| Fábio
Isaias Felipe (*)
Vamos analisar nesta edição a dinâmica
da agroindústria mandioqueira na Tailândia,
país que confere à cultura grande
importância para o agronegócio, estabelecendo
relação com o Brasil. Atualmente,
a mandioca é cultivada em cerca de cem
países, sendo que, em muitos deles, principalmente
na África, ainda é considerada alimento
de subsistência.
Juntamente com a Nigéria, o Brasil, a Indonésia,
a Tailândia e a República Democrática
do Congo, representaram no ano passado, 56,5%
da produção mundial de raiz. Através
da Tabela 1 pode-se observar o quanto cada país
mencionado produziu (milhões de toneladas)
nos últimos dez anos.
No Brasil a mandioca é considerada a
nona cultura mais importante, enquanto que na
Tailândia o produto só perde em importância
para o arroz e para o cultivo de seringais para
produção de borracha natural.
Mesmo com uma produção menor que
a do Brasil a Tailândia é uma grande
exportadora do principal derivado da mandioca
a fécula, produto empregado em vários
processos industriais.
No continente asiático o cultivo da mandioca
ocupa uma área de, aproximadamente, 3,5
milhões de hectares (FAO, 2003). Configuram-se
como grandes produtores naquele continente a Tailândia,
a Indonésia, a Índia e o Vietnam.
Na Tailândia, grande parte dos produtores
considera a mandioca uma cultura tradicional,
e, dessa forma, sempre se reserva alguma área
na propriedade para o cultivo da tuberosa.
No Brasil existem os produtores tradicionais,
como também, aqueles que efetivam o plantio
somente em períodos de preços favoráveis,
fato causador de forte sazonalidade nos valores.
Vale lembrar que, até poucos anos atrás,
a mandioca não tinha grande importância
na Ásia, sendo considerada cultura de subsistência.
Entretanto, em alguns países daquele continente,
principalmente na região sudeste, o produto
passou a ganhar a imagem de commodity importante
para o desenvolvimento do agronegócio local.
Na Tailândia, a mandioca que era utilizada
como produto para a alimentação
animal, tem se apresentado como matéria-prima
para vários segmentos agroindustriais,
inclusive no setor de amidos modificados. Dessa
forma, muitos produtores obtêm garantias
das indústrias processadoras, gerando assim
uma garantia de renda, reduzindo os níveis
de pobreza e fome no campo.
No Brasil a passagem de alimento básico
a importante matéria-prima também
pode ser observada quando novos setores passam
a utilizar os derivados da mandioca.
Já é possível notar grande
evolução nos sistemas de comercialização
em muitas empresas, visto que existe a preocupação
de garantir a renda mínima ao produtor,
assegurando-se, assim, o abastecimento das unidades
fabris, e também redução
nas disparidades de preços enfrentadas
pelo setor.
É de suma importância considerar
o Plantio Responsável, lançado pela
ABAM (Associação Brasileira dos
Produtores de Amido de Mandioca) no ano passado.
Tanto na Tailândia, como no Brasil, a industrialização
da mandioca teve início na década
de 50. Contudo, a demanda a ser atendida pelos
dois países era completamente diferente.
A Tailândia começou a fazer a secagem
da mandioca para fabricação de microplaquetas
e raspas pra alimentação animal
de rebanhos europeus, enquanto o Brasil se voltava
para o setor alimentício do mercado doméstico.
Atualmente, 50% da produção de
fécula/amido de mandioca da Tailândia
é destinada para exportação,
o que corresponde a cerca de dois milhões
de toneladas anualmente. Em 2003, o Brasil produziu
428 toneladas do produto.
Na Tailândia o governo financia um programa
de desenvolvimento de variedades mais produtivas
e adaptadas. Nesse aspecto, há uma certa
carência do Brasil pelo desenvolvimento
de novas variedades, fato que fez com que a produtividade
se mantivesse praticamente estável nos
últimos anos. Através do Gráfico
1 é possível se observar a produtividade
média nos dois países.

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(*) Fábio Isaías
Felipe
é pesquisador do
CEPEA /ESALQ
/USP |