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ANO II - Nº8 - Setembro - Dezembro/2004


Controle as Doenças da Mandioca

Mário Takahashi*

As doenças na cultura da mandioca, de maneira geral, podem se manifestar desde que ocorram algumas condições básicas:
- Presença do patógeno causador da doença;
- Condição ambiental favorável à doença;
- Variedade de mandioca sensível ao patógeno;

Aliado aos três fatores citados anteriormente o agricultor também pode interferir no processo através do manejo adequado dos fatores de produção envolvidos como, por exemplo, efetuando uma seleção rigorosa da rama a ser plantada.

Um ditado antigo entre os mandioqueiros, mas que vale a pena ser lembrado é: "mais vale uma rama boa de uma variedade ruim do que uma rama ruim de uma variedade boa".

No Brasil pesquisadores identificaram mais de 20 patógenos da cultura da mandioca, incluindo fungos, bactérias, vírus, nematóides e protozoários. Por ser a mandioca cultivada no Brasil de Norte a Sul muitas doenças são importantes em determinadas regiões; em outras podem não se manifestar, por não encontrar condições ambientais favoráveis.

Na região Centro-Sul do Brasil as principais doenças de importância econômica são a bacteriose, a antracnose, o superalongamento e as podridões radiculares.

Antracnose

A antracnose é causada por um fungo e a sua ocorrência é favorecida quando a umidade relativa do ar é alta e as temperaturas permanecem entre 18 e 23 graus centígrados. Nessas condições os sintomas da doença desenvolvem-se rapidamente em folhas, pecíolos e hastes. Manchas foliares encharcadas são produzidas na base das folhas que normalmente caem. O fungo afeta a haste, provocando cancros profundos, desfolha intensa e morte dos ponteiros. Pode também atacar as ramas armazenadas, principalmente em ambientes muito úmidos, causando falhas na brotação das ramas e favorecendo a contaminação por outras doenças de solo.


sintoma da antracnose nas ramas


Sintoma da antracnose nas folhas

Bacteriose ou murcheira

A bacteriose ou murchadeira não é uma doença nova, pois, já em 1915 pesquisadores a detectaram em plantas de mandioca. Na região Centro-Sul do país é a doença mais importante em lavouras comerciais. Por exemplo, quando ramas contaminadas são plantadas numa área livre da doença, as perdas podem comprometer até 30% da produção, segundo alguns pesquisadores. Se outras doenças como a antracnose invadirem os tecidos contaminados pela bactéria, as perdas podem chegar a 90% já no primeiro ciclo.

Os sintomas iniciais nas folhas são lesões angulares, de aspecto encharcado, com coloração palha na face superior e azulada. Com a evolução da doença poderá ocorrer morte descendente dos brotos novos, escurecimento dos vasos condutores, murcha e exsudação de goma na haste e em alguns casos ocasionar morte das plantas. Morte de plantas recém brotadas podem ser atribuídas a ramas contaminadas pela bactéria.

Determinadas condições ambientais favorecem a manifestação dos sintomas da doença, como temperaturas médias diurnas de 30 graus centígrados e noturna de 20 graus centígrados, e precipitações anuais acima de 1200 milímetros anuais, segundo diversos pesquisadores. Mesmo variedades de mandioca sensíveis plantadas em regiões de clima não favorável podem não manifestar a doença.

A severidade da bacteriose está ligada às amplas flutuações entre as temperaturas do dia e da noite durante o período de chuvas.

O uso de ramas contaminadas no plantio é responsável pela ocorrência da doença nas lavouras, pela manutenção do patógeno de um ano para o outro, e pela disseminação de uma área para outra. A bactéria pode ser disseminada entre as plantas através de gotas de água de chuva associadas a ventos fortes e ferramentas contaminadas. O patógeno pode sobreviver em muitas plantas daninhas.

Controle das doenças

O controle das doenças que ocorrem na cultura da mandioca deve ser feito, basicamente, de maneira preventiva, não existindo até o presente momento métodos curativos eficientes e economicamente viáveis. O uso de produtos químicos como fungicidas ou bactericidas, ou adubos foliares, não têm se mostrado eficientes.

Superalongamento

O superalongamento é uma doença causada por fungo e os sintomas mais freqüentes são manchas foliares necróticas, hipertrofia e cancro nas nervuras, pecíolos e caules. As folhas atacadas apresentam-se retorcidas confundindo-se muitas vezes com problemas causados por herbicidas. As plantas severamente atacadas apresentam alongamento exagerado dos entrenós das hastes jovens.

As condições favoráveis para a ocorrência da doença são chuvas abundantes e temperaturas em torno de 20 a 22 graus centígrados. Nas chuvas, a disseminação do fungo é rápida. Particularmente as variedades Fibra e IAC 13 são muito sensíveis a esta doença.


Ataque severo do superalongamento

Estratégias de Prevenção

As principais estratégias que o agricultor pode adotar para prevenir ou reduzir o problema com doenças são:

- Seleção de um terreno de boa fertilidade, não muito exposto aos ventos predominantes;
- Bom preparo do solo, eliminando problemas de compactação;
- Adubação de acordo com a análise de solo, pois plantas bem nutridas toleram melhor as doenças;
- Plantio em épocas adequadas;
- Escolha de variedades mais tolerantes;
- Rigorosa seleção de ramas, principalmente após a armazenagem em locais muito úmidos;
- Evitar o plantio contínuo de mandioca na mesma área, efetuando uma rotação de culturas;
- O uso de culturas intercalares em pequenas áreas formando quebra ventos podem reduzir a disseminação da doença pelo vento ou pela água de chuva;
- Controle adequado do mandarová.

Podridões de raízes

As podridões radiculares são causadas por uma série de fungos e a incidência tem aumentado nos últimos anos, principalmente em anos muito chuvosos.

Os primeiros sintomas observados são amarelecimento, murcha e queda de folhas. Morte descendente das hastes também podem ser observadas na parte aérea, como sintoma secundário. Parte ou toda a raiz apresentam sintomas de podridão mole, com odor característico e escurecimento dos tecidos afetados.

A podridão de raízes é mais freqüente em solos argilosos mal drenados e compactados, sujeitos a encharcamentos ou em solos mistos durante o período de chuvas, mas podendo ocorrer em solos arenosos. A doença pode reaparecer nas mesmas áreas nos anos seguintes, já que os patógenos podem permanecer no solo por longos períodos.

 

(*) Mário Takahashi é
engenheiro agrônomo,
pesquisador do Instituto
Agronômico do Paraná.

   
 
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