| Paulo
Henrique Interliche (*)
A mandioca é um dos mais importantes alimentos
para o homem e para os animais. Com a mandioca
se faz tudo e de todas as formas: sopa, bolo,
pão, macarrão, farinha, etc. Pode
ser consumida cozida, frita e assada, com carne
ou com café. É um alimento barato,
saudável e fácil de preparar.
Na indústria, tem larga utilização:
farmacêutica, têxtil, perfuração
de poços de petróleo e na indústria
de papel, sendo ainda que pode substituir derivados
de trigo na indústria alimentar. No momento
um novo horizonte tem despertado para a utilização
deste amido que são os biopolímeros.
A cultura de mandioca, uma das mais difundidas
entre nós, não tem restrições
quanto às condições do solo
e do clima, daí porque é encontrada
em todas as regiões do Brasil. O Brasil
tinha, em 1996, segundo o IBGE, 1.617.053 hectares
(1 hectare = 10.000 metros quadrados) plantados
com mandioca.
O consumo médio de mandioca, no Brasil,
é perto de 01 kg/pessoa/ano e de 3,7 kg/pessoa/ano
de farinha de mandioca. O maior consumidor de
mandioca é o portoalegrense (em torno de
3 Kg/pessoa/ano) e a maior consumidora de farinha
de mandioca é a população
de Belém (cerca de 34 kg/pessoa/ano).
A área de mandioca no Estado de São
Paulo é de 46.410 hectares (0,8% da área
com culturas), distribuída entre 10.500
propriedades rurais (4% do total). A produção,
segundo o Instituto de Economia Agrícola,
da Secretaria de Agricultura e Abastecimento é
de 679.283 toneladas de raiz. O valor total da
produção foi de R$ 59.457.800,00
(R$ 27.674.400,00 de mesa e 31.783.327,00 de indústria)
em 1998.
A cultura participou com 06% do valor total
bruto da agropecuária de São Paulo
em 1998. Além disso, gera em torno de 50.000
empregos no segmento da produção
e mais ou menos 70.000 no agronegócio como
um todo. O custo de produção de
um hectare de mandioca é de, aproximadamente,
R$ 600,00. A receita bruta gira em torno de R$
1.300,00. Proporcionando uma receita líquida
em torno de R$ 700,00.
Na Região de Registro, no Vale do Ribeira,
de cada 10 propriedades rurais dois têm
mandioca. É plantada, principalmente, por
pequenos produtores e utilizada na propriedade,
tanto para consumo próprio, quanto para
seus animais. A área média das lavouras
é de 800 metros quadrados (40 m x 20m).
Na Região de Assis, principal produtora
de mandioca do Estado, somente duas em cada 100
propriedades rurais têm mandioca. São
áreas grandes, se comparadas com Registro,
com média de 4 hectares. Esta região
produz principalmente mandioca para indústria.
Os 16 municípios que a compreendem têm
aproximadamente 1.500 hectares plantados com mandioca
e produzem em torno de 190.000 toneladas/ano de
raiz, sendo 185.600 toneladas para fins industriais.
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A
Região de Mogi Mirim, com onze municípios,
é a principal produtora de mandioca para
mesa. Produz 27.600 toneladas/ano de mandioca
para indústria e 19.000 toneladas para
mesa.
O município do Estado de São Paulo
com maior número de propriedades que plantam
a cultura, segundo o Levantamento Censitário
de Unidades de Produção Agrícola
LUPA, realizado pela Secretaria da Agricultura
em 1995/96, é Pedro de Toledo (316 propriedades),
já em termos de área é a
cidade de Ibirarema com 1.628 hectares.
A produtividade da cultura da mandioca em São
Paulo geralmente é boa, se destacando a
nível mundial, ficando em torno de 23 toneladas/hectares/ano.
Culturas bem conduzidas chegam a alcançar
35 toneladas/hectares/ano, podendo atingir produtividades
muito superiores a estas. Alguns problemas são
limitantes a essa evolução: má
qualidade das manivas (ramas usadas no plantio)
e baixo nível tecnológico empregado.
As culturas, na sua grande maioria, são
plantadas com manivas de reduzido potencial de
produção e portadoras de “bacteriose”
(principal doença da cultura). Por ser
rústica e pouco exigente no entender dos
produtores - poucos cuidados são dispensados
à cultura em termos de correção
do solo, adubação, controle de doenças
e pragas, controle de ervas daninhas, etc. São
essas as principais razões da baixa produtividade
e baixa rentabilidade, mesmo tendo a cultura alto
potencial de retorno financeiro.
A Coordenadoria de Assistência Técnica
Integral (CATI), da Secretaria de Agricultura
e Abastecimento, através das Casas da Agricultura,
elaborou e está desenvolvendo, em parceria
com os produtores, Administrações
Municipais e Indústrias, o “Programa
Estadual de Mandioca”. O objetivo é
a introdução de manivas de boa qualidade
e o uso de melhores e mais eficientes tecnologias
de produção. O que se pretende é
aumentar a produtividade atual de 23 toneladas/hectares/ano
para 35 toneladas/hectares/ano em 05 anos.
O Programa busca concentrar os esforços
necessários o desenvolvimento desta promissora
cultura que, apesar de milenar, tem dado aos produtores
rurais de São Paulo grandes possibilidades
de melhoria na sua qualidade de vida.
Engenheiro Agrônomo
do CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica
Integral) do
Estado de São Paulo.
site www.iea.sp.gov.br
E.mail - phinterliche@cati.sp.gov.br |