| A
lagarta mandarová é a praga mais
importante na cultura da mandioca, devido aos
danos diretos provocados pela desfolha, destruição
de hastes e de brotações ocasionando
redução da produtividade das raízes
assim como os teores de amido.
Em ataques mais severos podem até provocar
a morte das plantas, dependendo da idade. Além
disso, facilitam a entrada de doenças através
dos ferimentos e lesões.
No Brasil surgem, principalmente, durante os
períodos de setembro a fevereiro, com ataques
diferenciados conforme as regiões, e estão,
normalmente, associados às altas temperaturas
e ao início da estação chuvosa.
Podem não ocorrer em determinados anos.
Quando as plantas estão desfolhadas e
danificadas, as lagartas podem migrar para áreas
próximas com bastante rapidez e eficácia.
Reduções entre 10% e 50% na produção
de raízes têm sido calculadas, dependendo
da idade da planta e da intensidade do ataque,
segundo pesquisadores especializados.
Em plantações mais desenvolvidas,
os prejuízos são indiretos, pois
com a destruição da folhagem, haverá
uma rebrota utilizando-se reservas das raízes
que se tornam aguadas, com redução
dos teores de amido.
Estudos em laboratório demonstraram que
as lagartas podem consumir em média até
seis folhas durante seu ciclo de vida, sendo 75%
consumido no seu ultimo estágio de crescimento.
Além dos prejuízos diretos na produção
decorrentes da desfolha, a qualidade das ramas
para o próximo plantio também pode
ser afetada.
Ciclo do mandarová
A mariposa do mandarová põe seus
ovos durante a noite, principalmente na parte
superior das folhas, que são depositados
de forma irregular, de dois até dez ovos
por folha.
O número de ovos por fêmea é
variável, com a postura máxima de
trinta ovos, segundo observações
efetuadas por pesquisadores. A vida média
da mariposa é de cinco dias.
O ovo de mandarová é oval e liso,
medindo aproximadamente 1,5 milímetros
de diâmetro. Após a postura é
brilhante e de cor verde, passando à amarela
com grande número de pontuações
avermelhadas após 24 horas
O período médio de incubação
do ovo varia de dois a seis dias. Quando são
encontrados ovos de coloração escura
tendendo para o preto, significam que estão
parasitados por outros inimigos naturais.
O mandarová da mandioca cresce e se desenvolve
passando por cinco estágios larvais para
atingir o seu máximo desenvolvimento. A
lagarta recém- nascida mede, aproximadamente,
cinco milímetros de comprimento, de coloração
amarelada a pálida, com a parte dorsal
ligeiramente esverdeada. No segundo estágio
muda um pouco, apresentando coloração
cinza escura, e, após a ingestão
de algum alimento, adquire cor verde.
A lagarta durante sua vida pode apresentar coloração
desde verde, verde-azulado, verde acinzentado,
verde queimado, cinza azulado, marrom avermelhado,
preto e amarelo.
Embora alguns pesquisadores admitam que a coloração
da lagarta seja simplesmente uma alteração
em função do ambiente, muitos agricultores
têm observado que as lagartas escuras são
mais vorazes e resistentes. Para tanto, são
necessários mais estudos sobre o assunto.
Ao atingirem o máximo desenvolvimento
medindo 10 a 12 centímetros, param de comer,
migram para o solo e procuram um local fofo e
úmido, debaixo de restos de palha, de folhas
secas ou galhos e troncos de árvores caídos,
onde se enterram ao redor de 5 centímetros
de profundidade e completam o ciclo de pupa.
O mandarová, na fase de pupa, apresenta
coloração variável de castanho
claro a castanho escuro, com algumas estrias pretas.
O tamanho da pupa varia de 4 a 6 centímetros
de comprimento. Este período varia de 15
a 30 dias.
