Nesta Edição
Editorial
Consemandioca - Elo entre produtor e indústria
Ministro ultima preparativos da Câmara Setorial da Mandioca
Centro Tecnológico da mandioca
Prognóstico Saudável
Mandioca Orgânica ganha terreno
Plantio de mandioca em expansão
FOOD Ingredients
Amido modificado de mandioca retarda derretimento de sorvete
Maionese com pitadas de amido de mandioca
Estudo de alternativas para o Tratamento de Resíduos Líquidos em Fecularias
Pasquini representa ABAM em Seminário
C.Vale - Conceito ultramoderno de agroindústria
Fecularia Juriti - Conquista da autosuficiência
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ANO I - Nº4 - Outubro - Novembro/2003

 

Mandioca Orgânica ganha Terreno

O que é mandioca Orgânica?

É a mandioca produzida sem uso de produtos químicos como fungicidas, herbicidas, inseticidas. As pragas que atacam as lavouras são combatidas de forma natural, como no Noroeste do Paraná, em que se extermina a lagarta (maior inimiga das roças de mandioca da região) com o uso de baculovirus. Em caso de ataque de pragas que exijam outras formas de proteção, existem, conforme o técnico agrícola Tarcísio Barbosa Souza Júnior, produtos alternativos (também naturais) de controle, que substituem os agroquímicos. Para se conseguir sucesso numa roça de mandioca orgânica é preciso tomar alguns cuidados preliminares, aconselha o técnico. A análise do solo é fator primordial para se conseguir extrair o máximo da cultura, assim como a preparação do solo a ser plantado. Pode-se usar calcário, fósforo e sulfato de potássio (em substituição ao cloreto de potássio). “Só não pode usar produtos químicos”, salienta.

O mato tem que ser controlado. Nos primeiros 60 dias a roça não pode ter mato. É preciso manter bem carpida a área em torno dos pés de mandioca. Estima o técnico que com, no máximo, três carpas se consegue controlar o mato. Além disso, a grama mato grosso ajuda no desenvolvimento da planta, pois tem capacidade de buscar fósforo no solo. Áreas com grama mato grosso são mais fáceis de controlar, diferentemente de áreas com capim brizantão e braquiária. A hora do plantio também define o sucesso da lavoura. O recomendado é plantar nos meses mais frios de junho a agosto.

Segundo o técnico, a mandiocultura orgânica não significa um “voltar no tempo”. Em sua avaliação, para que a mandiocultura orgânica tenha competitividade no mercado precisa usar todas as tecnologias que a mandioca convencional usa como adubação, análise preparação do solo, entre outras.. A diferença está, apenas, no fato de que a orgânica dispensa o uso de químicos.

Alta Produtividade


Paulo Sérgio de Freitas, com a esposa Rosângela,
a filha Fernanda e o irmão José Carlos, no Assentamento 17 de Abril, em Santa Cruz de Monte Castelo/PR

Ao concluir 2,5 anos de plantio o produtor rural e industrial Pascoal Pilotti, de Loanda/PR, decidiu arrancar a roça de mandioca, com a grata surpresa de obter a produtividade de 190 toneladas por alqueire, da qualidade olho junto. Noutra roça, de dois ciclos (18 meses), a produtividade atingiu 145 toneladas por alqueire, da qualidade fécula branca. A produtividade alcançada pelas roças de Pilotti foi inédita para a região Noroeste, onde a média é de 100 toneladas por alqueire, para mandioca de dois ciclos.

Pilotti fala que não usou nenhuma fórmula especial. Não utilizou defensivo agrícola nem adubo, apenas produtos naturais, visto que a terra era fértil. A escolha e tratamento das manivas, foi o que contribuiu para o resultado positivo. “Se a terra é fértil não precisa de adubo”, diz o produtor argumentando que “essa história de que mandioca estraga a terra é folclore, pois basta que se tenha cuidados com o solo, como se tem com qualquer outra cultura, para se obter resultado favorável”. Ele alerta que para que se tenha boa produtividade é necessário que se faça uma análise do solo a ser plantado, para verificar seu estado. Dependendo do resultado é preciso fazer uma boa adubação.

Natural de Loanda, onde nasceu no ano de 1955, Pascoal Pilotti planta mandioca desde 1970. Ele tem atualmente, em parceria com Jacir Boito, 135 alqueires de mandioca orgânica plantados. Para o ano que vem pretende plantar mais 100 alqueires. O interesse do produtor / industrial é atingir o mercado de fécula orgânica. “Esse mercado está aumentando bastante e temos interesse em investir neste novo segmento”, salienta Pilotti, que é sócio-proprietário da Fecularia Loanda, associada da ABAM.

