Wania
Maria Gonçalves Fukuda(*)
Até pouco tempo, a mandioca era conhecida
como um cultivo de pobre, utilizada quase que
exclusivamente para o fabrico da farinha. No entanto,
já foram descobertos mais de 300 produtos
e subprodutos oriundos desta planta usados na
indústria, na alimentação
humana e animal. Para cada uma destas formas de
utilização a mandioca apresenta
uma série de produtos que podem agregar
valores à cultura.
A mandioca tem sido classificada em dois grupos:
em função dos teores de ácido
cianídrico liberados por suas raízes
- mandioca brava, utilizada na indústria;
e, mandioca mansa, também chamada, mandioca
de mesa, macaxeira ou aipim.
Todos estes sinônimos são produtos
da cultura regional e significam que a mandioca
pode ser consumida cozida ou frita sem riscos
de intoxicação. Para isso é
também necessário que as variedades
de mandioca para mesa apresentem uma série
de características qualitativas aceitas
pelo consumidor.
Ultimamente o mercado de mandioca para mesa tem
se diversificado bastante, e, em decorrência
disso, tem se apresentado novas demandas, em termos
de qualidade de raízes, específicas
para as várias formas de utilização.
Uma das demandas mais atuais é o uso da
mandioca palito, que substitui a batatinha, com
a vantagem de ser produzida em qualquer parte
do país, a custos mais reduzidos, além
de ser bastante apreciada como tira-gosto.
Para este tipo de utilização o
mercado exige variedades com características
específicas como, a capacidade de cortar
a polpa das raízes em forma de palitos
sem danificar a máquina e sem perdas de
raízes durante o corte, capacidade de fritar
sem cozinhar, resistência a deterioração
pós-colheita, sabor e aspecto agradável
e crocante. Para atender este mercado a Embrapa
Mandioca e Fruticultura vem desenvolvendo um amplo
programa de melhoramento genético com a
cultura da mandioca no sentido de criar novas
variedades para mesa com características
especificas para atender essas novas demandas
do mercado.
Até o presente momento o programa já
gerou milhares de híbridos e identificou
um grupo de sete clones passíveis de serem
lançados no mercado para uso especifico
sob a forma de aipim frito, sem cozimento prévio,
em forma de palito. Além da qualidade para
fritar, o valor nutritivo dos clones amarelos
está associado a maiores teores de beta
caroteno nas raízes, considerado um critério
importante na seleção destes clones.
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Mandioca em palito pronta para a fritura, obtida
a partir de diferentes variedades.

Mandioca em palito pronta pára a fritura
embalada, obtida a partir de diferentes variedades.
Dos sete clones selecionados, o clone D (Figura
3), será lançado pela Embrapa Mandioca
e Fruticultura no final de 2004. Esse material
deverá estar disponível no mercado
no prazo máximo de três anos, após
testes finais de teor nutritivo das raízes,
adaptação a vários ecossistemas
do país e disponibilidade de sementes básica
para atender os agricultores.
(*) Wânia Maria Gonçalves
Fukuda,
é Pesquisadora da Embrapa Mandioca e
Fruticultura, Cx Postal 007, CEP 44380-000
Cruz das Almas-BA |