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ANO II - Nº7 - Março - Maio/2004


Cumprindo a Promessa

Joselito Motta (*)

Em nossa última coluna comentamos sobre a preservação do material genético de mandioca existente no país. Abordamos o trabalho da Embrapa Mandioca e Fruticultura, que mantém em laboratório cerca de 55% de sua coleção, que passa de 1860 acessos, medida que contribui para reduzir os riscos de erosão genética proporcionados pelas perdas de materiais. Como prometemos, estamos divulgando agora um trabalho do pesquisador responsável pelo projeto: Antônio da Silva Souza.

Conservação em laboratório do germoplasma de mandioca

Antônio da Silva Souza (*)
Fernanda Vidigal Duarte Souza (*)
Tatiana Góes Junghans (*)
Janay Almeida dos Santos-Serejo (*
)

A base do melhoramento genético de qualquer espécie está na sua diversidade genética, o que reflete em respostas a melhores práticas agronômicas e resistência/tolerância a diversos fatores bióticos e abióticos. A diversidade contida em um germoplasma deve ser protegida contra eventuais perdas, e, assim garantir sua utilização para o aumento da produtividade.

Os recursos genéticos vegetais são um reservatório natural de genes com potencial de uso para a produção sustentável de gêneros essenciais à humanidade, tais como alimentos, fibras e medicamentos. Entretanto, essa biodiversidade está sendo destruída numa velocidade alarmante, devido ao crescimento desorganizado e à exploração sem controle dos ecossistemas e de seus recursos naturais.

O mais interessante é que aspectos como a própria geração e utilização de novas cultivares com características melhoradas, bem como a adoção de tecnologias modernas e avançadas, acabam contribuindo para a erosão genética que atinge as espécies em geral.
A preocupação com a prevenção da erosão genética despertou o interesse pela conservação do germoplasma vegetal há mais de 30 anos, de modo a protegê-lo de eventuais perdas e garantir sua utilização sempre que necessário.

Os métodos empregados para a conservação do germoplasma de plantas superiores são ajustados de acordo com o sistema de propagação de cada espécie. Por exemplo, para fruteiras como banana e espécies tropicais produtoras de raízes e tubérculos, a exemplo da mandioca, as quais raramente produzem sementes, ou essas são praticamente estéreis, os bancos genéticos ex situ (a campo) e a conservação em laboratório (in vitro) são, provavelmente, os sistemas de preservação mais recomendados.

A conservação ex situ do germoplasma implica na manutenção das espécies em locais diferentes daqueles aos quais estão adaptadas, ou seja, fora de seus habitat naturais. Essas coleções são chamadas de ativas e as instituições que as mantêm são responsáveis por: garantir a sua diversidade (seja pela iniciativa de coletar periodicamente recursos genéticos, seja por favorecer o intercâmbio com outros bancos de germoplasma); multiplicá-las; distribuí-las aos usuários; e, promover sua caracterização por diferentes metodologias.

No entanto, a manutenção de bancos de germoplasma em condições de campo tem como desvantagem a sua vulnerabilidade a uma série de fatores, tais como a erosão genética devido a não adaptação das espécies e variedades às novas condições ambientais, à contínua exposição ao ataque de pragas, doenças e predadores eventuais, intempéries climáticas, problemas edáficos e vandalismo, podendo os acessos ser perdidos ainda por falhas na identificação devido a erro humano ou por problemas de cunho técnico-administrativo.

Aliado a tudo isso, o tradicional método de conservação de germoplasma no campo requer um elevado custo financeiro operacional, notadamente em relação à grande quantidade de mão-de-obra empregada no plantio inicial e subseqüentes replantios, bem como nas capinas, fertilização e tratamentos contra pragas e doenças.

Esses problemas podem ser intensificados, a depender da espécie, quando um maior espaço físico pode ser necessário, demandando um enorme trabalho, como normalmente acontece com as plantas lenhosas.

Todos estes aspectos, portanto, justificam que o desenvolvimento de técnicas alternativas de conservação dos recursos genéticos, de preferência, a longo prazo, torne-se uma importante prioridade.

Diante da possibilidade de se obter plantas completas a partir do cultivo de células, tecidos ou órgãos, se pleiteou, na década de 70, que as técnicas in vitro poderiam ter, na conservação dos recursos fitogenéticos, alternativas valiosas para a manutenção de coleções a serem empregadas de imediato em programas de melhoramento vegetal.

A conservação in vitro se baseia no cultivo de coleções em laboratório, devendo ser considerada como parte de uma estratégia geral de preservação de plantas, sendo muito importante para aquelas espécies que normalmente são propagadas vegetativamente.

O processo de preservação in vitro apresenta diversas vantagens sobre o processo de conservação de germoplasma no campo. Dentre elas destacam-se: a necessidade de menor espaço para colocar o material; a manutenção de material vegetal livre de pragas e patógenos; a disponibilidade de material para ser imediatamente propagado; a redução dos custos de manutenção; a alta taxa de multiplicação, independentemente de condições climáticas; a redução da erosão genética; e, a simplificação do intercâmbio de germoplasma.

Neste sistema, brotos e plantas, derivados diretamente de ápices meristemáticos e gemas laterais, são mantidos em condições ambientais (temperatura, intensidade luminosa e fotoperíodo) e/ou químicas (meios de cultura) que permitam estender ao máximo o intervalo das transferências para meios novos, sem afetar a viabilidade e estabilidade genética dos cultivos.

Na Embrapa Mandioca e Fruticultura, então sendo mantidos in vitro cerca de 55% dos 1.860 acessos que compõem sua coleção de campo.

(*) Pesquisadores, D.Sc., da Embrapa Mandioca e
Fruticultura - Rua Embrapa, s/nº
Caixa Postal 007 - 44.380-000 - Cruz das Almas-BA.
assouza@cnpmf.embrapa.br
fernanda@cnpmf.embrapa.br
tatiana@cnpmf.embrapa.br
janay@cnpmf.embrapa.br

 

(*) Joselito Motta é engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, tem mestrado em Extensão Rural pela Universidade Federal de Viçosa/MG e cursos de especialização em uso da mandioca email

   
 
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