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maior novidade trazida pelos industriais, associados
à ABAM, que estiveram na Ásia no
início de novembro, é o interesse
da Tailândia em adotar tecnologia brasileira
para produção de álcool de
mandioca. Maior produtor mundial de amido de mandioca
a Tailândia vê no álcool de
mandioca a solução para enfrentar
a crise do petróleo. Com o investimento
no álcool a Tailândia deverá
reduzir sua produção de amido.
É o que deduz o Presidente da ABAM, João
Eduardo Pasquini, ao avaliar a atual situação
agrícola daquele país. Para produzir
álcool de mandioca os tailandeses vão
esbarrar num problema: a falta de espaço
para o plantio de mandioca. O país produz
hoje em torno de 22 milhões de toneladas
de raiz. Para atingir esse volume já está
no limite da cota de terras disponibilizadas para
a cultura, uma vez que o Governo tailandês
limita áreas de plantio para suas principais
culturas - a mandioca é uma delas.
Não tendo como expandir o plantio, e,
para garantir a matéria-prima necessária
à fabricação de álcool,
será preciso reduzir a destinação
da raiz para outros segmentos de mercado como
o amido. Com isso, acredita Pasquini, boa parte
do mercado de amido de mandioca, abastecido hoje
por aquele país, poderá ser conquistado
pelo Brasil.
Pasquini salienta que a demanda por amido de
mandioca está aumentando, significativamente,
no Mundo, sobretudo na Europa, e que as indústrias
brasileiras estão se preparando para absorver
boa parte do mercado que está se abrindo.
Muitos industriais brasileiros estão investindo
na ampliação de suas indústrias,
com vistas a aumentar a capacidade de processamento
e na implantação de plantas de amidos
modificados de mandioca para os segmentos agroalimentar
e de papel e papelão.
De acordo com o industrial Antonio Donizetti Fadel,
que também integrou o grupo, será
apresentado aos empresários tailandeses
um projeto de cinco usinas, com capacidade para
processar 1.200 toneladas de mandioca/dia, que
gerarão 200 mil litros de álcool
por dia. Segundo Fadel o projeto já existe
e só precisa ser adaptado às necessidades
da Tailândia.
Além do Presidente da ABAM, e do industrial
Antonio Donizeti Fadel, integraram a missão
brasileira Alberto Conink Filho; Ivo pierin Jr;
e, o Pesquisador do Iapar (Instituto Agronômico
do Paraná), Mario Takahashi.
PRODUÇÃO - dos
22 milhões de toneladas de raízes
de mandioca produzidos pela Tailândia 12
milhões de toneladas são destinados
às indústrias de amido, que produzem
cerca de 3 milhões de toneladas de amido/ano.
Do volume total de amido 60% são exportados;
o restante fica no mercado interno.
Os outros 10 milhões de toneladas de
raiz são direcionados à fabricação
de chips (mandioca em pedaços, secos ao
sol) para ração animal, e, para
fabricação de álcool. Esses
produtos são absorvidos pelos mercado europeu
e chinês.
Conforme Pasquini, a produtividade na Tailândia
gira em torno de 20 toneladas por hectare. A meta
daquele país, segundo ele, é aumentar
em 10% ao ano sua produtividade, visando obter
a matéria-prima suficiente ao atendimento
de suas necessidades.
PREÇOS enquanto no Brasil
os preços da raiz de mandioca oscilam constantemente,
na Tailândia o mercado é equilibrado,
porquê regulado pelos preços do mercado
externo. “Uma vez que a maior parte da produção
é exportada, e os preços desse mercado
são estáveis, os preços da
raiz se mantêm, praticamente, inalterados”,
observa Pasquini.
Na sua avaliação para que se tenha
oferta e procura em equilíbrio é
preciso se investir nas áreas agrícola
e industrial, de modo a se chegar a valores de
venda equivalentes aos US$ 35 praticados hoje
pela Tailândia, assegurando-se lucro para
o produtor. No Brasil o preço atual da
tonelada da raiz está torno de US$ 70.
Planos de ação voltados a investimentos
em tecnologias de plantio; nas indústrias;
na pesquisa de variedades mais produtivas, com
maior teor de amido; e, na redução
de custos de produção, através
da mecanização da colheita, tornariam
o Brasil mais competitivo no mercado internacional.
“Com melhorias significativas como essas
teríamos como chegar aos patamares de preços
praticados pela Tailândia”, considera
Pasquini.
Ele conta que os industriais do setor de amido
de mandioca estão dando sua parcela de
contribuição, a partir do investimento
na remodelação de suas indústrias,
e na implantação de novas unidades;
e, também, a partir do investimento no
desenvolvimento de um protótipo de uma
máquina colhedeira, que deverá contribuir
para reduzir custos aos produtores rurais. O protótipo
já está em fase de testes em fazendas
de mandioca do Noroeste do Paraná, maior
região produtora do Estado.
TECNOLOGIA DE PLANTIO - segundo
o Presidente da ABAM, em se tratando de tecnologia
de plantio, o Brasil está mais avançado
que a Tailândia. Lá, a maioria dos
produtores planta de dois a 16 hectares, e ainda
se planta mandioca manualmente, dispondo-se as
manivas na posição vertical, em
leiras (maniva é o caule da planta, utilizado
para o plantio; leiras são pequenos montes
de terra). No Brasil já existem máquinas
plantadeiras, que contribuem para dinamizar o
plantio.
Na análise de Pasquini “o Brasil
tem todas as condições de crescer
no mercado mundial. Só é preciso
que se crie um sistema de atuação
que nos garanta condições de ocupar
posições cada vez maiores nessa
competição”, diz Pasquini.
Ele cita entre as experiências de sucesso
adotadas pelos empresários tailandeses
a criação de associações
de indústrias voltadas ao controle das
exportações. As associações
administram os negócios externos das indústrias,
cobrando uma taxa sobre o valor exportado.
GOVERNO - o governo tailandês
também tem significativa participação
no desenvolvimento do mercado de amido de mandioca,
a partir da destinação de US$ 15
milhões à TTDI (Thai Tapioca Development
Institute), para apoio à pesquisa e desenvolvimento.
A TTDI vem utilizando apenas os juros desse dinheiro,
para investimentos em pesquisas na área
da mandioca.
A missão brasileira que esteve na Ásia
visitou também o Vietnã, onde está
havendo falta de raiz. Tal qual está acontecendo
no Brasil, muitos produtores vietnamitas estão
colhendo mandioca nova. O Vietnã produz
cerca de 300 mil toneladas/ano de amido de mandioca,
sendo que mais de 60% da produção
é exportada, para a China, Japão
e Taiwan.
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