O ciclo total de vida do mandarová, da
fase de ovo até a emergência do adulto,
varia entre 26 e 55 dias, dependendo das condições
climáticas. Quanto maior a temperatura
ambiente mais curto é o seu ciclo.
Controle através do Baculovirus
O Baculovirus é um vírus de ocorrência
natural que pode ser produzido e manipulado na
própria lavoura. Apresenta grande vantagem,
pois não afeta os insetos úteis,
não interferem na fisiologia das plantas,
são totalmente inócuos ao homem
e outros animais, de fácil manuseio e seguro.
Dependendo do estágio da lagarta pode substituir
os inseticidas.
A ação do Baculovirus ocorre através
da sua ingestão juntamente com as folhas
pulverizadas, provocando lesões internas
até a destruição total dos
órgãos. Os sintomas iniciais da
doença surgem aproximadamente após
quatro dias da pulverização, quando
as lagartas doentes perdem o apetite, reduzem
a locomoção e apresentam amolecimento
gradativo do corpo, que se torna pálido,
culminando com a morte após sete dias.
A característica marcante que identifica
a morte provocada pelo Baculovirus é que
as lagartas ficam dependuradas de cabeça
para baixo, nos talos de regiões mais altas
da planta de mandioca. No caso do Baculovirus
ser usado em lagarta mais desenvolvida, os efeitos
poderão ocorrer na fase de pupa e nas mariposas,
que podem nascer com defeitos nas asas e esterilidade.
A vistoria constante e permanente da lavoura,
observando-se a presença de ovos e de lagartas
pequenas do mandarová, é essencial
para a tomada de decisão sobre a necessidade
ou não de algum método de controle.
Especificamente no caso do mandarová,
as plantas de mandioca mais novas, com cinco a
seis meses, merecem mais atenção
devido aos danos diretos que a praga pode ocasionar.
Entretanto, plantações mais velhas
também podem sofrer danos severos.
O uso de Baculovirus como "inseticida biológico",
embora este seja de ocorrência natural,
só foi possível após o desenvolvimento
da tecnologia de manipulação efetuada
pela pesquisadora Áurea Schmitt, da Empresa
Catarinense de Pesquisa Agropecuária.
O Baculovirus pode ser obtido a partir de lagartas
infectadas recém mortas coletadas no campo,
maceradas, peneiradas através de pano fino
e o seu suco armazenado em pequenos frascos de
plástico no congelador.
Manejo do baculovirus para o controle
do mandarová
A presença de cinco a sete lagartas pequenas,
com até 3 centímetros por planta,
indica o momento de se proceder à pulverização
com Baculovirus. Este número é flexível,
pois depende também da idade da planta,
visto que, caso as lagartas atinjam estágio
de desenvolvimento mais avançado, o vírus
não terá tempo suficiente para matá-las
antes de se tornarem pupas, dificultando o controle
nessa fase.
Nas vistorias da lavoura, as brotações
novas e os ponteiros devem ser cuidadosamente
verificados, pois as lagartas pequenas, geralmente,
escondem-se nestes locais. Estas lagartas são
de difícil visualização,
porque apresentam a coloração do
corpo muito parecida com a cor das folhas jovens.
No preparo da calda para pulverização,
recomenda-se utilizar 20 mililitros de Baculovirus,
devidamente preparado em, pelo menos, 250 litros
de água por hectare.
A pulverização deve ser homogênea
e atingir todas as folhas já que as lagartas
precisam ingerir as partículas do vírus
para serem infectadas. A pulverização
com Baculovirus ou até inseticidas se houver
necessidade, deve ser feita, de preferência,
nas horas mais frescas do dia.
O uso freqüente de Baculovirus na cultura
da mandioca restabelece a fauna benéfica
(parasitos, predadores e patógenos), que,
favorecida pelo não uso de inseticidas,
pode controlar a praga satisfatoriamente.
O Baculovirus, desde que adequadamente coletado
e armazenado e congelado, pode ser utilizado pelo
período de dois anos.
|