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Produção de Amido deve aumentar 44% em 2004
Plantio Responsável
Câmara Setorial
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Convênio CEPEA / ABAM
Perspectiva para a agroindústria da mandioca no Brasil
Notícias da Embrapa
Bons preços acabam com a entressafra da mandioca
Entrevista - Helmut Tiedtke
A lagarta mandarová da mandioca e seu controle
National Starch - Aposta Alto no Amido
Embrapa incentiva pesquisas do setor
ONG Raízes publica na Internet livros sobre mandioca
Suporte para produtos desidratados por spay dryer: mercado potencial para amido de mandioca
Pilão Amidos - Salto de qualidade em produção de amidos
Amafil - Qualidade do produto assegura mercado consumidor
Mani Branca
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ANO II - Nº6 - Março - Maio/2004


A lagarta mandarová da mandioca e seu controle

A lagarta mandarová é a praga mais importante na cultura da mandioca, devido aos danos diretos provocados pela desfolha, destruição de hastes e de brotações ocasionando redução da produtividade das raízes assim como os teores de amido.

Em ataques mais severos podem até provocar a morte das plantas, dependendo da idade. Além disso, facilitam a entrada de doenças através dos ferimentos e lesões.

No Brasil surgem, principalmente, durante os períodos de setembro a fevereiro, com ataques diferenciados conforme as regiões, e estão, normalmente, associados às altas temperaturas e ao início da estação chuvosa. Podem não ocorrer em determinados anos.

Quando as plantas estão desfolhadas e danificadas, as lagartas podem migrar para áreas próximas com bastante rapidez e eficácia.

Reduções entre 10% e 50% na produção de raízes têm sido calculadas, dependendo da idade da planta e da intensidade do ataque, segundo pesquisadores especializados.

Em plantações mais desenvolvidas, os prejuízos são indiretos, pois com a destruição da folhagem, haverá uma rebrota utilizando-se reservas das raízes que se tornam aguadas, com redução dos teores de amido.

Estudos em laboratório demonstraram que as lagartas podem consumir em média até seis folhas durante seu ciclo de vida, sendo 75% consumido no seu ultimo estágio de crescimento.

Além dos prejuízos diretos na produção decorrentes da desfolha, a qualidade das ramas para o próximo plantio também pode ser afetada.

Ciclo do mandarová
A mariposa do mandarová põe seus ovos durante a noite, principalmente na parte superior das folhas, que são depositados de forma irregular, de dois até dez ovos por folha.

O número de ovos por fêmea é variável, com a postura máxima de trinta ovos, segundo observações efetuadas por pesquisadores. A vida média da mariposa é de cinco dias.

O ovo de mandarová é oval e liso, medindo aproximadamente 1,5 milímetros de diâmetro. Após a postura é brilhante e de cor verde, passando à amarela com grande número de pontuações avermelhadas após 24 horas

O período médio de incubação do ovo varia de dois a seis dias. Quando são encontrados ovos de coloração escura tendendo para o preto, significam que estão parasitados por outros inimigos naturais.

O mandarová da mandioca cresce e se desenvolve passando por cinco estágios larvais para atingir o seu máximo desenvolvimento. A lagarta recém- nascida mede, aproximadamente, cinco milímetros de comprimento, de coloração amarelada a pálida, com a parte dorsal ligeiramente esverdeada. No segundo estágio muda um pouco, apresentando coloração cinza escura, e, após a ingestão de algum alimento, adquire cor verde.

A lagarta durante sua vida pode apresentar coloração desde verde, verde-azulado, verde acinzentado, verde queimado, cinza azulado, marrom avermelhado, preto e amarelo.

Embora alguns pesquisadores admitam que a coloração da lagarta seja simplesmente uma alteração em função do ambiente, muitos agricultores têm observado que as lagartas escuras são mais vorazes e resistentes. Para tanto, são necessários mais estudos sobre o assunto.

Ao atingirem o máximo desenvolvimento medindo 10 a 12 centímetros, param de comer, migram para o solo e procuram um local fofo e úmido, debaixo de restos de palha, de folhas secas ou galhos e troncos de árvores caídos, onde se enterram ao redor de 5 centímetros de profundidade e completam o ciclo de pupa.

