| Mário
Takahashi*
As doenças na cultura da mandioca, de
maneira geral, podem se manifestar desde que ocorram
algumas condições básicas:
- Presença do patógeno causador
da doença;
- Condição ambiental favorável
à doença;
- Variedade de mandioca sensível ao patógeno;
Aliado aos três fatores citados anteriormente
o agricultor também pode interferir no
processo através do manejo adequado dos
fatores de produção envolvidos como,
por exemplo, efetuando uma seleção
rigorosa da rama a ser plantada.
Um ditado antigo entre os mandioqueiros, mas
que vale a pena ser lembrado é: "mais
vale uma rama boa de uma variedade ruim do que
uma rama ruim de uma variedade boa".
No Brasil pesquisadores identificaram mais de
20 patógenos da cultura da mandioca, incluindo
fungos, bactérias, vírus, nematóides
e protozoários. Por ser a mandioca cultivada
no Brasil de Norte a Sul muitas doenças
são importantes em determinadas regiões;
em outras podem não se manifestar, por
não encontrar condições ambientais
favoráveis.
Na região Centro-Sul do Brasil as principais
doenças de importância econômica
são a bacteriose, a antracnose, o superalongamento
e as podridões radiculares.
Antracnose
A antracnose é causada por um fungo e
a sua ocorrência é favorecida quando
a umidade relativa do ar é alta e as temperaturas
permanecem entre 18 e 23 graus centígrados.
Nessas condições os sintomas da
doença desenvolvem-se rapidamente em folhas,
pecíolos e hastes. Manchas foliares encharcadas
são produzidas na base das folhas que normalmente
caem. O fungo afeta a haste, provocando cancros
profundos, desfolha intensa e morte dos ponteiros.
Pode também atacar as ramas armazenadas,
principalmente em ambientes muito úmidos,
causando falhas na brotação das
ramas e favorecendo a contaminação
por outras doenças de solo.

sintoma da antracnose nas ramas

Sintoma da antracnose nas folhas
Bacteriose ou murcheira
A bacteriose ou murchadeira não é
uma doença nova, pois, já em 1915
pesquisadores a detectaram em plantas de mandioca.
Na região Centro-Sul do país é
a doença mais importante em lavouras comerciais.
Por exemplo, quando ramas contaminadas são
plantadas numa área livre da doença,
as perdas podem comprometer até 30% da
produção, segundo alguns pesquisadores.
Se outras doenças como a antracnose invadirem
os tecidos contaminados pela bactéria,
as perdas podem chegar a 90% já no primeiro
ciclo.
Os sintomas iniciais nas folhas são lesões
angulares, de aspecto encharcado, com coloração
palha na face superior e azulada. Com a evolução
da doença poderá ocorrer morte descendente
dos brotos novos, escurecimento dos vasos condutores,
murcha e exsudação de goma na haste
e em alguns casos ocasionar morte das plantas.
Morte de plantas recém brotadas podem ser
atribuídas a ramas contaminadas pela bactéria.
Determinadas condições ambientais
favorecem a manifestação dos sintomas
da doença, como temperaturas médias
diurnas de 30 graus centígrados e noturna
de 20 graus centígrados, e precipitações
anuais acima de 1200 milímetros anuais,
segundo diversos pesquisadores. Mesmo variedades
de mandioca sensíveis plantadas em regiões
de clima não favorável podem não
manifestar a doença.
A severidade da bacteriose está ligada
às amplas flutuações entre
as temperaturas do dia e da noite durante o período
de chuvas.
O uso de ramas contaminadas no plantio é
responsável pela ocorrência da doença
nas lavouras, pela manutenção do
patógeno de um ano para o outro, e pela
disseminação de uma área
para outra. A bactéria pode ser disseminada
entre as plantas através de gotas de água
de chuva associadas a ventos fortes e ferramentas
contaminadas. O patógeno pode sobreviver
em muitas plantas daninhas.
Controle das doenças
O controle das doenças que ocorrem na
cultura da mandioca deve ser feito, basicamente,
de maneira preventiva, não existindo até
o presente momento métodos curativos eficientes
e economicamente viáveis. O uso de produtos
químicos como fungicidas ou bactericidas,
ou adubos foliares, não têm se mostrado
eficientes.
Superalongamento
O superalongamento é uma doença
causada por fungo e os sintomas mais freqüentes
são manchas foliares necróticas,
hipertrofia e cancro nas nervuras, pecíolos
e caules. As folhas atacadas apresentam-se retorcidas
confundindo-se muitas vezes com problemas causados
por herbicidas. As plantas severamente atacadas
apresentam alongamento exagerado dos entrenós
das hastes jovens.
As condições favoráveis
para a ocorrência da doença são
chuvas abundantes e temperaturas em torno de 20
a 22 graus centígrados. Nas chuvas, a disseminação
do fungo é rápida. Particularmente
as variedades Fibra e IAC 13 são muito
sensíveis a esta doença.

Ataque severo do superalongamento
Estratégias de Prevenção
As principais estratégias que o agricultor
pode adotar para prevenir ou reduzir o problema
com doenças são:
- Seleção de um terreno de boa
fertilidade, não muito exposto aos ventos
predominantes;
- Bom preparo do solo, eliminando problemas de
compactação;
- Adubação de acordo com a análise
de solo, pois plantas bem nutridas toleram melhor
as doenças;
- Plantio em épocas adequadas;
- Escolha de variedades mais tolerantes;
- Rigorosa seleção de ramas, principalmente
após a armazenagem em locais muito úmidos;
- Evitar o plantio contínuo de mandioca
na mesma área, efetuando uma rotação
de culturas;
- O uso de culturas intercalares em pequenas áreas
formando quebra ventos podem reduzir a disseminação
da doença pelo vento ou pela água
de chuva;
- Controle adequado do mandarová.
Podridões de raízes
As podridões radiculares são causadas
por uma série de fungos e a incidência
tem aumentado nos últimos anos, principalmente
em anos muito chuvosos.
Os primeiros sintomas observados são
amarelecimento, murcha e queda de folhas. Morte
descendente das hastes também podem ser
observadas na parte aérea, como sintoma
secundário. Parte ou toda a raiz apresentam
sintomas de podridão mole, com odor característico
e escurecimento dos tecidos afetados.
A podridão de raízes é
mais freqüente em solos argilosos mal drenados
e compactados, sujeitos a encharcamentos ou em
solos mistos durante o período de chuvas,
mas podendo ocorrer em solos arenosos. A doença
pode reaparecer nas mesmas áreas nos anos
seguintes, já que os patógenos podem
permanecer no solo por longos períodos. |