| O
maior desafio para a agroindústria no ano
de 2003 esteve relacionado aos altos preços
da raiz e à dificuldade das indústrias
de fécula em repassar os aumentos de custo
para os consumidores do produto (indústrias
de papel, têxteis, alimentícias,
entre outras).
Apesar do acréscimo mínimo da área
plantada de mandioca no Brasil e dos preços
relativamente baixos em anos anteriores, a oferta
de matéria-prima em 2003 chegou a se elevar,
mas em escala bastante reduzida, se comparado
ao crescimento acelerado de sua demanda.
No entanto, o preço atrativo para os produtores
de mandioca na maior parte do período de
2003, aparentemente incentivou o aumento do plantio
de mandioca para a safra 2003/2004.
Nesse sentido, pode haver uma redução
da disparidade de preços para este ano
(frente a produtos substitutos) e redução
dos custos de produção da fécula,
tornando o produto novamente competitivo em relação
a outros amidos.
Espera-se, dessa maneira, que setores que fizeram
a substituição por outros amidos
voltem a utilizar a fécula de mandioca
em seus processos fabris. Diante desse cenário,
toda a agroindústria será beneficiada.
A relativa boa organização prevalecente
dentro da agroindústria também passa
a refletir em seu bom desempenho.
Mesmo diante da maior oferta de matéria-prima,
o produtor poderá continuar sendo bem remunerado,
apesar que de forma menos significativa que em
2003, uma vez que os preços daquele ano
foram recordes, mas podendo ser em níveis
melhores do que em anos anteriores.
Aqui há de ressaltar aspectos que podem
definir o desempenho do setor em termos de preços
para esta e a próxima safra. De um lado,
há aqueles agentes que apostam na manutenção
dos preços, mesmo após um período
de entrada da safra nova. Estes acreditam que
o preço favorável seria uma das
formas de incentivar aumentos mais expressivos
na produção e melhorar a situação
da indústria em período posterior.
Outros apostam em queda acentuada de preços
para que as fecularias possam ter “fôlego”
maior o quanto antes. Mas, a oferta e a procura
é que determinarão o preço
de equilíbrio.
Outro fator de extrema importância dentro
da cadeia agroindustrial da mandioca são
as modalidades de contrato para gestão
de matéria-prima, os quais apresentaram
evolução em anos recentes (apesar
de que neste cenário de preços,
poucos produtores procuraram por contratos), sendo
esperado o mesmo para 2004. A gestão da
matéria-prima poderá ser neste ano
um fator de suma importância para as agroindústrias,
diante de um contexto de preços indefinidos.
|
|
Entretanto,
a articulação da cadeia já
está ganhando certa notoriedade, e com
o lançamento da Câmara Setorial da
Mandioca no início deste ano, espera-se
que a cadeia venha a se beneficiar de forma significativa.
As exportações de fécula
poderão ter aumento. Todavia, o setor parece
estar mais preocupado em atender a demanda doméstica,
principalmente até que maior excedente
seja produzido.
Independentemente do que venha a ocorrer no mercado
durante este ano, é certa a expectativa
de melhora por parte dos agentes da agroindústria,
que apostam no desenvolvimento da cultura da mandioca
no Brasil e na maior contribuição
ao agronegócio brasileiro.
Vale destacar que pesquisas recentes elaboradas
por pesquisadores do Centro de Estudos Avançados
em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), e publicados
pela Embrapa, revelam que mais de 80% das empresas
do setor têm a intenção de
aumentar seus investimentos.
Além disso, nos anos recentes observa-se
o relativo movimento de empresas estrangeiras
chegando ao Brasil para explorar o mercado de
amido de mandioca. Da mesma forma, começaram
a existir as parcerias entre multinacionais e
empresas nacionais, além dos pools de empresas
que acreditam no potencial do setor.
Em suma, aposta-se que o processo de desenvolvimento
da cadeia é irreversível. Os caminhos
percorridos pela agroindústria no ano de
2003 podem ser tomados como uma lição
aprendida pelo setor.
Contudo, investimentos em pesquisas e desenvolvimentos
(P&D), tanto por parte da iniciativa privada
como por parte dos órgãos públicos
podem dar mais dinâmica à agroindústria,
mesmo que o retorno não ocorra para esta
safra.
Investimentos em pesquisas com vistas à
melhoria da produtividade agrícola e à
solução de problemas relacionados
com as condições climáticas,
entre outras, também começam a dar
mais ênfase à organização
da comercialização.
Nosso objetivo nesta coluna, meu e do pesquisador
Lucilio Rogério Aparecido Alves, que contribuiu
com suas ponderações nesta coluna,
é apresentar algumas considerações
sobre as expectativas da agroindústria
da mandioca brasileira para o ano de 2004. Não
há intenção de fazer previsões,
mas destacar alguns cenários esperados
pelos agentes para este ano. As conclusões
são deixadas para o leitor. |