Nesta Edição
Editorial
Riquezas naturais do amido
Oficina de Tapioca para crianças
Pesquisa com a mistura da fécula de mandioca
Melhoramento de mandioca
Embrapa: Mandioca Palito
Agroindústria mandioqueira na Tailândia
É possível aumentar a produtividade da mandioca?
Mais um ano difícil para as Indústrias
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ANO II - Nº7 - Março - Maio/2004


Agroindústria mandioqueira na Tailândia

Fábio Isaias Felipe (*)

Vamos analisar nesta edição a dinâmica da agroindústria mandioqueira na Tailândia, país que confere à cultura grande importância para o agronegócio, estabelecendo relação com o Brasil. Atualmente, a mandioca é cultivada em cerca de cem países, sendo que, em muitos deles, principalmente na África, ainda é considerada alimento de subsistência.
Juntamente com a Nigéria, o Brasil, a Indonésia, a Tailândia e a República Democrática do Congo, representaram no ano passado, 56,5% da produção mundial de raiz. Através da Tabela 1 pode-se observar o quanto cada país mencionado produziu (milhões de toneladas) nos últimos dez anos.

No Brasil a mandioca é considerada a nona cultura mais importante, enquanto que na Tailândia o produto só perde em importância para o arroz e para o cultivo de seringais para produção de borracha natural.

Mesmo com uma produção menor que a do Brasil a Tailândia é uma grande exportadora do principal derivado da mandioca a fécula, produto empregado em vários processos industriais.

No continente asiático o cultivo da mandioca ocupa uma área de, aproximadamente, 3,5 milhões de hectares (FAO, 2003). Configuram-se como grandes produtores naquele continente a Tailândia, a Indonésia, a Índia e o Vietnam.

Na Tailândia, grande parte dos produtores considera a mandioca uma cultura tradicional, e, dessa forma, sempre se reserva alguma área na propriedade para o cultivo da tuberosa.
No Brasil existem os produtores tradicionais, como também, aqueles que efetivam o plantio somente em períodos de preços favoráveis, fato causador de forte sazonalidade nos valores.
Vale lembrar que, até poucos anos atrás, a mandioca não tinha grande importância na Ásia, sendo considerada cultura de subsistência. Entretanto, em alguns países daquele continente, principalmente na região sudeste, o produto passou a ganhar a imagem de commodity importante para o desenvolvimento do agronegócio local.

Na Tailândia, a mandioca que era utilizada como produto para a alimentação animal, tem se apresentado como matéria-prima para vários segmentos agroindustriais, inclusive no setor de amidos modificados. Dessa forma, muitos produtores obtêm garantias das indústrias processadoras, gerando assim uma garantia de renda, reduzindo os níveis de pobreza e fome no campo.

No Brasil a passagem de alimento básico a importante matéria-prima também pode ser observada quando novos setores passam a utilizar os derivados da mandioca.
Já é possível notar grande evolução nos sistemas de comercialização em muitas empresas, visto que existe a preocupação de garantir a renda mínima ao produtor, assegurando-se, assim, o abastecimento das unidades fabris, e também redução nas disparidades de preços enfrentadas pelo setor.

É de suma importância considerar o Plantio Responsável, lançado pela ABAM (Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca) no ano passado. Tanto na Tailândia, como no Brasil, a industrialização da mandioca teve início na década de 50. Contudo, a demanda a ser atendida pelos dois países era completamente diferente.
A Tailândia começou a fazer a secagem da mandioca para fabricação de microplaquetas e raspas pra alimentação animal de rebanhos europeus, enquanto o Brasil se voltava para o setor alimentício do mercado doméstico.

Atualmente, 50% da produção de fécula/amido de mandioca da Tailândia é destinada para exportação, o que corresponde a cerca de dois milhões de toneladas anualmente. Em 2003, o Brasil produziu 428 toneladas do produto.

Na Tailândia o governo financia um programa de desenvolvimento de variedades mais produtivas e adaptadas. Nesse aspecto, há uma certa carência do Brasil pelo desenvolvimento de novas variedades, fato que fez com que a produtividade se mantivesse praticamente estável nos últimos anos. Através do Gráfico 1 é possível se observar a produtividade média nos dois países.

 

(*) Fábio Isaías Felipe
é pesquisador do
CEPEA /ESALQ
/USP

   
 
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