Teresa Losada Valle
(*)
O Instituto Agronômico (IAC), em Campinas/SP,
dedica-se ao desenvolvimento de ciência
e tecnologia para a produção de
mandioca desde o final do século 19. Mas
foi a partir de 1935, após uma profunda
reforma programática com o objetivo de
obter suporte tecnológico à diversificação
da agricultura paulista, que surgiu um programa
específico de mandioca que se mantém
até os dias de hoje.
A seleção de novas variedades
com alta capacidade produtiva e resistência
à bacteriose e o desenvolvimento de técnicas
para o melhoramento foram contribuições
importantes do IAC para o progresso da cultura.
O melhoramento de mandioca é uma atividade
com resultados a longo prazo e altamente dinâmica.
Desde os primeiros passos para obtenção
de uma nova variedade, cruzamento entre os pais
selecionados, até o inicio do cultivo pelo
agricultor, são necessários de oito
a 10 anos, se tudo correr conforme o planejado.
Portanto, as variedades que chegaram ao mercado
em 2000 são fruto do trabalho iniciado
em 1990. Em 2000 foram planejadas as variedades
para 2010. Os prejuízos causados por trabalhos
não realizados em 2004 serão sentidos
na década de 2010.
As variedades em mandioca, assim como na maioria
dos cultivos, têm um tempo de vida útil
determinado, após o qual necessitam ser
substituídas. A principal razão
é a quebra de resistência a doenças,
variedades inicialmente resistentes à bacteriose
tornam-se cada vez mais suscetíveis, até
não mais poderem ser cultivadas.
Outra razão é o próprio
dinamismo da agricultura, variedades antigas podem
não atender às novas necessidades
do setor. Por exemplo, para plantios mecanizados
são necessárias variedades de ramas
longas com ramificações altas, exigência
relativamente recente. Para a comercialização
por renda, variedades com alto teor de matéria
seca tornam-se mais interessantes.
Portanto, o melhoramento é um trabalho
contínuo e especializado, com objetivos
a longo prazo, que constitui uma reserva estratégica
de conhecimento e ação para dar
sustentabilidade à cadeia produtiva.
(*) Teresa Losada Valle é engenheira agrônoma,
pesquisadora do Instituto Agronômico (IAC)
Cx.P. 28 - CEP - 13 001-970 - Campinas-SP
e-mail: teresalv@iac.sp.gov.br
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PRINCIPAIS
VARIEDADES
BRANCA DE SANTA CATARINA
Esta variedade originou-se no Estado de Santa
Catarina e foi difundida pelo IAC na década
de 40 para substituir a variedade Vassourinha,
dizimada por bacteriose. Nesse período
houve um grande aumento da área plantada
para exportação de amido e para
a mistura com farinha de trigo na década
de 60. Teve o plantio reduzido nos anos 70, devido
à suscetibilidade a bacteriose. Chegou
a ocupar praticamente toda a área plantada
no estado de São Paulo, cerca de cem mil
hectares. É muito produtiva, película
clara, teor de matéria seca (renda) médio.
IAC 24-2 MANTIQUEIRA
Variedade produzida na década de 60. É
a mais difundida no Mundo. Existe em quase todas
as instituições onde se pesquisa
mandioca, e é cultivada em vários
países da América Latina. Em Cuba
ocupa um terço da área cultivada
com mandioca. Nos anos 60 foi enviada para o Instituto
Colombiano de Agropecuária (ICA). Posteriormente,
foi transferida para o Centro Internacional de
Agricultura Tropical (CIAT), que a difundiu para
todo o Mundo com a sigla CMC 40 e com código
MCol 1468. Foi considerada a variedade mais produtiva
em ensaios de competição de variedades
em 14 países da América Latina e
Caribe, entre os 16 países que participaram
da avaliação. É pouco cultivada
na região centro-sul do Brasil porque tem
raízes rosadas e o teor de matéria
seca é relativamente baixo. É muito
utilizada para o consumo fresco.
IAC 12
Lançada pelo Instituto Agronômico
na década de 70, é, atualmente,
a variedade mais cultivada no cerrado brasileiro,
principalmente no Estado de Goiás. É
muito produtiva, principalmente com dois ciclos.
É tolerante a pragas do cerrado e tem alto
teor de matéria seca.
IAC 13
Liberada no início dos anos 90, está
aumentando a área cultivada rapidamente
em São Paulo, principalmente em regiões
onde não ocorre superalongamento. Além
da alta produtividade oferece alto teor de matéria
seca, película clara, o que permite atender
indústrias de farinha e de amido indistintamente.
É especialmente adaptada a solos de baixa
fertilidade.
IAC 14
Liberada para cultivo no início dos anos
90, está se difundindo rapidamente. É
muito rústica. Tem porte alto, especialmente
adaptada a solos com baixa fertilidade. Tem película
escura. Destaca-se pela resistência à
bacteriose e pelo altíssimo teor de matéria
seca.
IAC 15
Liberada no final dos anos 90, está em
início de difusão. Tem produtividade
alta, mesmo com um ciclo; porte baixo, película
clara, mas teor de matéria seca relativamente
baixo.
IAC 90
A mais recente variedade do IAC. Muito produtiva
e adaptada aos sistemas de produção
da região centro-sul do Brasil. Chegou
aos agricultores através da difusão
espontânea entre produtores a partir de
rama de ensaios regionais de clones, sendo a avaliação
final feita pelos próprios agricultores.
IAC 576
Variedade liberada no final dos anos 80, especialmente
para o comercio in natura. Atualmente, no Estado
de São Paulo, é a única variedade
comercializada nos mercados hortícolas
e na indústria de congelados, para consumo
interno e exportação. Também
é muito utilizada em hortas domésticas,
colaborando para a segurança alimentar
da população de baixa renda na periferia
urbana. A polpa das raízes é creme
quando crua e amarela quando cozida devido à
presença de carotenóides, muitos
dos quais precursores de vitamina A. Além
da alta produtividade agrícola as raízes
são uniformes e atendem ao exigente padrão
comercial desses mercados.
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