Nesta Edição
Editorial
Produção de Amido deve aumentar 44% em 2004
Plantio Responsável
Câmara Setorial
Notas Rápidas
Convênio CEPEA / ABAM
Perspectiva para a agroindústria da mandioca no Brasil
Notícias da Embrapa
Bons preços acabam com a entressafra da mandioca
Entrevista - Helmut Tiedtke
A lagarta mandarová da mandioca e seu controle
National Starch - Aposta Alto no Amido
Embrapa incentiva pesquisas do setor
ONG Raízes publica na Internet livros sobre mandioca
Suporte para produtos desidratados por spay dryer: mercado potencial para amido de mandioca
Pilão Amidos - Salto de qualidade em produção de amidos
Amafil - Qualidade do produto assegura mercado consumidor
Mani Branca
Destaques
 
Outras Revistas
ANO II - Nº6 - Março - Maio/2004


Foco da Avebe está voltado ao amido de mandioca

Entrevista HELMUT TIEDTKE

Helmut Tiedtke, Diretor Operacional da Avebe Guairá, desde setembro do ano 2000, ingressou na indústria desde o ano de 1986. Durante 10 anos ocupou o cargo de gerente de uma indústria de amido de batata na Alemanha, com capacidade para produzir 110 mil t/ano de amido.

No período de 1996 a 2000 exerceu a função de Gerente Internacional de Projetos em projetos industriais na Polônia, Eslováquia, Holanda, França, Tailândia e Indonésia. Nascido em 11 de julho de 1955, e formado em Engenharia Elétrica, pela Universidade de Hamburgo na Alemanha, Tiedtke é hoje um dos executivos responsáveis pela expansão dos negócios da Avebe no Brasil.

Nesta entrevista à Revista ABAM ele fala sobre as estratégias de atuação da Avebe; tendências do mercado de amido; exportações; sobre as razões que levaram a indústria holandesa a disputar espaço no mercado brasileiro; e, sobre a substituição do amido de batata pelo amido de mandioca na Europa, a partir da redução escalonada dos subsídios ao produtor de batata naquele Continente.


ABAM - Originada de uma cooperativa de produtores de amido de batata, da Holanda, a Avebe volta agora suas atenções ao amido de mandioca, revelando esse interesse através de parcerias firmadas com indústrias do setor. O que levou a empresa a adotar essa dinâmica, buscando o Brasil como área estratégica?

Tiedtke - O amido de mandioca já pertence há bastante tempo ao nosso portfólio de atividades. Nosso recente começo no Brasil é a continuação natural da nossa estratégia de diversificação de matéria-prima. O impressionante desenvolvimento sustentável da economia brasileira atraiu nossa atenção para também realizar um papel adequado neste país, onde a cultura de mandioca industrial é altamente desenvolvida.

ABAM - A redução dos subsídios à cultura da batata na Europa é citada como grande propulsora do setor de amido de mandioca, que é considerado o substituto mais adequado ao amido de batata, em diversos setores industriais. Como se processarão as mudanças que vão acontecer no mercado a partir da perda total dos subsídios à batata. Que mudanças aconteceram até agora no processo de redução desses subsídios?

Tiedtke - Eu não iria tão longe em pensar em uma perda inteira dos subsídios na Europa, pelo menos não durante a próxima década. A política européia, como resultado da amplificação histórica dos países membros, e sua responsabilidade econômica mundial crescida, respectivamente, tiveram que ser reformadas substancialmente. Os subsídios já não serão vinculados a volumes de produção, mas diretamente para a renda dos fazendeiros. Este processo tem sido implementado dando aos fazendeiros e à indústria tempo para ser aprovado. Em se tratando dos novos países membros, muitos deles têm condições similares às do Brasil, que precisa de tempo para reestruturar seus setores agroindustriais. Porém, a situação desafia toda a indústria de amido de batata, e a AVEBE em particular, por ser o maior jogador. Como conseqüência deste processo em relação às competições de outras fontes de amidos a Europa, sem dúvida, crescerá. Devido à semelhança intrínseca do amido de mandioca com o amido de batata, e a existência de experiências de mandioca, a Avebe terá um forte foco nesta matéria-prima tropical.

ABAM - Que tendências do mercado europeu o senhor considera viáveis para implantação no Brasil, a partir dos resultados positivos alcançados pela Avebe nesse 84 anos de atuação no mercado de amido?

Tiedtke - Com particular lembrança para a indústria de papel, como o grande consumidor do grupo de "não" amido de açúcar, pelo menos parcialmente, não há dúvida que já há estruturas comparáveis da Europa. O foco internacional e o tamanho crescente das unidades de grandes grupos de papel empurrarão as indústrias de amido de mandioca para estabelecer uma maior estabilidade no fornecimento da matéria-prima. O mesmo acontece para o crescimento das exigências de qualidade, que requerem a modernização e aumento da escala da indústria de amido do Brasil.

ABAM - A Avebe planeja investir na implantação de indústrias de produção de amido de mandioca, ou adotará a estratégia de firmar parcerias com empresas brasileiras já em funcionamento no país?

