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que é mandioca Orgânica?
É a mandioca produzida sem uso de produtos
químicos como fungicidas, herbicidas, inseticidas.
As pragas que atacam as lavouras são combatidas
de forma natural, como no Noroeste do Paraná,
em que se extermina a lagarta (maior inimiga das
roças de mandioca da região) com
o uso de baculovirus. Em caso de ataque de pragas
que exijam outras formas de proteção,
existem, conforme o técnico agrícola
Tarcísio Barbosa Souza Júnior, produtos
alternativos (também naturais) de controle,
que substituem os agroquímicos. Para se
conseguir sucesso numa roça de mandioca
orgânica é preciso tomar alguns cuidados
preliminares, aconselha o técnico. A análise
do solo é fator primordial para se conseguir
extrair o máximo da cultura, assim como
a preparação do solo a ser plantado.
Pode-se usar calcário, fósforo e
sulfato de potássio (em substituição
ao cloreto de potássio). “Só
não pode usar produtos químicos”,
salienta.
O mato tem que ser controlado. Nos primeiros
60 dias a roça não pode ter mato.
É preciso manter bem carpida a área
em torno dos pés de mandioca. Estima o
técnico que com, no máximo, três
carpas se consegue controlar o mato. Além
disso, a grama mato grosso ajuda no desenvolvimento
da planta, pois tem capacidade de buscar fósforo
no solo. Áreas com grama mato grosso são
mais fáceis de controlar, diferentemente
de áreas com capim brizantão e braquiária.
A hora do plantio também define o sucesso
da lavoura. O recomendado é plantar nos
meses mais frios de junho a agosto.
Segundo o técnico, a mandiocultura orgânica
não significa um “voltar no tempo”.
Em sua avaliação, para que a mandiocultura
orgânica tenha competitividade no mercado
precisa usar todas as tecnologias que a mandioca
convencional usa como adubação,
análise preparação do solo,
entre outras.. A diferença está,
apenas, no fato de que a orgânica dispensa
o uso de químicos.
Alta Produtividade

Paulo Sérgio de Freitas, com a esposa Rosângela,
a filha Fernanda e o irmão José
Carlos, no Assentamento 17 de Abril, em Santa
Cruz de Monte Castelo/PR
Ao concluir 2,5 anos de plantio o produtor rural
e industrial Pascoal Pilotti, de Loanda/PR, decidiu
arrancar a roça de mandioca, com a grata
surpresa de obter a produtividade de 190 toneladas
por alqueire, da qualidade olho junto. Noutra
roça, de dois ciclos (18 meses), a produtividade
atingiu 145 toneladas por alqueire, da qualidade
fécula branca. A produtividade alcançada
pelas roças de Pilotti foi inédita
para a região Noroeste, onde a média
é de 100 toneladas por alqueire, para mandioca
de dois ciclos.
Pilotti fala que não usou nenhuma fórmula
especial. Não utilizou defensivo agrícola
nem adubo, apenas produtos naturais, visto que
a terra era fértil. A escolha e tratamento
das manivas, foi o que contribuiu para o resultado
positivo. “Se a terra é fértil
não precisa de adubo”, diz o produtor
argumentando que “essa história de
que mandioca estraga a terra é folclore,
pois basta que se tenha cuidados com o solo, como
se tem com qualquer outra cultura, para se obter
resultado favorável”. Ele alerta
que para que se tenha boa produtividade é
necessário que se faça uma análise
do solo a ser plantado, para verificar seu estado.
Dependendo do resultado é preciso fazer
uma boa adubação.
Natural de Loanda, onde nasceu no ano de 1955,
Pascoal Pilotti planta mandioca desde 1970. Ele
tem atualmente, em parceria com Jacir Boito, 135
alqueires de mandioca orgânica plantados.
Para o ano que vem pretende plantar mais 100 alqueires.
O interesse do produtor / industrial é
atingir o mercado de fécula orgânica.
“Esse mercado está aumentando bastante
e temos interesse em investir neste novo segmento”,
salienta Pilotti, que é sócio-proprietário
da Fecularia Loanda, associada da ABAM.
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A
terra é capaz de produzir sem herbicida.
