Nesta Edição
Editorial
2003 um ano de conquistas! 2004 ano de consolidar o setor
No caminho da mecanização
Cresce a área de mandioca no paraná em 38%
Notícias da Embrapa
As lições de 2003
Controle as doenças da Mandioca
Crença num futuro risonho para a fécula de mandioca
Sem tarifas na Alca
Mundo Novo ganha fecularia
Sindicato das Indústrias de Mandioca do Paraná elege diretoria
Mandioca: a raiz do sucesso
Exportando conhecimento
NATIONAL - Líder mundial na fabricação de amidos
AVEBE - Enfoque estratégico no Brasil
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ANO II - Nº5 - Janeiro - Fevereiro/2004


No Caminho da Mecanização

Na hora de arrancar a mandioca a maior dificuldade do produtor está na própria terra. Se não chove o solo fica duro, e é difícil puxar a raiz. Alternativa de solução para o problema está nas máquinas colheitadeiras. Já existem protótipos em teste no Brasil, como a colheitadeira Interplan 2002; e outras, sem nome, como a máquina utilizada pela Indemil Indústria e Comércio Ltda., empresa associada à ABAM, e uma outra, usada pela Amidos Naviraí, também associada à ABAM.
A Interplan 2002 foi desenvolvida pelo engenheiro agrônomo alemão Diethelm Hammer, diplomado pelo "Institut Fuer Agrartechnik", da Universidade Stuttgart-Hohenheim, na Alemanha, que é socio-gerente da Interplan Agropecuária Ltda. de Itararé/SP, que atua no Brasil, no ramo de prestação de serviços ao setor agropecuário.

A máquina usada pela Indemil, surgiu da própria necessidade do produtor rural Aparecido Yoshifumi Tajiri, de Guaíra/PR, que desenhou e adaptou peças já existentes no mercado. A terceira máquina da qual se conseguiu informações foi desenvolvida pelo Gerente Agrícola da Amidos Naviraí, Ervino Avelino Alves, que começou a desenvolver tecnologias nesse sentido 12 anos atrás, chegando a fazer testes de um protótipo. Ele também trabalhou por dois ou três anos com Hammer na adaptação da Interplan, e se dedica agora ao seu próprio projeto.

Diethel Hammer começou a desenvolver o projeto da Interplan por iniciativa própria, no ano de 1992. Produziu uma única máquina, a qual informa ter registrado no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial). Ele conta que ao longo do período de testes o projeto foi modificado diversas vezes, de modo a atender as necessidades dos produtores.

Dentre as alterações sofridas pelo projeto inicial está a mudança da colheitadeira de uma linha para duas linhas. A máquina arranca duas linhas de mandioca e deposita a raiz inteira em leiras na superficie. A próxima etapa de adaptação, para melhores resultados da máquina, visa o carregamento e a classificação (despenica) da raiz.

NECESSIDADE DA INDÚSTRIA

Face à grande necessidade de raiz, diante do significativo crescimento do mercado de amido de mandioca, os agroindustriais do setor clamam por soluções que atendam essas necessidades. “Seria a grande reviravolta em termos de produção, pois se atrairia para o setor grandes produtores rurais. É o que está faltando para o mercado”, pondera o Diretor Industrial da Indústria Agro Comercial Cassava, Cláudio Vítor Ohf.

Ohf considera que, para que o setor de mandioca tenha condições de competir com o soja e o milho, cuja mecanização agrícola está bastante avançada, é preciso que se desenvolvam tecnologias para o plantio. “Já temos plantadeira de mandioca até quatro linhas. Precisamos agora uma máquina para o arranquio”, argumenta.

Em sua análise, a mecanização do arranquio traria um “prolongamento da vida da cultura da mandioca, propiciando maior geração de empregos em outras etapas da cadeia produtiva, como as agroindústrias. “Com maior oferta de raiz haveria maior operacionalização no setor fabril, com conseqüente aumento na oferta de empregos”, projeta Ohf.

No Oeste do Paraná, região de grande importância na produção de mandioca, há dificuldade de se conseguir mão-de-obra para o arranquio. “Aqui no Oeste não tem mais quem queira arrancar mandioca. É um serviço muito bruto. Além disso, há problemas acerca da legalização desse pessoal”, argumenta o Sócio-diretor da Agrícola Horizonte, associada da ABAM, Osvino Ricardi.

Na concepção de Ricardi, “é necessária a mecanização, sob risco de se reduzir cada vez mais o plantio de mandioca na região, se perdendo espaço para outras culturas, que estão mais avançadas nesta etapa do processo”. Na visão do industrial o próprio setor poderia financiar uma máquina que atendesse as necessidades do produtor rural. “Com uma máquina assim os pequenos produtores da região Oeste poderiam se unir em consórcio para contratar o serviço de arranquio”, salienta.

