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Centro Tecnológico da Mandioca, um projeto
idealizado por lideranças envolvidas com
a cultura e do Conselho Gestor para o Desenvolvimento
do Noroeste do Paraná, começa a
ganhar contornos. Entre as concretizações
que já se obteve está a instalação
de uma sede administrativa, junto ao Senai de
Paranavaí, que vai ficar na coordenação
geral do Centro.
Também está se promovendo pesquisas
agrícolas na área de herbicidas,
no Iapar (Instituto Agronômico do Paraná),
na Universidade Federal do Paraná e na
Unioeste (Universidade do Oeste do Paraná),
em que se está analisando todos os herbicidas
usados, e se procedendo análises de resíduos,
tanto da raiz quanto do solo.
Para o futuro o que se projeta, segundo Claodemir
José Grolli, que está atuando junto
ao Senai, na fase inicial de implantação
do Centro, se vislumbra a criação
de um portal eletrônico, com informações
completas sobre a cadeia produtiva da mandioca;
uma biblioteca, com publicações
afins; um centro de treinamento; laboratórios-oficina;
e, intensificação de convênios
no sentido de se aproveitar as estruturas já
existentes nas universidades e órgãos
de pesquisa vinculados à cultura da mandioca.
A Fazenda Experimental da Universidade Federal
do Paraná já cedeu espaço
para pesquisa e desenvolvimento em duas unidades:
em Paranavaí e em Marechal Cândido
Rondon, onde a Atimop (Associação
Técnica das Indústrias de Mandioca
do Paraná) desenvolve estudos de campo
relativos à mandioca.
Em recente encontrorealizado na sede do Sindicato
Rural de Paranavaí, técnicos do
setor tiveram oportunidade de debater a implantação
do Centro Tecnológico, onde cada representante
das entidades presentes puderam expor a situação
atual das pesquisas, e tiveram oportunidade de
ouvir dos produtores suas necessidades em relação
à cultura.
Segundo Grolli, será com base nesse levantamento
de necessidades, o que será feito posteriormente
com indústrias, que se delineará
os projetos para futuro atendimento às
expectativas do setor. “A intenção
é se realizar convênios com as universidades
e órgãos técnicos e de pesquisa,
especificando a atribuição de cada
participante”, salienta Grolli.
Entre as áreas de enfoque da pesquisa
a ser incentivada pelo Centro Tecnológico
destacam-se: o desenvolvimento de pesquisa agrícola;
o desenvolvimento de máquinas, equipamentos
e implementos (agrícolas e industriais);
a montagem de um laboratório-oficina que
trabalhará o desenvolvimento de produtos
de panificação em Paranavaí;
a implantação de uma planta de amidos
modificados e uma planta de aproveitamento e tratamento
de resíduos industriais; a vinculação
de um ou dois centros no Paraná voltados
à capacitação de recursos
humanos (agrícola, industrial, técnicos,
laboratoristas, etc).
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Claodemir José Grolli, atuação
junto ao Senai na fase inicial de implantação

Márcio Czepak, professor da Unioeste,
grande fonte de pesquisas com mandioca

Roberto Antonio Peredo Zurcher, economista da
Fiep: indicadores conjunturais da indústria
de mandioca
Presente na reunião técnica acontecida
em Paranavaí o economista da Fiep (Federação
das Indústrias do Estado do Paraná),
Roberto Antonio Peredo Zurcher, informou que a
entidade inseriu a mandioca na pesquisa de indicadores
conjunturais que realiza há 17 anos, dentro
dos principais setores alimentares. Conforme ele
a pesquisa será aberta para acompanhamento
dos indicadores econômicos das indústrias
de mandioca (farinheiras e fecularias). O objetivo
dos indicadores da Fiep, conforme o economista,
é fomentar e fornecer informações
sobre a evolução de compras, vendas,
nível de emprego, salários, utilização
de capacidade, produtividade, agregação
de valores aos produtos, entre outras.
Participou também do encontro o Professor
doutor em Fitotecnica da Unioeste, Márcio
Czepak, com o objetivo de se interar dos rumos
da implantação do Centro, e avaliar
no que a Unioeste pode contribuir para tal. Ele
informou que a Unioeste desenvolve pesquisas na
área agrícola. Especificamente no
setor de mandiocultura existe uma equipe que realiza
pesquisas de controle biológico de pragas
com o uso de trichograma (inseto que parasita
ovos do Mandarová).
Há também um trabalho voltado
à determinação de períodos
ideais para controle de plantas daninhas. A pauta
de pesquisas da Unioeste inclui ainda um trabalho
sobre sistemas de plantio de mandioca (plantio
direto, rotação de culturas, densidade
de plantio, entre outras).
Entre os projetos futuros o professor cita a
proposta de se viabilizar um laboratório
de cultura de tecido, que visa transformar células
da planta (qualquer parte dela) num novo pé
de mandioca, objetivando a desinfecção
de doenças e pragas. Há também
o propósito de implantação
de um jardim clonal, para distribuição
de material para produtores, livres de pragas
e doenças. |
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Foi na gestão
de José Carlos Gomes de Carvalho (in memoriam),
que o projeto do Centro Tecnológico ganhou
impulso. Carvalhinho, como era conhecido, impulsionou
o projeto, entregue ao deputado Odílio
Balbinotti, por lideranças envolvidas com
a cadeia produtiva durante o Seminário
da Cultura da Mandioca, promovido pela ABAM em
junho deste ano. Carvalhinho, prontamente, adotou
a idéia e enviou um Diretor do Senai a
Paranavaí, Ubiratan de Lara para começar
a delinear o Centro, que está tendo o mesmo
tratamento pela atual diretoria da Fiep (Federação
das Indústrias do Estado do Paraná).
Embora instalado no Paraná, esclarece
Grolli, o Centro Tecnológico da Mandioca
pretende ser um centro de referência tecnológico
e político da cadeia produtiva da mandioca
para o país. “Queremos fazer do Estado
do Paraná uma das referências nacionais,
sem tirar o mérito dos demais estados.
O Paraná tem história no desenvolvimento
da cultura. O Estado produz em torno de 2,5 milhões
de toneladas/ano de raiz, gera em torno de 50
mil empregos diretos na cadeia produtiva; tem
o maior parque agroindustrial do país,
respondendo por 70% da produção
nacional de fécula. Tem também indústrias
de máquinas e implementos para atendimento
às agroindústrias de fécula
e farinha, além de ser bem servido em recursos
humanos e em laboratórios, máquinas
e equipamentos”, enaltece.
Os objetivos do Centro Tecnológico, explica,
é desenvolver uma plataforma tecnológica
voltada à pesquisa aplicada, buscando o
desenvolvimento de novos produtos e processos
nos elos de produção de matéria-prima,
processos industriais, resíduos, gestão
ambiental e capacitação de recursos
humanos. “Não queremos criar produtos
novos. Queremos adaptar os existentes para uma
escala industrial, que possa ser útil aos
envolvidos na cadeia produtiva”, salienta
Grolli.
Atingindo seus objetivos o Centro Tecnológico
tem como finalidade, agregar mais renda às
comunidades rurais; oportunizar aos jovens novos
mercados de trabalho regionalizados; implementar
o turismo através de agroindústrias
artesanais; qualificar a produção
artesanal; buscar novos mercados; e, fortalecer
a cadeia produtiva como um dos principais produtos
nacionais. |