Foi essa convicção que levou o produtor
rural Carlos Mineski Gouvêa, do município
de Paranavaí/PR, a ingressar num grupo
de adeptos da mandiocultura orgânica. Gouvêa
já plantou milho no passado, mas decidiu
parar. Arrendou uma área de 4,5 alqueires
no ano passado e ingressou num curso de capacitação
e certificação da propriedade, promovido
pela Secretaria da Agricultura do Município
e pelo Sebrae, em que a primeira disponibiliza
um técnico agrícola para prestar
assistência aos produtores, e, a segunda,
uma empresa de capacitação.
O grupo integrado por Gouvêa, é
formado por 20 produtores rurais, que há
um ano e meio se reúnem para receber orientação
sobre a técnica de se produzir mandioca
sem o uso de produtos químicos. Eles até
já constituíram uma associação,
a Apropar (Associação de Produtores
Orgânicos de Paranavaí).
Os associados da Apropar detêm 15 propriedades
em processo de conversão de mandiocultura
convencional para orgânica, perfazendo em
torno de mil hectares de terras. Tão logo
certificadas (para que o produto seja considerado
orgânico é preciso obter o selo de
uma certificadora responsável), essas terras
serão inseridas no rol de aptas à
produção orgânica.
Na avaliação de Tarcísio
Barbosa Souza Júnior, técnico da
Secretaria da Agricultura do Município
de Paranavaí responsável pelo acompanhamento
das lavouras desse grupo de produtores, “a
tendência futura é de expansão
da mandiocultura orgânica”.
O problema maior hoje, segundo ele, é o
fato de não existir no país uma
legislação específica para
a produção de orgânicos, o
que reflete, diretamente, na comercialização.
“O mercado de orgânicos cresce 50%
a cada ano no Brasil e 20% em âmbito mundial.
Quando houver regulamentação de
lei voltada à questão o crescimento
será muito maior, aposta. Enquanto isso
não acontece a mandioca orgânica
é vendida como se fosse convencional.
Para o agricultor Carlos Mineski Gouvêa,
que deve começar a colher sua primeira
safra de mandioca orgânica a partir de agora,
o produtor não deve ter em mente unicamente
o custo de mão-de-obra, que se torna um
pouco maior na roça orgânica, que
exige capina nos primeiros meses do plantio, visando
sua conservação.
O que o produtor orgânico deve visar,
em sua opinião, “é a preocupação
com o produto que vai vender para o consumidor”.
Considera que “é preciso conscientizar
as pessoas sobre o que elas estão comendo”,
e afirma que “a mandioca orgânica
confere maior equilíbrio à natureza”.
Comprovando ser incondicional adepto dos produtos
orgânicos, Gouvêa conta que está
arrendando área três vezes maior
para cultivar mandioca orgânica.
Terra Fértil

Pascoal Pilotti, 190 toneladas por alqueire
no Noroeste do Paraná em roça de
2,5 anos
Instalados há dois anos, com suas famílias,
no Assentamento 17 de Abril, no município
de Santa Cruz de Monte Castelo/PR, os irmãos
Paulo Sérgio de Freitas, com 31 anos de
idade, e José Carlos de Freitas, com 34
anos, obtiveram significativa produtividade em
sua roça de mandioca orgânica. Eles
colheram 88 toneladas por alqueire, numa roça
de apenas 11 meses.
Os irmãos Freitas decidiram apostar na
mandioca orgânica após participarem
de uma palestra do engenheiro Anselmo Selhorst,
promovida pela fecularia Amidos Yamakawa, associada
da ABAM. Embora não tenham certificado
de produtores de mandioca orgânica, os Freitas
o são na prática, visto não
usarem qualquer tipo de agroquímico em
sua lavoura.
Eles contam que adotaram como técnica
a orientação de Selhorst, de selecionar
a rama a ser utilizada no plantio. “Aprendemos
com ele como tirar rama boa e seguimos as orientações.
Nem chegamos a usar calcário, pelo fato
da terra ter sido considerada fértil, na
análise que mandamos fazer (havia grama
mato grosso no local anteriormente)”. Para
o controle de pragas eles usaram baculovírus.
Filhos de agricultor o pai plantava café
e criou oito filhos tirando seu sustento de uma
propriedade de 2,5 alqueires os Freitas estão
animados com as perspectivas futuras do setor.
Já planejam expandir o plantio. Eles têm
hoje uma área velha (mandioca de mais de
um ano), de 1,5 alqueires, e plantaram em julho
deste ano, uma nova área, de 4,5 alqueires.
“Dependendo do mercado vamos ampliar ainda
mais o plantio”, afirmam os irmãos-sócios.
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