| Fábio
Isaías Felipe*
O ano de 2003 será lembrado pelo setor
mandioqueiro como atípico. Segundo os próprios
agentes do setor, poucos anos foram iguais a este,
no sentido de preços altos. Os valores
da raiz de mandioca alcançaram altos preços,
devido à reduzida oferta, que se deu em
razão da diminuição da área
plantada nos anos anteriores, e, ao aumento da
demanda pela fécula pelo fato de novos
setores optarem pela utilização
do produto.
A tendência de alta nos preços
da raiz iniciou-se em outubro de 2002 (Gráfico
1). A partir daquele período os preços
só fizeram aumentar chegando a atingir
R$ 350/t em algumas regiões produtoras.
Durante todo o ano foi perceptível a
falta de oferta de raiz, ocorrendo até
mesmo disputa pela mandioca entre a indústria
de farinha que trabalhava com margens maiores
- e a indústria de fécula, que tinha
e tem suas margens reduzidas ou mesmo nulas.
As dificuldades encontradas pela indústria
de fécula foram e continuam sendo muito
grandes, mas o foco principal de todas as empresas
continua sendo o de atender seus clientes.
Notou-se neste cenário que a fécula
de mandioca começou a perder competitividade
para o amido de millho em alguns setores, que
podem optar por essa substituição
em razão dos preços mais altivos
(Gráfico 2). Porém, o setor ainda
acredita na qualidade da fécula de mandioca
e que voltará a conquistar esse mercado.
Nesse sentido, observa-se muitas indústrias
ampliando a capacidade de produção,
fazendo parcerias e buscando ampliar seus mercados.
Foi notado, ainda, durante o ano de 2003 que há
grandes multinacionais acreditando no setor de
amidos no Brasil, nascendo assim novas parcerias
visando atender novos mercados e novas demandas.
Neste momento de dificuldades, o setor mandiqueiro
mostrou-se competente e articulado. A articulação
do setor feculeiro ocorreu em razão de
manter a oferta de matéria-prima e preservar
a competitividade de preços da fécula
de mandioca.
Nesse sentido foi lançada pela ABAM a
campanha Plantio Responsável de Mandioca,
que poderá assegurar a renda do produtor
e o recebimento de matéria-prima pela indústria
de processamento. Além disso, muitas indústrias
estão procurando melhorar a gestão
da matéria-prima.
É certo que muito ainda se tem para fazer
no setor mandioqueiro, mas, realizando um balanço
geral do que foi o ano de 2003, percebe-se claramente
um setor mais organizado, mais articulado, buscando
atender os interesses de todas as pontas da cadeia
produtiva. Ações nesse sentido tendem
a ser duradouras.


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