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Editorial
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No caminho da mecanização
Cresce a área de mandioca no paraná em 38%
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As lições de 2003
Controle as doenças da Mandioca
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ANO II - Nº8 - Setembro - Dezembro/2004


As lições de 2003

Fábio Isaías Felipe*

O ano de 2003 será lembrado pelo setor mandioqueiro como atípico. Segundo os próprios agentes do setor, poucos anos foram iguais a este, no sentido de preços altos. Os valores da raiz de mandioca alcançaram altos preços, devido à reduzida oferta, que se deu em razão da diminuição da área plantada nos anos anteriores, e, ao aumento da demanda pela fécula pelo fato de novos setores optarem pela utilização do produto.

A tendência de alta nos preços da raiz iniciou-se em outubro de 2002 (Gráfico 1). A partir daquele período os preços só fizeram aumentar chegando a atingir R$ 350/t em algumas regiões produtoras.

Durante todo o ano foi perceptível a falta de oferta de raiz, ocorrendo até mesmo disputa pela mandioca entre a indústria de farinha que trabalhava com margens maiores - e a indústria de fécula, que tinha e tem suas margens reduzidas ou mesmo nulas.
As dificuldades encontradas pela indústria de fécula foram e continuam sendo muito grandes, mas o foco principal de todas as empresas continua sendo o de atender seus clientes.

Notou-se neste cenário que a fécula de mandioca começou a perder competitividade para o amido de millho em alguns setores, que podem optar por essa substituição em razão dos preços mais altivos (Gráfico 2). Porém, o setor ainda acredita na qualidade da fécula de mandioca e que voltará a conquistar esse mercado.

Nesse sentido, observa-se muitas indústrias ampliando a capacidade de produção, fazendo parcerias e buscando ampliar seus mercados. Foi notado, ainda, durante o ano de 2003 que há grandes multinacionais acreditando no setor de amidos no Brasil, nascendo assim novas parcerias visando atender novos mercados e novas demandas.

Neste momento de dificuldades, o setor mandiqueiro mostrou-se competente e articulado. A articulação do setor feculeiro ocorreu em razão de manter a oferta de matéria-prima e preservar a competitividade de preços da fécula de mandioca.

Nesse sentido foi lançada pela ABAM a campanha Plantio Responsável de Mandioca, que poderá assegurar a renda do produtor e o recebimento de matéria-prima pela indústria de processamento. Além disso, muitas indústrias estão procurando melhorar a gestão da matéria-prima.

É certo que muito ainda se tem para fazer no setor mandioqueiro, mas, realizando um balanço geral do que foi o ano de 2003, percebe-se claramente um setor mais organizado, mais articulado, buscando atender os interesses de todas as pontas da cadeia produtiva. Ações nesse sentido tendem a ser duradouras.

 

(*) Fábio Isaías Felipe
é pesquisador do
CEPEA /ESALQ
/USP

   
 
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