O Presidente da ABAM, João Eduardo Pasquini, fala que até bem pouco tempo não se imaginava que uma máquina pudesse plantar mandioca, e hoje o mercado conta com uma máquina de quatro linhas, que planta 20 alqueires por dia. “O arranquio é hoje um dos maiores problemas do setor. Uma máquina que possa contribuir nessa tarefa é de fundamental importância para suprimir o problema”, destaca.

As idéias pipocam. Há quem gaste tempo em busca de soluções que tragam benefícios para o setor. O entrave está na adaptação das idéias às necessidades do produtor e à disponibilidade de recursos para investimento nos protótipos já disponíveis.

 

FUNCIONAMENTO

A Interplan 2002 prende o talo da planta e a puxa, durante a passagem da máquina, cuidadosamente, para fora do solo, evitando, conforme Hammer, perdas e quebras de raiz. “O processo de trabalho é contínuo, e não exige mais força do trator do que os fofadores comumente usados”, assegura.

Segundo o engenheiro, é possível colher dois alqueires de mandioca por dia, mesmo durante períodos de seca. Ele conta que foram realizados diversos testes nos 10 anos de desenvolvimento da máquina, em que se chegou a arrancar até 150 toneladas de raiz por dia. “Em função de apresentar menos perdas e quebras de raízes a quantidade de raiz colhida aumentou entre 800 a 1000 quilos por hectare, em comparação com a colheita manual nas mesmas áreas”, observa.

De acordo com ele, o custo da mão-de-obra foi reduzido pela metade; e o rendimento por pessoa envolvida na colheita chegou até sete toneladas de raiz por dia. “Durante os testes a máquina arrancou mais de 100 alqueires de mandioca em diversos tipos de solos - arenosos, argilosos e compactados”, salienta.

A intenção do engenheiro é encontrar parceiros, no Brasil, para a fabricação e distribuição da máquina em âmbito comercial. O custo de fabricação, conforme ele, varia de acordo com vários fatores, incluindo a importação de peças. Contudo, salienta que, estipulando-se o preço de venda em torno de R$ 50 mil, no primeiro mês de uso a máquina se pagaria.


Máquina usada pela Indemil utiliza quatorze operários para despenicar a raiz

MODELO IDEAL

A máquina desenvolvida pelo produtor Aparecido Yoshifumi Tajiri roça a lavoura, afofa o solo, arranca as raízes, as despenica e as carrega dentro de sacolões. Na verdade, a máquina é responsável pelas duas primeiras etapas da colheita. “As fases de despenicação (separação da raiz da maniva) e inserção das raízes no sacolão são feitas manualmente, por 14 operários, que ficam dispostos numa espécie de rampa adaptada à máquina”, explica Sílvio Gonçalo, Técnico da Indemil.

Gonçalo, assim como o inventor da máquina, falam que o protótipo ainda não conseguiu atingir um modelo ideal de solução para as necessidades dos produtores. “Fiz modificações em relação ao primeiro protótipo, com melhor configuração. Contudo, ainda não está ideal. Hoje faria outro modelo de máquina”, diz Tajiri.

As dificuldades do equipamento, segundo Gonçalo e Tajiri, vão da quebra de raiz, no momento do arranquio, ao rendimento (esperava-se um alqueire/dia e se atingiu 75% dessa expectativa); e, também, em relação à demanda de potência do trator.

Tajiri conta que já tentou conseguir parceiros para a produção da máquina comercialmente. Porém, as respostas que sempre ouviu é que o modelo apresentado demandaria uma linha de montagem específica, que representaria investimentos altos para a pretensa indústria fabricante.

PASSO À FRENTE

O Gerente Agrícola da Amidos Naviraí explica que a máquina que desenvolveu funciona num sistema de correias para se fazer a tração dos pés de mandioca, tendo capacidade para colher dois alqueires/dia, trabalhando em duas linhas. Ele fala que, quanto mais seco o solo melhor para a máquina, pois ela foi moldada justamente pra trabalhar com solos assim.

Atualmente ele está testando uma nova solução para a máquina: um despenicador de raiz, que é acoplado à colheitadeira. “Hoje, a raiz fica no solo. O despenicador vai resolver o problema, fazendo a despenica e jogando a raiz em caminhões. Vai funcionar como uma colheitadeira de soja - automotrix”, explica.

Atualmente, a máquina só é usada pela Amidos Naviraí. Mas Alves conta que há um grupo interessado em incentivar a produção em âmbito comercial. Ele quer buscar parceiros e patentear a máquina, visando sua exploração comercial.

   
 
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