Nesta Edição
Editorial
Brasil deverá produzir 25 milhões de toneladas de mandioca em 2005
Colhedeira de Mandioca está em fase de testes
Alcool de Mandioca
Viagem técnica ao Vietnâ e à Tailândia
Estiagem prolongada afetou cultura da mandioca
Perspectivas para a cadeia da mandioca em 2005
ABAM difunde uso do amido de mandioca na Food Ingredients
Conservação em laboratório do germoplasma de mandioca
Arranjo Produtivo Local da Mandioca
Câmara Setorial da Mandioca do Paraná define primeiras metas
Bolsa de Negociações ABAM
Metodologia de determinação de amido digestão ácida em microondas
MS ganha Centro de Pesquisa e Treinamento
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ANO II - Nº8 - Setembro - Dezembro/2004


Alcool de Mandioca

Tailândia quer adotar tecnologia Brasileira

A maior novidade trazida pelos industriais, associados à ABAM, que estiveram na Ásia no início de novembro, é o interesse da Tailândia em adotar tecnologia brasileira para produção de álcool de mandioca. Maior produtor mundial de amido de mandioca a Tailândia vê no álcool de mandioca a solução para enfrentar a crise do petróleo. Com o investimento no álcool a Tailândia deverá reduzir sua produção de amido.

É o que deduz o Presidente da ABAM, João Eduardo Pasquini, ao avaliar a atual situação agrícola daquele país. Para produzir álcool de mandioca os tailandeses vão esbarrar num problema: a falta de espaço para o plantio de mandioca. O país produz hoje em torno de 22 milhões de toneladas de raiz. Para atingir esse volume já está no limite da cota de terras disponibilizadas para a cultura, uma vez que o Governo tailandês limita áreas de plantio para suas principais culturas - a mandioca é uma delas.

Não tendo como expandir o plantio, e, para garantir a matéria-prima necessária à fabricação de álcool, será preciso reduzir a destinação da raiz para outros segmentos de mercado como o amido. Com isso, acredita Pasquini, boa parte do mercado de amido de mandioca, abastecido hoje por aquele país, poderá ser conquistado pelo Brasil.

Pasquini salienta que a demanda por amido de mandioca está aumentando, significativamente, no Mundo, sobretudo na Europa, e que as indústrias brasileiras estão se preparando para absorver boa parte do mercado que está se abrindo. Muitos industriais brasileiros estão investindo na ampliação de suas indústrias, com vistas a aumentar a capacidade de processamento e na implantação de plantas de amidos modificados de mandioca para os segmentos agroalimentar e de papel e papelão.
De acordo com o industrial Antonio Donizetti Fadel, que também integrou o grupo, será apresentado aos empresários tailandeses um projeto de cinco usinas, com capacidade para processar 1.200 toneladas de mandioca/dia, que gerarão 200 mil litros de álcool por dia. Segundo Fadel o projeto já existe e só precisa ser adaptado às necessidades da Tailândia.

Além do Presidente da ABAM, e do industrial Antonio Donizeti Fadel, integraram a missão brasileira Alberto Conink Filho; Ivo pierin Jr; e, o Pesquisador do Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), Mario Takahashi.

PRODUÇÃO - dos 22 milhões de toneladas de raízes de mandioca produzidos pela Tailândia 12 milhões de toneladas são destinados às indústrias de amido, que produzem cerca de 3 milhões de toneladas de amido/ano. Do volume total de amido 60% são exportados; o restante fica no mercado interno.

Os outros 10 milhões de toneladas de raiz são direcionados à fabricação de chips (mandioca em pedaços, secos ao sol) para ração animal, e, para fabricação de álcool. Esses produtos são absorvidos pelos mercado europeu e chinês.

Conforme Pasquini, a produtividade na Tailândia gira em torno de 20 toneladas por hectare. A meta daquele país, segundo ele, é aumentar em 10% ao ano sua produtividade, visando obter a matéria-prima suficiente ao atendimento de suas necessidades.

PREÇOS enquanto no Brasil os preços da raiz de mandioca oscilam constantemente, na Tailândia o mercado é equilibrado, porquê regulado pelos preços do mercado externo. “Uma vez que a maior parte da produção é exportada, e os preços desse mercado são estáveis, os preços da raiz se mantêm, praticamente, inalterados”, observa Pasquini.

Na sua avaliação para que se tenha oferta e procura em equilíbrio é preciso se investir nas áreas agrícola e industrial, de modo a se chegar a valores de venda equivalentes aos US$ 35 praticados hoje pela Tailândia, assegurando-se lucro para o produtor. No Brasil o preço atual da tonelada da raiz está torno de US$ 70.

Planos de ação voltados a investimentos em tecnologias de plantio; nas indústrias; na pesquisa de variedades mais produtivas, com maior teor de amido; e, na redução de custos de produção, através da mecanização da colheita, tornariam o Brasil mais competitivo no mercado internacional. “Com melhorias significativas como essas teríamos como chegar aos patamares de preços praticados pela Tailândia”, considera Pasquini.

Ele conta que os industriais do setor de amido de mandioca estão dando sua parcela de contribuição, a partir do investimento na remodelação de suas indústrias, e na implantação de novas unidades; e, também, a partir do investimento no desenvolvimento de um protótipo de uma máquina colhedeira, que deverá contribuir para reduzir custos aos produtores rurais. O protótipo já está em fase de testes em fazendas de mandioca do Noroeste do Paraná, maior região produtora do Estado.

TECNOLOGIA DE PLANTIO - segundo o Presidente da ABAM, em se tratando de tecnologia de plantio, o Brasil está mais avançado que a Tailândia. Lá, a maioria dos produtores planta de dois a 16 hectares, e ainda se planta mandioca manualmente, dispondo-se as manivas na posição vertical, em leiras (maniva é o caule da planta, utilizado para o plantio; leiras são pequenos montes de terra). No Brasil já existem máquinas plantadeiras, que contribuem para dinamizar o plantio.

Na análise de Pasquini “o Brasil tem todas as condições de crescer no mercado mundial. Só é preciso que se crie um sistema de atuação que nos garanta condições de ocupar posições cada vez maiores nessa competição”, diz Pasquini.

Ele cita entre as experiências de sucesso adotadas pelos empresários tailandeses a criação de associações de indústrias voltadas ao controle das exportações. As associações administram os negócios externos das indústrias, cobrando uma taxa sobre o valor exportado.

GOVERNO - o governo tailandês também tem significativa participação no desenvolvimento do mercado de amido de mandioca, a partir da destinação de US$ 15 milhões à TTDI (Thai Tapioca Development Institute), para apoio à pesquisa e desenvolvimento. A TTDI vem utilizando apenas os juros desse dinheiro, para investimentos em pesquisas na área da mandioca.

A missão brasileira que esteve na Ásia visitou também o Vietnã, onde está havendo falta de raiz. Tal qual está acontecendo no Brasil, muitos produtores vietnamitas estão colhendo mandioca nova. O Vietnã produz cerca de 300 mil toneladas/ano de amido de mandioca, sendo que mais de 60% da produção é exportada, para a China, Japão e Taiwan.

 

   
 
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