Nesta Edição
Editorial
Produção de Amido deve aumentar 44% em 2004
Plantio Responsável
Câmara Setorial
Notas Rápidas
Convênio CEPEA / ABAM
Perspectiva para a agroindústria da mandioca no Brasil
Notícias da Embrapa
Bons preços acabam com a entressafra da mandioca
Entrevista - Helmut Tiedtke
A lagarta mandarová da mandioca e seu controle
National Starch - Aposta Alto no Amido
Embrapa incentiva pesquisas do setor
ONG Raízes publica na Internet livros sobre mandioca
Suporte para produtos desidratados por spay dryer: mercado potencial para amido de mandioca
Pilão Amidos - Salto de qualidade em produção de amidos
Amafil - Qualidade do produto assegura mercado consumidor
Mani Branca
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ANO II - Nº6 - Março - Maio/2004


Perspectiva para a agroindústria da mandioca no Brasil

Fábio Isaías Felipe (*)

O maior desafio para a agroindústria no ano de 2003 esteve relacionado aos altos preços da raiz e à dificuldade das indústrias de fécula em repassar os aumentos de custo para os consumidores do produto (indústrias de papel, têxteis, alimentícias, entre outras).

Apesar do acréscimo mínimo da área plantada de mandioca no Brasil e dos preços relativamente baixos em anos anteriores, a oferta de matéria-prima em 2003 chegou a se elevar, mas em escala bastante reduzida, se comparado ao crescimento acelerado de sua demanda.

No entanto, o preço atrativo para os produtores de mandioca na maior parte do período de 2003, aparentemente incentivou o aumento do plantio de mandioca para a safra 2003/2004.

Nesse sentido, pode haver uma redução da disparidade de preços para este ano (frente a produtos substitutos) e redução dos custos de produção da fécula, tornando o produto novamente competitivo em relação a outros amidos.

Espera-se, dessa maneira, que setores que fizeram a substituição por outros amidos voltem a utilizar a fécula de mandioca em seus processos fabris. Diante desse cenário, toda a agroindústria será beneficiada. A relativa boa organização prevalecente dentro da agroindústria também passa a refletir em seu bom desempenho.

Mesmo diante da maior oferta de matéria-prima, o produtor poderá continuar sendo bem remunerado, apesar que de forma menos significativa que em 2003, uma vez que os preços daquele ano foram recordes, mas podendo ser em níveis melhores do que em anos anteriores.

Aqui há de ressaltar aspectos que podem definir o desempenho do setor em termos de preços para esta e a próxima safra. De um lado, há aqueles agentes que apostam na manutenção dos preços, mesmo após um período de entrada da safra nova. Estes acreditam que o preço favorável seria uma das formas de incentivar aumentos mais expressivos na produção e melhorar a situação da indústria em período posterior. Outros apostam em queda acentuada de preços para que as fecularias possam ter “fôlego” maior o quanto antes. Mas, a oferta e a procura é que determinarão o preço de equilíbrio.

Outro fator de extrema importância dentro da cadeia agroindustrial da mandioca são as modalidades de contrato para gestão de matéria-prima, os quais apresentaram evolução em anos recentes (apesar de que neste cenário de preços, poucos produtores procuraram por contratos), sendo esperado o mesmo para 2004. A gestão da matéria-prima poderá ser neste ano um fator de suma importância para as agroindústrias, diante de um contexto de preços indefinidos.


 

Entretanto, a articulação da cadeia já está ganhando certa notoriedade, e com o lançamento da Câmara Setorial da Mandioca no início deste ano, espera-se que a cadeia venha a se beneficiar de forma significativa.

As exportações de fécula poderão ter aumento. Todavia, o setor parece estar mais preocupado em atender a demanda doméstica, principalmente até que maior excedente seja produzido.

Independentemente do que venha a ocorrer no mercado durante este ano, é certa a expectativa de melhora por parte dos agentes da agroindústria, que apostam no desenvolvimento da cultura da mandioca no Brasil e na maior contribuição ao agronegócio brasileiro.

Vale destacar que pesquisas recentes elaboradas por pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), e publicados pela Embrapa, revelam que mais de 80% das empresas do setor têm a intenção de aumentar seus investimentos.

Além disso, nos anos recentes observa-se o relativo movimento de empresas estrangeiras chegando ao Brasil para explorar o mercado de amido de mandioca. Da mesma forma, começaram a existir as parcerias entre multinacionais e empresas nacionais, além dos pools de empresas que acreditam no potencial do setor.

Em suma, aposta-se que o processo de desenvolvimento da cadeia é irreversível. Os caminhos percorridos pela agroindústria no ano de 2003 podem ser tomados como uma lição aprendida pelo setor.

Contudo, investimentos em pesquisas e desenvolvimentos (P&D), tanto por parte da iniciativa privada como por parte dos órgãos públicos podem dar mais dinâmica à agroindústria, mesmo que o retorno não ocorra para esta safra.

Investimentos em pesquisas com vistas à melhoria da produtividade agrícola e à solução de problemas relacionados com as condições climáticas, entre outras, também começam a dar mais ênfase à organização da comercialização.

Nosso objetivo nesta coluna, meu e do pesquisador Lucilio Rogério Aparecido Alves, que contribuiu com suas ponderações nesta coluna, é apresentar algumas considerações sobre as expectativas da agroindústria da mandioca brasileira para o ano de 2004. Não há intenção de fazer previsões, mas destacar alguns cenários esperados pelos agentes para este ano. As conclusões são deixadas para o leitor.

   
 
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