O mandarová, na fase de pupa, apresenta coloração variável de castanho claro a castanho escuro, com algumas estrias pretas. O tamanho da pupa varia de 4 a 6 centímetros de comprimento. Este período varia de 15 a 30 dias.

O ciclo total de vida do mandarová, da fase de ovo até a emergência do adulto, varia entre 26 e 55 dias, dependendo das condições climáticas. Quanto maior a temperatura ambiente mais curto é o seu ciclo.

Controle através do Baculovirus

O Baculovirus é um vírus de ocorrência natural que pode ser produzido e manipulado na própria lavoura. Apresenta grande vantagem, pois não afeta os insetos úteis, não interferem na fisiologia das plantas, são totalmente inócuos ao homem e outros animais, de fácil manuseio e seguro. Dependendo do estágio da lagarta pode substituir os inseticidas.

A ação do Baculovirus ocorre através da sua ingestão juntamente com as folhas pulverizadas, provocando lesões internas até a destruição total dos órgãos. Os sintomas iniciais da doença surgem aproximadamente após quatro dias da pulverização, quando as lagartas doentes perdem o apetite, reduzem a locomoção e apresentam amolecimento gradativo do corpo, que se torna pálido, culminando com a morte após sete dias.

A característica marcante que identifica a morte provocada pelo Baculovirus é que as lagartas ficam dependuradas de cabeça para baixo, nos talos de regiões mais altas da planta de mandioca. No caso do Baculovirus ser usado em lagarta mais desenvolvida, os efeitos poderão ocorrer na fase de pupa e nas mariposas, que podem nascer com defeitos nas asas e esterilidade.

A vistoria constante e permanente da lavoura, observando-se a presença de ovos e de lagartas pequenas do mandarová, é essencial para a tomada de decisão sobre a necessidade ou não de algum método de controle.

Especificamente no caso do mandarová, as plantas de mandioca mais novas, com cinco a seis meses, merecem mais atenção devido aos danos diretos que a praga pode ocasionar. Entretanto, plantações mais velhas também podem sofrer danos severos.

O uso de Baculovirus como "inseticida biológico", embora este seja de ocorrência natural, só foi possível após o desenvolvimento da tecnologia de manipulação efetuada pela pesquisadora Áurea Schmitt, da Empresa Catarinense de Pesquisa Agropecuária.

O Baculovirus pode ser obtido a partir de lagartas infectadas recém mortas coletadas no campo, maceradas, peneiradas através de pano fino e o seu suco armazenado em pequenos frascos de plástico no congelador.

Manejo do baculovirus para o controle do mandarová

A presença de cinco a sete lagartas pequenas, com até 3 centímetros por planta, indica o momento de se proceder à pulverização com Baculovirus. Este número é flexível, pois depende também da idade da planta, visto que, caso as lagartas atinjam estágio de desenvolvimento mais avançado, o vírus não terá tempo suficiente para matá-las antes de se tornarem pupas, dificultando o controle nessa fase.

Nas vistorias da lavoura, as brotações novas e os ponteiros devem ser cuidadosamente verificados, pois as lagartas pequenas, geralmente, escondem-se nestes locais. Estas lagartas são de difícil visualização, porque apresentam a coloração do corpo muito parecida com a cor das folhas jovens.

No preparo da calda para pulverização, recomenda-se utilizar 20 mililitros de Baculovirus, devidamente preparado em, pelo menos, 250 litros de água por hectare.

A pulverização deve ser homogênea e atingir todas as folhas já que as lagartas precisam ingerir as partículas do vírus para serem infectadas. A pulverização com Baculovirus ou até inseticidas se houver necessidade, deve ser feita, de preferência, nas horas mais frescas do dia.

O uso freqüente de Baculovirus na cultura da mandioca restabelece a fauna benéfica (parasitos, predadores e patógenos), que, favorecida pelo não uso de inseticidas, pode controlar a praga satisfatoriamente.

O Baculovirus, desde que adequadamente coletado e armazenado e congelado, pode ser utilizado pelo período de dois anos.

 

(*) Mário Takahashi é engenheiro agrônomo, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná.

   
 
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