| Um
dos objetivos do Projeto de Desenvolvimento de
Germoplasma de Mandioca para as condições
semi-áridas do Nordeste brasileiro, desenvolvido
pela Embrapa Mandioca e Fruticultura, é
ampliar a diversidade genética da mandioca
utilizada sob essas condições de
solo, com variedades mais produtivas e ricas em
teores de amido, que permita contribuir para a
sustentabilidade do sistema de produção.
Para atender essa demanda foram gerados pela
Embrapa Mandioca e Fruticultura, em Cruz das Almas,
na Bahia, cerca de 10.000 híbridos a partir
de parentais selecionados nesta região.
Todo esse material foi avaliado na base experimental
do IPA em Araripina-PE, no período compreendido
entre 1991 a 1999.
Nos anos de 1999 a 2002 os clones selecionados
foram avaliados em provas participativas com agricultores
de vários municípios do semi-árido
do Nordeste. Como produto desse trabalho, o Híbrido
9123/01, denominado pelo nome fantasia de “Mani
Branca”, destacou-se principalmente na região
de Araripina, Chapada do Araripe, e nos municípios
de Itaberaba e Marcionílio Souza, na Chapada
da Diamantina, no Estado da Bahia. Este clones
são indicados para as indústrias
de farinha e de fécula.
Denominado originalmente pelo código 9123/01
este híbrido foi desenvolvido a partir
de cruzamentos realizados pela Embrapa Mandioca
e Fruticultura no ano de 1991, em campos de policruzamento,
tendo como parental feminino a variedade BGM 459.
De acordo com os resultados de pesquisa, esse
clone se adapta bem às condições
semi-áridas do Nordeste, com especificidade
às condições de Araripina-PE,
que se caracterizam por apresentar uma precipitação
média anual em torno de 750 milímetros,
concentrada nos meses de dezembro a fevereiro;
e, de Marcionílio Souza - BA, que se caracterizam
por apresentar uma precipitação
média anual em torno de 600 milímetros,
concentrada nos meses de novembro a janeiro.
A temperatura média anual desses locais
gira em torno de 30 graus centígrados,
e os solos são de textura arenosa, com
níveis de fósforo variando de 0,7
a 2 ppm; potássio de 37 a 92 ppm; e Ca
+ Mg de 1,1 a 2,1 meq/100 cm3.
Em ensaios de rendimento conduzidos no período
de 1994 a 1999, na estação experimental
do IPA, em Araripina, esse clone apresentou um
rendimento médio de raízes de 16,5
t/ha, aos 18 meses de idade, contra 10,2 t/ha
da variedade local (Trouxinha), sem a utilização
de adubos
Os rendimentos de raízes da cultivar Mani
Branca variaram entre 10,0 t/ha a 27,6 t/ha aos
12 e 18 meses de idade, respectivamente. Já
a testemunha local apresentou rendimentos médios
de raízes variando entre 7,6 t/ha a 15,4
t/ha no mesmo período de colheita. O teor
de amido nas raízes da cultivar Mani Branca
variou de 31,2% a 35,1%, contra 27,9% a 33,4%
apresentado pela testemunha local.
Os teores médios de amido nas raízes
em todos os anos de avaliação foram
de 32,6% (Mani Branca) e 28,2% (Trouxinha), respectivamente.
Esta ampla variação em termos de
rendimento de raízes e de amido nas raízes
é comum em função da instabilidade
pluviométrica na região, mas que
poderá ser minimizada com plantios em épocas
mais adequadas e com a aplicação
de melhores práticas de manejo do cultivo.
|
|

No período compreendido entre os anos
de 1999 a 2001 este clone foi avaliado em provas
participativas em propriedades de agricultores
da região de Araripina, utilizando-se o
sistema tradicional de cultivo do agricultor,
sem o uso de insumos. Apresentou rendimentos de
raízes de até 23,4 t/ha e teor de
amido de 31,5% na comunidade Serra da Rodagem.
Suas principais vantagens em relação
à testemunha local consistem na sua alta
taxa de brotação, fundamental para
essas condições; produção
de material de plantio de boa qualidade; boa retenção
foliar; maior teor de amido; raízes grossas
com polpa e película branca e fina - fácil
de descascar. A cor branca das raízes é
uma das principais características exigidas
pelos agricultores da região na aceitação
de uma variedade.
Por todas essas características, essa
variedade apresentou 60% de probabilidade de estar
em primeiro lugar na preferência dos agricultores,
e 100% de probabilidade de estar entre as três
melhores cultivares preferidas pelos agricultores
que a avaliaram, superando em 10% a preferência
pela variedade local.
Essa nova cultivar está sendo multiplicada
por alguns agricultores da região da Serra
da Boa Vista, em Araripina, com grande probabilidade
de adoção e difusão pelos
agricultores da região, e pela Embrapa
Mandioca e Fruticultura, em parceria com a Faculdade
de Agronomia de Araripina e Sebrae, para recomendação
oficial para uso nessa região.
Com base nos resultados apresentados em Araripina,
este híbrido foi introduzido diretamente
em provas participativas com agricultores na região
da Serra Geral do Estado da Bahia, especificamente
nos municípios de Itaberaba e Marcionílio
Souza (Assentamento de Caxá), apresentando
rendimentos de raízes em torno de 20 t/ha,
aos 14 meses de idade, contra 7 t/ha da cultivar
local (Platina).
Foi classificada em primeiro lugar na ordem de
preferência dos agricultores e encontra-se
em fase de multiplicação pelos agricultores
do assentamento do Caxá, em Marcionílio
Souza-BA, e pela Embrapa Mandioca e Fruticultura
, em Cruz das Almas/BA, para distribuição
e recomendação aos agricultores
desta região.
(*) Wânia Maria Gonçalves Fukuda,
é Pesquisadora da Embrapa Mandioca e Fruticultura,
Cx Postal 007, CEP 44380-000, Cruz das Almas-BA
|