e outros) “a
fécula de mandioca é o principal
amido utilizado neste setor, pois apresenta maior
absorção de água, deixa os
produtos mais macios, proporcionando maior rendimento”.
Conforme a publicação, as características
de suculência e de sensação
da carne na boca estão associadas à
presença de matéria graxa, e, para
manter essas características, agentes ligantes,
como o amido, são adicionados. “Esses
agentes melhoram a capacidade da carne em reter
água e proporcionam sensações
semelhantes às das gorduras, além
de melhorar os rendimentos de preparo da carne,
sabor e aparência”.
PERDIGÃO
A veterana Perdigão Agroindustrial S/A.,
com 69 anos de atividade, já descobriu,
60 anos atrás, que era possível
usar a fécula de mandioca na produção
de embutidos. Hoje a indústria adiciona
a fécula em salsichas, apresuntados, mortadelas,
afiambrados e patês. Os produtos Perdigão
têm como público-alvo crianças
e adultos, das classes A até E, do Brasil
e do exterior. A indústria comercializa
seus produtos de Norte a Sul do país e
em países da América do Sul, África
e Oriente.
“No exterior a quantidade de fécula
varia de acordo com a legislação
de cada país”, informa a Engenheira
de Alimentos da área de Pesquisa e Desenvolvimento
de Produtos da Perdigão, Isadora Palmeiro
Marcantonio Zarro, estabelecida no município
de Videira/Santa Catarina. No Brasil os percentuais
de uso variam de 2% (para mortadelas e afiambrados)
ao máximo de 10% (em patês). Segundo
ela a indústria consome em torno de 450
toneladas/mês de fécula de mandioca.
Conforme Isadora a fécula de mandioca
é usada como ingrediente para dar consistência,
fatiabilidade e estabilidade aos produtos. “É
uma matéria-prima que justifica seu uso,
devido ao seu custo-benefício”. Para
aplicações na indústria de
cárneos, existem, conforme ela, substitutivos,
porém, com preços mais altos que
a fécula, que acabam inviabilizando o produto.
Há, segundo a engenheira, outros ingredientes,
que, por apresentarem ponto de gelatinização
muito altos, dificultam o processo produtivo,
não apresentando resultados eficientes.
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PALMALI
A Fábrica de Conservas Palmali, com sede
em Maringá, no Paraná, começou
a usar a fécula de mandioca em seus produtos
desde sua fundação no ano de 1995.
A indústria consome em torno de 65 toneladas
de fécula de mandioca por mês, para
fabricar salsicha, embutido cozido de carne bovina
(o popular salsichão), mortadela e apresuntado,
com percentuais de adição entre
2% e 18%, e, mortadela imitação,
que contém até 18% de amido. Os
produtos que têm a fécula de mandioca
como ingrediente representam hoje em torno de
59% da produção da Palmali. Conforme
a Engenheira de Alimentos da indústria,
Daniela Padilha Migott, “a fécula
de mandioca melhora a consistência do produto,
favorecendo o fatiamento”.
Ainda nova no mercado, a Palmali já tem
conquistado importantes espaços no setor
de industrializafos. Seus produtos são
comercializados em São Paulo, no Paraná,
na Amazônia, no Pará, em Goiânia
e no Distrito Federal. Importantes redes de supermercados
como o Carrefour, Sonae (Big), Pão-de-Açúcar,
São Francisco e Extra, estão na
lista de clientes da empresa.
CRISTALFRIGO
Há cerca de quatro anos a Cristalfrigo
- Indústria, Comércio, Importação
e Exportação, sediada em Belo Horizonte/Minas
Gerais, começou a adicionar a fécula
de mandioca na fabricação de embutido
cozido de carne (lingüiça cozida)
e lanche de carne, comercializados sob a marca
Perrella. Esses dois itens representam hoje até
18% do faturamento da salsicharia da indústria.
Eles contêm em sua composição
de 3% a 3,5% de fécula de mandioca. A indústria
consome cerca de 15 toneladas/mês de fécula.
Os produtos da Cristalfrigo podem ser encontrados
em panificadoras e supermercados, principalmente
nos estados do Rio de Janeiro e Espírito
Santo. São vendidos também em São
Paulo e Minas Gerais. A indústria está
agora explorando novos mercados na região
Nordeste, nos estados da Bahia, Alagoas e Pernambuco.
Conforme a Engenheira de Alimentos do Setor
de Qualidade e Pesquisa e Desenvolvimento da indústria,
Ana Gabriela Vieira Alves Januzzi, a intenção
inicial da empresa, ao adotar a fécula
de mandioca, foi garantir redução
de custos, visto que a fécula de mandioca
assegura maior absorção de água.
“Se usada, nesses tipos de produtos, na
proporção de 3% a 3,5%, a fécula
de mandioca confere boa característica
aos produtos, incrementando sua fatiabilidade.
A fécula, bem dosada, tem como fator positivo
ajudar nesse sentido. Se usasse só proteína
de soja os produtos encareceriam muito”,
salienta.
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