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ANO II - Nº5 - Janeiro - Fevereiro/2004

 

Mandioca: a raiz do sucesso

Paulo Henrique Interliche (*)

A mandioca é um dos mais importantes alimentos para o homem e para os animais. Com a mandioca se faz tudo e de todas as formas: sopa, bolo, pão, macarrão, farinha, etc. Pode ser consumida cozida, frita e assada, com carne ou com café. É um alimento barato, saudável e fácil de preparar.

Na indústria, tem larga utilização: farmacêutica, têxtil, perfuração de poços de petróleo e na indústria de papel, sendo ainda que pode substituir derivados de trigo na indústria alimentar. No momento um novo horizonte tem despertado para a utilização deste amido que são os biopolímeros.

A cultura de mandioca, uma das mais difundidas entre nós, não tem restrições quanto às condições do solo e do clima, daí porque é encontrada em todas as regiões do Brasil. O Brasil tinha, em 1996, segundo o IBGE, 1.617.053 hectares (1 hectare = 10.000 metros quadrados) plantados com mandioca.

O consumo médio de mandioca, no Brasil, é perto de 01 kg/pessoa/ano e de 3,7 kg/pessoa/ano de farinha de mandioca. O maior consumidor de mandioca é o portoalegrense (em torno de 3 Kg/pessoa/ano) e a maior consumidora de farinha de mandioca é a população de Belém (cerca de 34 kg/pessoa/ano).

A área de mandioca no Estado de São Paulo é de 46.410 hectares (0,8% da área com culturas), distribuída entre 10.500 propriedades rurais (4% do total). A produção, segundo o Instituto de Economia Agrícola, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento é de 679.283 toneladas de raiz. O valor total da produção foi de R$ 59.457.800,00 (R$ 27.674.400,00 de mesa e 31.783.327,00 de indústria) em 1998.

A cultura participou com 06% do valor total bruto da agropecuária de São Paulo em 1998. Além disso, gera em torno de 50.000 empregos no segmento da produção e mais ou menos 70.000 no agronegócio como um todo. O custo de produção de um hectare de mandioca é de, aproximadamente, R$ 600,00. A receita bruta gira em torno de R$ 1.300,00. Proporcionando uma receita líquida em torno de R$ 700,00.

Na Região de Registro, no Vale do Ribeira, de cada 10 propriedades rurais dois têm mandioca. É plantada, principalmente, por pequenos produtores e utilizada na propriedade, tanto para consumo próprio, quanto para seus animais. A área média das lavouras é de 800 metros quadrados (40 m x 20m).

Na Região de Assis, principal produtora de mandioca do Estado, somente duas em cada 100 propriedades rurais têm mandioca. São áreas grandes, se comparadas com Registro, com média de 4 hectares. Esta região produz principalmente mandioca para indústria. Os 16 municípios que a compreendem têm aproximadamente 1.500 hectares plantados com mandioca e produzem em torno de 190.000 toneladas/ano de raiz, sendo 185.600 toneladas para fins industriais.

 

A Região de Mogi Mirim, com onze municípios, é a principal produtora de mandioca para mesa. Produz 27.600 toneladas/ano de mandioca para indústria e 19.000 toneladas para mesa.

O município do Estado de São Paulo com maior número de propriedades que plantam a cultura, segundo o Levantamento Censitário de Unidades de Produção Agrícola LUPA, realizado pela Secretaria da Agricultura em 1995/96, é Pedro de Toledo (316 propriedades), já em termos de área é a cidade de Ibirarema com 1.628 hectares.

A produtividade da cultura da mandioca em São Paulo geralmente é boa, se destacando a nível mundial, ficando em torno de 23 toneladas/hectares/ano. Culturas bem conduzidas chegam a alcançar 35 toneladas/hectares/ano, podendo atingir produtividades muito superiores a estas. Alguns problemas são limitantes a essa evolução: má qualidade das manivas (ramas usadas no plantio) e baixo nível tecnológico empregado.

As culturas, na sua grande maioria, são plantadas com manivas de reduzido potencial de produção e portadoras de “bacteriose” (principal doença da cultura). Por ser rústica e pouco exigente no entender dos produtores - poucos cuidados são dispensados à cultura em termos de correção do solo, adubação, controle de doenças e pragas, controle de ervas daninhas, etc. São essas as principais razões da baixa produtividade e baixa rentabilidade, mesmo tendo a cultura alto potencial de retorno financeiro.

A Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, através das Casas da Agricultura, elaborou e está desenvolvendo, em parceria com os produtores, Administrações Municipais e Indústrias, o “Programa Estadual de Mandioca”. O objetivo é a introdução de manivas de boa qualidade e o uso de melhores e mais eficientes tecnologias de produção. O que se pretende é aumentar a produtividade atual de 23 toneladas/hectares/ano para 35 toneladas/hectares/ano em 05 anos.

O Programa busca concentrar os esforços necessários o desenvolvimento desta promissora cultura que, apesar de milenar, tem dado aos produtores rurais de São Paulo grandes possibilidades de melhoria na sua qualidade de vida.

Engenheiro Agrônomo do CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) do
Estado de São Paulo.
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