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Editorial
2003 um ano de conquistas! 2004 ano de consolidar o setor
No caminho da mecanização
Cresce a área de mandioca no paraná em 38%
Notícias da Embrapa
As lições de 2003
Controle as doenças da Mandioca
Crença num futuro risonho para a fécula de mandioca
Sem tarifas na Alca
Mundo Novo ganha fecularia
Sindicato das Indústrias de Mandioca do Paraná elege diretoria
Mandioca: a raiz do sucesso
Exportando conhecimento
NATIONAL - Líder mundial na fabricação de amidos
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ANO II - Nº5 - Janeiro - Fevereiro/2004


Crença num “futuro risonho” para a fécula de mandioca

ABAM: O amido de mandioca já mostrou que tem condições técnicas para competir com outros amidos, tanto no mercado interno quanto no externo. A instalação de multinacionais no Brasil, que se tornaram associadas da ABAM, como a National Starch, por exemplo, é um indício de que o amido de mandioca é uma matéria-prima que tem lugar garantido junto ao setor industrial?

José Valério: O valor do amido de mandioca é reconhecido por todas as boas companhias de amidos, considerando-se suas características intrínsecas. A National, fazendo parte desse grupo de companhias, não poderia estar alheia a esta riqueza brasileira de origem agrícola. Assim, há alguns anos, tem dedicado uma grande atenção a fécula de mandioca, valorizando todos os envolvidos na cadeia produtiva, desde o agricultor, até o consumidor final. Evidentemente, fazer parte da ABAM é uma conseqüência natural de quem valoriza esta matéria-prima.

ABAM: A National tem hoje muitas parcerias com outras empresas do setor. Outras multinacionais que vieram para o Brasil também já estabeleceram parcerias com agroindústrias de amido de mandioca. Na sua opinião o sistema de parcerias é uma tendência futura para o setor?

José Valério: A National foi precursora da valorização da fécula de mandioca, através do desenvolvimento de parcerias, tentando obter uma cadeia produtiva o mais eficiente possível, originando no cliente final a confiabilidade numa matéria-prima de grande valor. Depois da National outras companhias iniciaram o mesmo processo, o que deve evidenciar que foi reconhecida como uma estratégia de sucesso e de futuro.

ABAM: Qual é seu prognóstico futuro de exploração do amido de mandioca? Deve-se investir mais em amidos modificados? Quais os setores com maior tendência a absorver amidos modificados de mandioca? Para quais finalidades?

José Valério: A utilização de amido de mandioca tem crescido mais rápido que a própria produção, o que demonstra que sua aplicação é cada vez maior, seja sob a forma “in natura“ ou modificada. Relativamente a finalidades, diria que são imensas, desde a área têxtil, passando pela área do papel até alimentícia, e outras que irão descobrir as qualidades desta matéria prima.

ABAM: A National Starch tem-se consolidado como uma importante produtora de amidos modificados de mandioca, para diversos fins, como as indústrias papeleira e alimentícia. Esses produtos são mais absorvidos pelo mercado interno, ou externo? Qual é a previsão de mercado futuro para o amido nesses setores? Eles tendem a aumentar? Quais são os países que mais absorvem amidos modificados?

José Valério: A modificação de amidos está associada à exigência, cada vez maior, do cliente final, exigência essa que impõe modificações para obtenção de características específicas nesse produto final. Esse aumento de exigência está associado ao desenvolvimento do Brasil como consumidor e também como produtor e exportador. Sendo assim , o crescimento é inevitável. Dado o grande pendor exportador do Brasil as aplicações e destinos serão cada vez maiores. Os mercados potenciais imediatos são a Europa e a América do Norte, mas a África será também um objetivo mediato.

ABAM: Percebe-se que está havendo significativo consumo no mercado externo. Na sua opinião o que vai acontecer com o mercado futuro de amido de mandioca? Existe tendência de aumento das exportações?

José Valério: O mercado exportador é sempre balizado pelo preço internacional do produto em questão. No caso de atingir preços incompatíveis com essa realidade internacional, a oportunidade de exportação será prejudicada. Como um bom exemplo temos a mudança radical verificada em 2003, em que o Brasil passou, subitamente, de país exportador a importador de fécula de mandioca. A atitude comercial de preço no mercado brasileiro de fécula de mandioca irá ditar o futuro de exportação deste amido.

