| Está
em testes numa fazenda do Noroeste do Paraná
um protótipo de uma máquina colhedeira
de mandioca. É um dos mais significativos
passos dados pelos empresários do setor
de amido de mandioca rumo à mecanização
da colheita. A máquina é resultado
da adaptação de uma colhedeira de
batatas, produzida por uma empresa paranaense,
que trabalhou no projeto durante dois meses, iniciando
os testes no começo do mês de novembro.
O custo de produção do protótipo,
estimado em R$ 158 mil, será rateado entre
as 24 indústrias de amido envolvidas no
projeto.
O técnico agrícola Sílvio
Gonçalo, que está acompanhando os
testes da máquina, funcionário da
Indemil, explica que a fase atual é de
ajuste do rendimento da máquina, que colhe
duas linhas de mandioca, numa velocidade de 2,1
quilômetros por hora. A idéia, segundo
Gonçalo, é que a máquina
consiga colher 1,3 alqueires/dia de raiz. “Ainda
não é possível mensurar o
rendimento da máquina, pois não
estamos colhendo ininterruptamente. Paramos para
fazer alguma avaliação, ou ajuste.
Desde que iniciamos os testes já fizemos
algumas modificações e adaptações,
visando a melhora dos resultados”, observa
Gonçalo.
Para efetuar o arranquio da raiz é preciso
que tenha havido, anteriormente, a poda da roça.
Através de lâminas, de 1,80 metros
de largura, contidas em sua parte dianteira, ela
adentra o solo, numa profundidade de 30 centímetros,
arrancando a raiz, que é remetida para
uma esteira. Nessa esteira acontece a primeira
limpeza da raiz: um batedor retira a terra, que
cai ao solo. Posteriormente, a raiz cai numa segunda
esteira de elevação onde perde mais
um pouco da terra.
Passadas essas duas primeiras fases, totalmente
mecanizadas, a raiz chega a uma terceira esteira,
onde trabalhadores fazem a despenicação
(retirada da cepa da raiz). Eles vão retirando
a cepa e colocando a raiz numa esteira central,
que a conduz até o bag (saco de 500 quilos),
que fica na parte traseira da máquina.
Ali, outro trabalhador se incumbe de controlar
o nível de preenchimento do bag. Quando
preenchido um bag, é acionado um sistema
que o retira e o coloca no solo, sendo substituído
por outro, dando-se continuidade ao processo,
com a máquina em movimento contínuo.
Os bags que vão sendo deixados para trás
são, então, retirados por um guincho,
que os conduz até o caminhão. O
bag é, então, aberto, na sua parte
inferior, deixando cair a raiz no caminhão.
Com esse processo elimina-se o trabalho braçal
que era requerido para se levar os balaios de
raiz ao alto do caminhão.
Para Helio Minoru, Gerente de Suprimento Agrícola
da Indemil, que está coordenando o grupo
de industriais envolvidos no projeto, com a conquista
da mecanização da colheita da mandioca
o setor tenderá a crescer significativamente.
A mecanização, em sua avaliação,
contribuirá para aumentar os investimentos
do produtor rural no plantio. “Já
estamos em contato com produtores interessados
em adquirir a máquina. Além de usar
para sua própria lavoura, eles já
pensam em alugar o equipamento para outros produtores”,
salienta Minoru.
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