Tiedtke - Nós procuraremos soluções diferentes para segmentos diferentes. Um item fundamental é nossa tecnologia, a qual nós não compartilharemos facilmente. Em áreas sensíveis sabemos como nós iremos agir, por nossa própria solução. Em áreas de menos sensibilidade nós estamos abertos para cooperação. Desde que a maneira mais econômica de estruturar a base da produção de mandioca é integrar a cadeia de valores agregados este é o modelo que preferirmos.

ABAM - Qual é sua visão de futuro quanto à exploração do amido de mandioca? Deve-se investir mais em amidos modificados?

Tiedtke - Há somente alguns segmentos os quais podem ser considerados, que são o mercado interno para amido de mandioca. Usualmente amido de mandioca compete contra amidos de outras fontes como milho, trigo ou batata. A chave para o crescimento sustentável em relação ao cultivo da mandioca é a competição contra outros mencionados. No cultivo da Mandioca falta competição, realmente em termos de produtividade e mecanização. Colocando a mandioca no seu lugar de mercado, esta área exige mais profissionalismo. Nosso conceito é transferir as propriedades naturais da mandioca às várias aplicações por meio de tecnologia avançada e como saber. Para isto nós construiremos também instalações de produção no Brasil.

 

ABAM - O mercado externo tem-se revelado um importante consumidor de amido de mandioca. Em sua análise, o que deve acontecer com o mercado futuro de amido de mandioca? A Europa deverá abocanhar a maior parte do amido de mandioca brasileiro?

Tiedtke - Uma vez que o ponto fraco da produtividade e mecanização é resolvido o amido derivado da mandioca terá um grande futuro em todos os mercados internacionais. Como mencionado acima, amidos vindos de fora do continente europeu terão mais competitividade na Europa em anos futuros. Exportações para a Europa terão uma grande fatia das destinações dos amidos brasileiros.

ABAM - A Avebe tem assegurado sua participação no mercado estabelecendo-se em diversas partes do mundo. Em que países a empresa se faz presente hoje, e quais mercados pretende ainda explorar, em se falando de amido de mandioca?

Tiedtke - Eu entendo sua pergunta geograficamente. Há uma longa lista de países nos quais nós estamos negociando. Para mencionar somente os países onde nós estamos com instalações de produção operacional: Holanda, França, Alemanha, Suécia, Tailândia, Indonésia, E.U.A., Brasil e Argentina. Nós temos um foco forte na região do Pacífico Asiático, e desejamos aumentar nossa participação na América Latina, particularmente no Brasil.

ABAM - Nascida da união de produtores rurais a Avebe prega a filosofia de trabalhar em parceria com os produtores de mandioca. Qual é a estratégia adotada pela empresa no sentido de promover essa aproximação e assegurar o fornecimento da matéria-prima necessária a sua demanda?

Tiedtke - Uma parceria sustentável é sempre construída com base nos princípios de confiança e lealdade. Em todos os locais nós nos relacionamos com fazendeiros, e esta é nossa principal atitude. A base destas relações se apóia em dois pilares: preços estáveis, unidos à moeda corrente internacional; e, fazendeiros auxiliados na busca da melhoria da produtividade. Nós estamos pensando em auxiliar os fazendeiros em vários campos: técnico, apoio de tecnologia, financiamento de colheita, conselho, R&D, transferência de conhecimento, transporte de raiz, serviço de colheita, entre muitas outras atividades.

ABAM - A Avebe tem planos de investir no plantio de raiz com a finalidade de assegurar a matéria-prima necessária ao seu consumo?

Tiedtke - Para um período de transição para assegurar nossas exportações nós consideramos o plantio uma possível alternativa. Mas, basicamente, nós não o faremos, o que os agricultores fazem melhor.

ABAM - Depois de passar por alguns meses de reduzida oferta de raiz o mercado começa a "esquentar" novamente, e já vive a expectativa de aumento do ritmo da produção industrial. Oscilações entre oferta e procura são constantes nesse mercado, e têm relação com a questão preço, visto que sempre que os preços estão baixos há pouco plantio e quando os preços sobem o plantio aumenta. De que maneira, na sua opinião, se poderia reduzir, ou eliminar, este problema, se assegurando maior estabilidade ao mercado de amido de mandioca?

Tiedtke - Maiores volumes de exportações, e um correto contexto político. Mais volumes de amido irão diminuir a ligação para o mercado de farinha. Com mais exportações, a estabilidade acontecerá. A política deve acompanhar este processo para haver mais profissionalismo nos lados agrícola e industrial.

ABAM - A estratégia adotada pela ABAM, para assegurar melhores níveis de oferta de raiz, é o programa Plantio Responsável de Mandioca, lançado no ano passado, em que se fixa um valor mínimo da tonelada para pagamento ao produtor que assina contrato de fornecimento com determinada indústria. Qual é sua opinião a respeito deste instrumento?

Tiedtke - Aliar todo os esforços para estabilidade, fixando condições mínimas de lucratividade para os fazendeiros, é certamente uma sábia estratégia. Ainda há um caminho para se alcançar: um equilíbrio certo entre oferta e demanda. Agora é responsabilidade dos agricultores, da indústria e da política manter as promessas que foram feitas durante a crise em um momento futuro.

   
 
© 2000-2008 .:ABAM:. Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca
Avenida Rio Grande do Norte, 1330 - CEP: 87701-020 - Fone: (44)3422-8217 / 3422-6490
Paranavaí - Paraná