ABAM: O segmento de amido de mandioca está passando por um momento de deficiência de matéria-prima, e os preços, tanto da raiz quanto do amido, estão altos. Na sua opinião o que levou a esta situação?

José Valério: Qualquer cadeia logística de um produto agrícola tem que ter um crescimento harmônico, assegurando que o crescimento de aplicações seja acompanhado pelo crescimento do plantio. No caso específico da escassez de amido de mandioca se deve a duas razões: pagamento ao agricultor de raiz abaixo do custo de produção; e, incentivo ao uso de fécula de mandioca em panificação. Considero que estas duas atitudes foram prejudiciais ao setor de mandioca, e ao universo de clientes, retirando um componente imprescindível na cadeia produtiva, que é a regularidade de abastecimento.

 

 

José Luís Queiroz Valério ingressou na National Starch no ano de 1990, em Portugal, para atuar na Divisão de Adesivos. Mudou-se para o Brasil no final de 1994, com o objetivo de trabalhar na fábrica de Trombudo Central, em Santa Catarina, no final de 1994. No ano de 1997 transferiu-se para São Paulo, ficando lotado no escritório central da National Starch/Brasil, da qual é hoje o Diretor-presidente.
Graduado em engenharia química pela Universidade de Lisboa, José Valério, atuou, anteriormente, por 10 anos, como Gerente de Pesquisa e Desenvolvimento para a empresa Tintas na ICI/Sotinco (joint venture) em Portugal. Ele iniciou suas atividades na área industrial em 1975, tão logo concluída a faculdade, atuando como Gerente Industrial de Óleos, Sabões e Detergentes em uma empresa portuguesa, na qual permaneceu por cinco anos.
Nesta entrevista, José Valério fala do setor de amido de mandioca a partir da visão estratégica de uma empresa multinacional, líder mundial na fabricação e fornecimento de amidos e adesivos especiais, cujo complexo industrial é formado por 156 unidades, em 37 países, incluindo o Brasil.

ABAM: O mercado já vive a expectativa de maior oferta de raiz no ano que vem, a partir do aumento do plantio verificado por órgãos de pesquisa. Essas oscilações de oferta têm relação direta com o preço da raiz, visto que, quando o preço está favorável o produtor planta, e, quando o preço cai, a oferta diminui. Como o senhor imagina que se poderia se reduzir a oscilação entre a oferta e a procura, de modo a se buscar um mercado mais estável para as indústrias de amido de mandioca?

José Valério: O pagamento de preço justo ao agricultor, baseado em custos regionais, feitos por entidades oficiais, e o conhecimento do preço da fécula importada, como referência, deveriam nortear a atuação das partes intervenientes nesta cadeia produtiva, tornando-a mais estável.

ABAM: No âmbito de estratégias político-setoriais qual é a análise que o senhor faz da Câmara Setorial da Mandioca, lançada pelo Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues?

José Valério: Esta decisão do Sr. Ministro demonstra sua atenção sobre um setor agrícola importante, e, também, sobre a área social, pois este setor gera muita mão-de-obra e ajuda a fixar no campo o pequeno agricultor, com uma agricultura de baixo risco e bem adaptada para pequenas áreas.

ABAM: Qual é sua opinião sobre o Programa Plantio Responsável de Mandioca, lançado pela ABAM, cuja filosofia está calcada na assinatura de contratos de fornecimento de raiz (entre produtor e indústria)?

José Valério: Esse programa é uma boa decisão, mas, gostaria de referir que esse projeto foi lançado já há alguns anos, pelo menos por duas companhias - uma das quais era a National, criando uma maior integração entre agricultor e industrial. Esse conceito de parceria levará bastantes anos a ser desenvolvido. Contudo, considero que valerá a pena trilhar esse caminho.

ABAM: O setor de amido de mandioca cresceu muito nos últimos anos , chegando a produzir 670 mil toneladas em 2002, como o senhor vê este crescimento para o próximos anos?

José Valério: O ano de 2003, dada a alta de preços e escassez da oferta de fécula de mandioca, provocou uma diminuição do mercado consumidor. Porém, acredito que essa diminuição será temporária e que o setor recomeçará a crescer com vigor adicional. A fécula de mandioca é um excelente produto e acredito num futuro risonho para esta matéria-prima no Brasil.

   
 
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