Nesta Edição
Editorial
Riquezas naturais do amido
Oficina de Tapioca para crianças
Pesquisa com a mistura da fécula de mandioca
Melhoramento de mandioca
Embrapa: Mandioca Palito
Agroindústria mandioqueira na Tailândia
É possível aumentar a produtividade da mandioca?
Mais um ano difícil para as Indústrias
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ANO II - Nº7 - Junho - Agosto/2004


Melhoramento de mandioca

Teresa Losada Valle (*)

O Instituto Agronômico (IAC), em Campinas/SP, dedica-se ao desenvolvimento de ciência e tecnologia para a produção de mandioca desde o final do século 19. Mas foi a partir de 1935, após uma profunda reforma programática com o objetivo de obter suporte tecnológico à diversificação da agricultura paulista, que surgiu um programa específico de mandioca que se mantém até os dias de hoje.

A seleção de novas variedades com alta capacidade produtiva e resistência à bacteriose e o desenvolvimento de técnicas para o melhoramento foram contribuições importantes do IAC para o progresso da cultura.

O melhoramento de mandioca é uma atividade com resultados a longo prazo e altamente dinâmica. Desde os primeiros passos para obtenção de uma nova variedade, cruzamento entre os pais selecionados, até o inicio do cultivo pelo agricultor, são necessários de oito a 10 anos, se tudo correr conforme o planejado.

Portanto, as variedades que chegaram ao mercado em 2000 são fruto do trabalho iniciado em 1990. Em 2000 foram planejadas as variedades para 2010. Os prejuízos causados por trabalhos não realizados em 2004 serão sentidos na década de 2010.

As variedades em mandioca, assim como na maioria dos cultivos, têm um tempo de vida útil determinado, após o qual necessitam ser substituídas. A principal razão é a quebra de resistência a doenças, variedades inicialmente resistentes à bacteriose tornam-se cada vez mais suscetíveis, até não mais poderem ser cultivadas.

Outra razão é o próprio dinamismo da agricultura, variedades antigas podem não atender às novas necessidades do setor. Por exemplo, para plantios mecanizados são necessárias variedades de ramas longas com ramificações altas, exigência relativamente recente. Para a comercialização por renda, variedades com alto teor de matéria seca tornam-se mais interessantes.

Portanto, o melhoramento é um trabalho contínuo e especializado, com objetivos a longo prazo, que constitui uma reserva estratégica de conhecimento e ação para dar sustentabilidade à cadeia produtiva.

(*) Teresa Losada Valle é engenheira agrônoma, pesquisadora do Instituto Agronômico (IAC)
Cx.P. 28 - CEP - 13 001-970 - Campinas-SP
e-mail: teresalv@iac.sp.gov.br


 

PRINCIPAIS VARIEDADES

BRANCA DE SANTA CATARINA

Esta variedade originou-se no Estado de Santa Catarina e foi difundida pelo IAC na década de 40 para substituir a variedade Vassourinha, dizimada por bacteriose. Nesse período houve um grande aumento da área plantada para exportação de amido e para a mistura com farinha de trigo na década de 60. Teve o plantio reduzido nos anos 70, devido à suscetibilidade a bacteriose. Chegou a ocupar praticamente toda a área plantada no estado de São Paulo, cerca de cem mil hectares. É muito produtiva, película clara, teor de matéria seca (renda) médio.

IAC 24-2 MANTIQUEIRA

Variedade produzida na década de 60. É a mais difundida no Mundo. Existe em quase todas as instituições onde se pesquisa mandioca, e é cultivada em vários países da América Latina. Em Cuba ocupa um terço da área cultivada com mandioca. Nos anos 60 foi enviada para o Instituto Colombiano de Agropecuária (ICA). Posteriormente, foi transferida para o Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT), que a difundiu para todo o Mundo com a sigla CMC 40 e com código MCol 1468. Foi considerada a variedade mais produtiva em ensaios de competição de variedades em 14 países da América Latina e Caribe, entre os 16 países que participaram da avaliação. É pouco cultivada na região centro-sul do Brasil porque tem raízes rosadas e o teor de matéria seca é relativamente baixo. É muito utilizada para o consumo fresco.

IAC 12

Lançada pelo Instituto Agronômico na década de 70, é, atualmente, a variedade mais cultivada no cerrado brasileiro, principalmente no Estado de Goiás. É muito produtiva, principalmente com dois ciclos. É tolerante a pragas do cerrado e tem alto teor de matéria seca.

IAC 13

Liberada no início dos anos 90, está aumentando a área cultivada rapidamente em São Paulo, principalmente em regiões onde não ocorre superalongamento. Além da alta produtividade oferece alto teor de matéria seca, película clara, o que permite atender indústrias de farinha e de amido indistintamente. É especialmente adaptada a solos de baixa fertilidade.

IAC 14

Liberada para cultivo no início dos anos 90, está se difundindo rapidamente. É muito rústica. Tem porte alto, especialmente adaptada a solos com baixa fertilidade. Tem película escura. Destaca-se pela resistência à bacteriose e pelo altíssimo teor de matéria seca.

IAC 15

Liberada no final dos anos 90, está em início de difusão. Tem produtividade alta, mesmo com um ciclo; porte baixo, película clara, mas teor de matéria seca relativamente baixo.

IAC 90

A mais recente variedade do IAC. Muito produtiva e adaptada aos sistemas de produção da região centro-sul do Brasil. Chegou aos agricultores através da difusão espontânea entre produtores a partir de rama de ensaios regionais de clones, sendo a avaliação final feita pelos próprios agricultores.

IAC 576

Variedade liberada no final dos anos 80, especialmente para o comercio in natura. Atualmente, no Estado de São Paulo, é a única variedade comercializada nos mercados hortícolas e na indústria de congelados, para consumo interno e exportação. Também é muito utilizada em hortas domésticas, colaborando para a segurança alimentar da população de baixa renda na periferia urbana. A polpa das raízes é creme quando crua e amarela quando cozida devido à presença de carotenóides, muitos dos quais precursores de vitamina A. Além da alta produtividade agrícola as raízes são uniformes e atendem ao exigente padrão comercial desses mercados.

   
 
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