 

A terra é capaz de produzir sem herbicida. Foi essa convicção que levou o produtor rural Carlos Mineski Gouvêa, do município de Paranavaí/PR, a ingressar num grupo de adeptos da mandiocultura orgânica. Gouvêa já plantou milho no passado, mas decidiu parar. Arrendou uma área de 4,5 alqueires no ano passado e ingressou num curso de capacitação e certificação da propriedade, promovido pela Secretaria da Agricultura do Município e pelo Sebrae, em que a primeira disponibiliza um técnico agrícola para prestar assistência aos produtores, e, a segunda, uma empresa de capacitação.

O grupo integrado por Gouvêa, é formado por 20 produtores rurais, que há um ano e meio se reúnem para receber orientação sobre a técnica de se produzir mandioca sem o uso de produtos químicos. Eles até já constituíram uma associação, a Apropar (Associação de Produtores Orgânicos de Paranavaí).

Os associados da Apropar detêm 15 propriedades em processo de conversão de mandiocultura convencional para orgânica, perfazendo em torno de mil hectares de terras. Tão logo certificadas (para que o produto seja considerado orgânico é preciso obter o selo de uma certificadora responsável), essas terras serão inseridas no rol de aptas à produção orgânica.

Na avaliação de Tarcísio Barbosa Souza Júnior, técnico da Secretaria da Agricultura do Município de Paranavaí responsável pelo acompanhamento das lavouras desse grupo de produtores, “a tendência futura é de expansão da mandiocultura orgânica”.
O problema maior hoje, segundo ele, é o fato de não existir no país uma legislação específica para a produção de orgânicos, o que reflete, diretamente, na comercialização. “O mercado de orgânicos cresce 50% a cada ano no Brasil e 20% em âmbito mundial. Quando houver regulamentação de lei voltada à questão o crescimento será muito maior, aposta. Enquanto isso não acontece a mandioca orgânica é vendida como se fosse convencional.

Para o agricultor Carlos Mineski Gouvêa, que deve começar a colher sua primeira safra de mandioca orgânica a partir de agora, o produtor não deve ter em mente unicamente o custo de mão-de-obra, que se torna um pouco maior na roça orgânica, que exige capina nos primeiros meses do plantio, visando sua conservação.

O que o produtor orgânico deve visar, em sua opinião, “é a preocupação com o produto que vai vender para o consumidor”. Considera que “é preciso conscientizar as pessoas sobre o que elas estão comendo”, e afirma que “a mandioca orgânica confere maior equilíbrio à natureza”. Comprovando ser incondicional adepto dos produtos orgânicos, Gouvêa conta que está arrendando área três vezes maior para cultivar mandioca orgânica.

Terra Fértil


Pascoal Pilotti, 190 toneladas por alqueire
no Noroeste do Paraná em roça de 2,5 anos

Instalados há dois anos, com suas famílias, no Assentamento 17 de Abril, no município de Santa Cruz de Monte Castelo/PR, os irmãos Paulo Sérgio de Freitas, com 31 anos de idade, e José Carlos de Freitas, com 34 anos, obtiveram significativa produtividade em sua roça de mandioca orgânica. Eles colheram 88 toneladas por alqueire, numa roça de apenas 11 meses.

Os irmãos Freitas decidiram apostar na mandioca orgânica após participarem de uma palestra do engenheiro Anselmo Selhorst, promovida pela fecularia Amidos Yamakawa, associada da ABAM. Embora não tenham certificado de produtores de mandioca orgânica, os Freitas o são na prática, visto não usarem qualquer tipo de agroquímico em sua lavoura.

Eles contam que adotaram como técnica a orientação de Selhorst, de selecionar a rama a ser utilizada no plantio. “Aprendemos com ele como tirar rama boa e seguimos as orientações. Nem chegamos a usar calcário, pelo fato da terra ter sido considerada fértil, na análise que mandamos fazer (havia grama mato grosso no local anteriormente)”. Para o controle de pragas eles usaram baculovírus.

Filhos de agricultor o pai plantava café e criou oito filhos tirando seu sustento de uma propriedade de 2,5 alqueires os Freitas estão animados com as perspectivas futuras do setor. Já planejam expandir o plantio. Eles têm hoje uma área velha (mandioca de mais de um ano), de 1,5 alqueires, e plantaram em julho deste ano, uma nova área, de 4,5 alqueires. “Dependendo do mercado vamos ampliar ainda mais o plantio”, afirmam os irmãos-sócios.

   
 
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