| Methodio
Groxko (*)
Apesar do aumento de 48% na área plantada
e na produção estimada para a safra
2003/2004, de 3,4 milhões de toneladas
de raiz, as indústrias paranaenses ainda
terão dificuldade para trabalhar com sua
capacidade plena. Esta situação
acentua-se, em especial, na região Oeste
do Paraná, ou nos municípios que
compõem o Núcleo Regional da Secretaria
de Agricultura de Toledo.
O problema se agravou após um período
de dois anos - 2001/2002 - em que o setor trabalhou
com reduzidas margens, em certas épocas,
até com resultados negativos. Mesmo com
a reação dos preços após
o mês de outubro de 2002, os produtores
em sua grande maioria preferiram mudar a sua matriz
de produção para a soja.
A Região Oeste, responsável por
40% da produção de fécula
no estado, terá grandes dificuldades na
aquisição de matéria-prima
pelo segundo ano consecutivo, obrigando os industriais
a buscar raiz em grandes distâncias, como
Paranavaí, Mato Grosso do Sul ou até
no vizinho Paraguai.
Para a próxima safra, 2004/2005, estimulados
pelos excelentes preços alcançados
durante todo ano de 2003 atingindo a média
anual de R$198,00/t de raiz e culminando com valores
acima de R$ 350,00/t durante os meses de janeiro
e fevereiro de 2004, os produtores do Oeste paranaense
estão animados, e deverão aumentar
a área de plantio.
É oportuno lembrar que a cultura da soja
já enfrentou, na última safra, problemas
de seca, ferrugem asiática e queda acentuada
nos preços. Isto, certamente, estimulará,
principalmente, os pequenos agricultores a diversificar
suas atividades, evitando a monocultura.
Paralelamente aos problemas enfrentados com
os excessos e falta de matéria-prima, o
setor de mandioca, através de suas entidades,
vem desenvolvendo esforços no sentido de
estimular o “Plantio Responsável
de Mandioca”.
Nesse sentido, merece destaque especial a realização
de quatro seminários organizados pela ABAM,
juntamente com todas as demais associações
e todos os órgãos governamentais
ligados ao sistema de agricultura do Paraná.
Além das Associações já
existentes como: ABAM, Atimop, Aproman, Assimap
e Assimar, foi criada e lançada no dia
nove de julho deste ano, por ocasião do
II Seminário da Cultura da Mandioca - Etapa
Paranavaí, a Câmara Setorial Estadual
da Cultura da Mandioca.
A Câmara é composta por mais de
20 entidades, ou seja, todos os órrgãos
governamentais ligados ao sistema de agricultura,
as associações e órrgãos
de ensino e de pesquisa.
Até o final do mês de junho, os
trabalhos com a colheita já atingiram 40%
dos 162.000 ha plantados na safra 2003/2004. Os
preços, que haviam recuado de R$ 350,00/t
em fevereiro para uma média de R$180,00/t,
já reagiram, e, nos últimos 15 dias
do mês de julho, os produtores receberão
R$ 200,00 por tonelada de raiz posta na fábrica.
Segundo a opinião do setor, a tendência
dos preços da raiz é se manter firmes
durante os próximos meses. A causa principal
pra isso é que, apesar do aumento de plantio,
a oferta de matéria-prima ainda é
insuficiente frente às necessidades das
industrias até o final do ano.

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(*)Methodio Groxko é economista
e técnico do Deral/Seab-PR |