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João Eduardo Pasquini
O ano de 2003 se encerrou, e apesar da produção
de amido de mandioca ter sido um pouco menor que
a de 2002, nos deixa a certeza de que o setor
está amadurecendo e buscando alternativas
para o crescimento sustentável, contínuo
e de forma estabilizada.
Iniciamos o ano de 2003 com a previsão
de pouca oferta de matéria-prima, e de
preços em alta, fato este que se confirmou
durante o ano, fazendo com que muitas indústrias
operassem depois do segundo semestre com a capacidade
reduzida, devido à falta de matéria-prima,
produzindo em torno de 30% de sua capacidade normal.
Devido a esses fatores o setor mostrou a necessidade
de se organizar e se estruturar, e com isso buscou
mecanismos para a estabilização.
Entre eles o programa Plantio Responsável
de Mandioca, que se fundamenta na assinatura de
contratos de garantia de preços mínimos.
O setor promoveu também seminários
da cultura de mandioca, e procurou demonstrar
aos produtores e ao Governo a potencialidade do
amido de mandioca. Conquistou junto ao Governo,
com essas ações, a criação
da Câmara Setorial da Mandioca; a instituição
do Consemandioca, que é um conselho que
envolve as indústrias de amido e de farinha,
e o produtor rural, em parceria com a Universidade
Federal do Paraná; e, está consolidando
o centro tecnológico da mandioca, no município
de Paranavaí, no Paraná.
Assistimos nos últimos anos a entrada
no setor de grandes empresas multinacionais como
a National Starch, a Avebe, a Carggil e a Corn
Produts. Essas empresas formaram parcerias com
grandes empresas nacionais, provocando aumento
da utilização do amido de mandioca
na indústria papeleira.
A perspectiva de exportação do
amido de mandioca em substituição
ao amido de batata na Europa; a preferência
pelo amido brasileiro pelos países da América,
com a consolidação da ALCA, a partir
de 2005, tem despertado o interesse de várias
regiões brasileiras em atrair indústrias
para seus estados.
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Hoje
nós temos indústrias instaladas
ou se instalando em Mato Grosso, Tocantins, Goiás,
Bahia, Pará, Minas Gerais, Paraná,
São Paulo, e um grande aumento na instalação
de novas indústrias e na ampliação
das unidades já existentes nos estados
produtores como São Paulo, Paraná,
e Mato Grosso do Sul.
Percebe-se hoje um significativo aumento do
plantio de mandioca em todas as regiões
do país. Para se ter uma idéia,
no Paraná, que é o maior produtor
de amido de mandioca do Brasil, com 72% da produção
brasileira, o plantio teve um aumento significativo,
passando de 111 mil hectares para cerca de 150
mil hectares de mandioca, o que representa um
aumento de 40% na área. Outros estados
como São Paulo e Mato Grosso do Sul, que
são grandes produtores de amido de mandioca,
também estão aumentando suas áreas
de plantio.
Para 2004, podemos notar que caminhamos para
um ano de estabilidade, em que deveremos ter a
oferta de matéria-prima estabilizada, o
que fará com que os preços retornem
a patamares normais, permitindo a retomada de
vários mercados que utilizam o amido de
mandioca como matéria-prima.
Neste ano que se inicia devemos continuar o trabalho
promovendo seminários, mostrando a produtores
e governo o potencial do nosso setor, buscando
de forma consciente o desenvolvimento tecnológico
de nossas industrias, e a mecanização
de nossas lavouras de mandioca, a partir do investimento
em pesquisa e desenvolvimento de novas variedades
e na melhoria das já existentes, profissionalizando
nossos produtores de forma a produzir mandioca
de forma sustentável.
Diante disso, podemos dizer que atingir as metas
de crescimento de 30% ao ano é possível,
e nos permitirá chegar em 2008 com produção
record de amido de mandioca no Brasil.
(*) João Eduardo Pasquini é Presidente
da ABAM
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