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A melhoria da competitividade da cadeia produtiva
da mandioca passa, necessariamente, pelo setor
agrícola, principalmente pela redução
da sazonalidade da oferta de raízes e redução
dos custos de produção.
A sazonalidade da oferta pode ser minimizada
através de políticas que controlem
a área plantada de acordo com a necessidade
do mercado e evitem grandes variações
nos preços, como é o caso do Plantio
Responsável de Mandioca, implementado pela
ABAM.
A redução dos custos da tonelada
de raiz produzida poderá acontecer através
do aumento da produtividade e da otimização
de alguns fatores como, por exemplo, a colheita
totalmente mecanizada.
Segundo resultados experimentais de pesquisa
e modelagem matemática, a mandioca pode
atingir até 80 t/ha de raiz por ano. Esta
produtividade seria equivalente a uma produção
média de 5 kg/planta num espaçamento
de 90cm entre linhas, e, 70cm entre plantas, totalizando
15.873 plantas/ha. Mas, será que em lavouras
tal produtividade é possível?
Componentes da produção
O aumento da produtividade das lavouras passa,
necessariamente, por ações integradas
em vários aspectos importantes desde antes
do plantio até a colheita, e influenciarão
os componentes de produção para
a mandioca, que podem ser divididos em três:
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Componentes
de produção |
| Fatores |
Nº plantas/área |
Nº raízes/planta |
Peso das raízes |
| Preparo do solo |
X |
X |
X |
| Ramas para plantio |
X |
X |
X |
| Adubação |
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X |
X |
| Époda de plantio |
X |
X |
X |
| Espaçamento |
X |
X |
X |
| Variedade |
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X |
X |
| Competição com plantas daninhas |
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X |
X |
| Doenças |
X |
X |
X |
| Pragas |
X |
X |
X |
| Poda para o 2º ciclo |
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X |
| Quadro 1. Ação
de alguns fatores sobre os componentes de
produção da mandioca |
| Cada componente é influenciado
por um ou mais fatores que poderão
estar interligados entre si. Portanto, é
a ação harmônica entre
estes componentes que poderá garantir
um aumento de produtividade. A ação
de alguns fatores pode ser resumida no quadro1. |
Fatores aparentemente sem muita importância
podem exercer grandes influências, como
é o caso do espaçamento entre as
plantas. A variedade de mandioca, embora não
exerça influência direta no número
de plantas, em conjunto com a sua resistência
às doenças, podem ocasionar muitas
falhas na lavoura.
O preparo do solo, além da influência
direta nos três componentes, afeta também
a infestação por plantas daninhas,
além de poder ocasionar podridão
radicular, quando existem problemas de compactação
e acúmulo de água.
De todos os fatores citados o mais importante,
sem sombra de dúvida, é o uso de
ramas selecionadas para o plantio. É um
fator que, na maioria dos anos, não representa
grandes percentuais no custo de produção,
mas poderá acarretar grandes influências
nos três componentes de produção.
A fase inicial de desenvolvimento da planta
de mandioca depende, diretamente, das reservas
nutricionais e de água presentes na rama,
que são diretamente influenciadas pela
época de corte e do período de armazenagem.
A presença de ferimentos e de doenças
pode ocasionar a não brotação
das mudas plantadas. No caso de uma estiagem prolongada
após o plantio, é a muda sadia e
de boa qualidade que terá mais condições
de suplantar este período crítico.
Com essas observações, o produtor
de mandioca, cada vez mais, deverá cuidar
da sua rama para plantio, reservando para retirá-la,
o melhor lote de sua lavoura, além de evitar,
ao máximo, a aquisição de
terceiros.
Outro fator que exerce grande influência
nos componentes de produção é
a época de plantio da lavoura, que está
intimamente ligada à qualidade da rama.
Evidentemente, essa época é muito
variável no Brasil, mas está intimamente
relacionada à qualidade do material de
propagação.Possibilidades futuras
Muitas ações são passíveis
de ser realizadas pela pesquisa agronômica,
incluindo esforços, tanto na esfera governamental,
como na iniciativa privada, que poderão
resultar em ganhos significativos de produtividade.
Podemos citar as seguintes ações:
- Estudos de novos métodos de preparo
do solo, inclusive com o aprimoramento do plantio
“direto”;
- Aprimoramento das máquinas de plantio;
- Desenvolvimento, em maior velocidade, de
novas variedades mais resistentes a doenças
e pragas, com a parte aérea que facilite
o plantio mecanizado e os tratos culturais,
além de raízes com elevado conteúdo
de amido e formato que facilite a colheita mecanizada;
- Criação de uma rede de multiplicação
do material de plantio das novas variedades
lançadas, para que estas possam chegar
rapidamente nas mãos dos produtores interessados;
- Criação de um sistema de produção
de ramas certificadas com garantia de vigor,
sanidade, sem misturas de outras variedades,
além de outros detalhes como origem e
época de corte;
- Desenvolvimento de todo um pacote de práticas
culturais, para que se possa explorar o máximo
potencial de cada nova variedade;
- Otimização da adubação,
não somente com fósforo e potássio,
mas também com nitrogênio, resíduos
e outros compostos orgânicos e micronutrientes;
- Otimização das formas de aplicação
dos fertilizantes seja através do tratamento
das ramas, no sulco de plantio ou aplicação
foliar;
- Aprimoramento do controle integrado de plantas
daninhas principalmente com avaliações
dos novos herbicidas;
- Aprimoramento do controle integrado de pragas
e doenças inclusive envolvendo métodos
curativos e controle biológico;
- Desenvolvimento de máquinas para a
colheita totalmente mecanizada.
Evidentemente, não foram citadas todas
as ações possíveis de sere
realizadas, além do prazo para que elas
sejam passíveis de ser adotadas pelos agricultores.
Invariavelmente, haverá a necessidade de
mais investimentos em pesquisa agronômica,
e capacitação da assistência
técnica, com a colaboração
de todos os setores envolvidos, pois é
a produção adequada de matéria
prima, a base de um desenvolvimento sustentável
de toda a cadeia produtiva da mandioca no Brasil.
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(*) Mário Takahashi é
engenheiro agrônomo, pesquisador do Instituto
Agronômico do Paraná. |