Nesta Edição
Editorial
Consemandioca - Elo entre produtor e indústria
Ministro ultima preparativos da Câmara Setorial da Mandioca
Centro Tecnológico da mandioca
Prognóstico Saudável
Mandioca Orgânica ganha terreno
Plantio de mandioca em expansão
FOOD Ingredients
Amido modificado de mandioca retarda derretimento de sorvete
Maionese com pitadas de amido de mandioca
Estudo de alternativas para o Tratamento de Resíduos Líquidos em Fecularias
Pasquini representa ABAM em Seminário
C.Vale - Conceito ultramoderno de agroindústria
Fecularia Juriti - Conquista da autosuficiência
Destaques
 
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ANO I - Nº4 - Outubro - Novembro/2003

 

Centro Tecnológico da Mandioca

O Centro Tecnológico da Mandioca, um projeto idealizado por lideranças envolvidas com a cultura e do Conselho Gestor para o Desenvolvimento do Noroeste do Paraná, começa a ganhar contornos. Entre as concretizações que já se obteve está a instalação de uma sede administrativa, junto ao Senai de Paranavaí, que vai ficar na coordenação geral do Centro.

Também está se promovendo pesquisas agrícolas na área de herbicidas, no Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), na Universidade Federal do Paraná e na Unioeste (Universidade do Oeste do Paraná), em que se está analisando todos os herbicidas usados, e se procedendo análises de resíduos, tanto da raiz quanto do solo.

Para o futuro o que se projeta, segundo Claodemir José Grolli, que está atuando junto ao Senai, na fase inicial de implantação do Centro, se vislumbra a criação de um portal eletrônico, com informações completas sobre a cadeia produtiva da mandioca; uma biblioteca, com publicações afins; um centro de treinamento; laboratórios-oficina; e, intensificação de convênios no sentido de se aproveitar as estruturas já existentes nas universidades e órgãos de pesquisa vinculados à cultura da mandioca.

A Fazenda Experimental da Universidade Federal do Paraná já cedeu espaço para pesquisa e desenvolvimento em duas unidades: em Paranavaí e em Marechal Cândido Rondon, onde a Atimop (Associação Técnica das Indústrias de Mandioca do Paraná) desenvolve estudos de campo relativos à mandioca.

Em recente encontrorealizado na sede do Sindicato Rural de Paranavaí, técnicos do setor tiveram oportunidade de debater a implantação do Centro Tecnológico, onde cada representante das entidades presentes puderam expor a situação atual das pesquisas, e tiveram oportunidade de ouvir dos produtores suas necessidades em relação à cultura.

Segundo Grolli, será com base nesse levantamento de necessidades, o que será feito posteriormente com indústrias, que se delineará os projetos para futuro atendimento às expectativas do setor. “A intenção é se realizar convênios com as universidades e órgãos técnicos e de pesquisa, especificando a atribuição de cada participante”, salienta Grolli.

Entre as áreas de enfoque da pesquisa a ser incentivada pelo Centro Tecnológico destacam-se: o desenvolvimento de pesquisa agrícola; o desenvolvimento de máquinas, equipamentos e implementos (agrícolas e industriais); a montagem de um laboratório-oficina que trabalhará o desenvolvimento de produtos de panificação em Paranavaí; a implantação de uma planta de amidos modificados e uma planta de aproveitamento e tratamento de resíduos industriais; a vinculação de um ou dois centros no Paraná voltados à capacitação de recursos humanos (agrícola, industrial, técnicos, laboratoristas, etc).

 


Claodemir José Grolli, atuação junto ao Senai na fase inicial de implantação


Márcio Czepak, professor da Unioeste,
grande fonte de pesquisas com mandioca


Roberto Antonio Peredo Zurcher, economista da Fiep: indicadores conjunturais da indústria de mandioca

Presente na reunião técnica acontecida em Paranavaí o economista da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), Roberto Antonio Peredo Zurcher, informou que a entidade inseriu a mandioca na pesquisa de indicadores conjunturais que realiza há 17 anos, dentro dos principais setores alimentares. Conforme ele a pesquisa será aberta para acompanhamento dos indicadores econômicos das indústrias de mandioca (farinheiras e fecularias). O objetivo dos indicadores da Fiep, conforme o economista, é fomentar e fornecer informações sobre a evolução de compras, vendas, nível de emprego, salários, utilização de capacidade, produtividade, agregação de valores aos produtos, entre outras.

Participou também do encontro o Professor doutor em Fitotecnica da Unioeste, Márcio Czepak, com o objetivo de se interar dos rumos da implantação do Centro, e avaliar no que a Unioeste pode contribuir para tal. Ele informou que a Unioeste desenvolve pesquisas na área agrícola. Especificamente no setor de mandiocultura existe uma equipe que realiza pesquisas de controle biológico de pragas com o uso de trichograma (inseto que parasita ovos do Mandarová).

Há também um trabalho voltado à determinação de períodos ideais para controle de plantas daninhas. A pauta de pesquisas da Unioeste inclui ainda um trabalho sobre sistemas de plantio de mandioca (plantio direto, rotação de culturas, densidade de plantio, entre outras).

Entre os projetos futuros o professor cita a proposta de se viabilizar um laboratório de cultura de tecido, que visa transformar células da planta (qualquer parte dela) num novo pé de mandioca, objetivando a desinfecção de doenças e pragas. Há também o propósito de implantação de um jardim clonal, para distribuição de material para produtores, livres de pragas e doenças.

Foi na gestão de José Carlos Gomes de Carvalho (in memoriam), que o projeto do Centro Tecnológico ganhou impulso. Carvalhinho, como era conhecido, impulsionou o projeto, entregue ao deputado Odílio Balbinotti, por lideranças envolvidas com a cadeia produtiva durante o Seminário da Cultura da Mandioca, promovido pela ABAM em junho deste ano. Carvalhinho, prontamente, adotou a idéia e enviou um Diretor do Senai a Paranavaí, Ubiratan de Lara para começar a delinear o Centro, que está tendo o mesmo tratamento pela atual diretoria da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná).

Embora instalado no Paraná, esclarece Grolli, o Centro Tecnológico da Mandioca pretende ser um centro de referência tecnológico e político da cadeia produtiva da mandioca para o país. “Queremos fazer do Estado do Paraná uma das referências nacionais, sem tirar o mérito dos demais estados. O Paraná tem história no desenvolvimento da cultura. O Estado produz em torno de 2,5 milhões de toneladas/ano de raiz, gera em torno de 50 mil empregos diretos na cadeia produtiva; tem o maior parque agroindustrial do país, respondendo por 70% da produção nacional de fécula. Tem também indústrias de máquinas e implementos para atendimento às agroindústrias de fécula e farinha, além de ser bem servido em recursos humanos e em laboratórios, máquinas e equipamentos”, enaltece.

Os objetivos do Centro Tecnológico, explica, é desenvolver uma plataforma tecnológica voltada à pesquisa aplicada, buscando o desenvolvimento de novos produtos e processos nos elos de produção de matéria-prima, processos industriais, resíduos, gestão ambiental e capacitação de recursos humanos. “Não queremos criar produtos novos. Queremos adaptar os existentes para uma escala industrial, que possa ser útil aos envolvidos na cadeia produtiva”, salienta Grolli.

Atingindo seus objetivos o Centro Tecnológico tem como finalidade, agregar mais renda às comunidades rurais; oportunizar aos jovens novos mercados de trabalho regionalizados; implementar o turismo através de agroindústrias artesanais; qualificar a produção artesanal; buscar novos mercados; e, fortalecer a cadeia produtiva como um dos principais produtos nacionais.

   
 
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