| Joselito
Motta (*)
Em nossa última coluna comentamos sobre
a preservação do material genético
de mandioca existente no país. Abordamos
o trabalho da Embrapa Mandioca e Fruticultura,
que mantém em laboratório cerca
de 55% de sua coleção, que passa
de 1860 acessos, medida que contribui para reduzir
os riscos de erosão genética proporcionados
pelas perdas de materiais. Como prometemos, estamos
divulgando agora um trabalho do pesquisador responsável
pelo projeto: Antônio da Silva Souza.
Conservação
em laboratório do germoplasma de mandioca
Antônio da Silva
Souza (*)
Fernanda Vidigal Duarte Souza (*)
Tatiana Góes Junghans (*)
Janay Almeida dos Santos-Serejo (*)
A base do melhoramento genético de qualquer
espécie está na sua diversidade
genética, o que reflete em respostas a
melhores práticas agronômicas e resistência/tolerância
a diversos fatores bióticos e abióticos.
A diversidade contida em um germoplasma deve ser
protegida contra eventuais perdas, e, assim garantir
sua utilização para o aumento da
produtividade.
Os recursos genéticos vegetais são
um reservatório natural de genes com potencial
de uso para a produção sustentável
de gêneros essenciais à humanidade,
tais como alimentos, fibras e medicamentos. Entretanto,
essa biodiversidade está sendo destruída
numa velocidade alarmante, devido ao crescimento
desorganizado e à exploração
sem controle dos ecossistemas e de seus recursos
naturais.
O mais interessante é que aspectos como
a própria geração e utilização
de novas cultivares com características
melhoradas, bem como a adoção de
tecnologias modernas e avançadas, acabam
contribuindo para a erosão genética
que atinge as espécies em geral.
A preocupação com a prevenção
da erosão genética despertou o interesse
pela conservação do germoplasma
vegetal há mais de 30 anos, de modo a protegê-lo
de eventuais perdas e garantir sua utilização
sempre que necessário.
Os métodos empregados para a conservação
do germoplasma de plantas superiores são
ajustados de acordo com o sistema de propagação
de cada espécie. Por exemplo, para fruteiras
como banana e espécies tropicais produtoras
de raízes e tubérculos, a exemplo
da mandioca, as quais raramente produzem sementes,
ou essas são praticamente estéreis,
os bancos genéticos ex situ (a campo) e
a conservação em laboratório
(in vitro) são, provavelmente, os sistemas
de preservação mais recomendados.
A conservação ex situ do germoplasma
implica na manutenção das espécies
em locais diferentes daqueles aos quais estão
adaptadas, ou seja, fora de seus habitat naturais.
Essas coleções são chamadas
de ativas e as instituições que
as mantêm são responsáveis
por: garantir a sua diversidade (seja pela iniciativa
de coletar periodicamente recursos genéticos,
seja por favorecer o intercâmbio com outros
bancos de germoplasma); multiplicá-las;
distribuí-las aos usuários; e, promover
sua caracterização por diferentes
metodologias.
No entanto, a manutenção de bancos
de germoplasma em condições de campo
tem como desvantagem a sua vulnerabilidade a uma
série de fatores, tais como a erosão
genética devido a não adaptação
das espécies e variedades às novas
condições ambientais, à contínua
exposição ao ataque de pragas, doenças
e predadores eventuais, intempéries climáticas,
problemas edáficos e vandalismo, podendo
os acessos ser perdidos ainda por falhas na identificação
devido a erro humano ou por problemas de cunho
técnico-administrativo.
Aliado a tudo isso, o tradicional método
de conservação de germoplasma no
campo requer um elevado custo financeiro operacional,
notadamente em relação à
grande quantidade de mão-de-obra empregada
no plantio inicial e subseqüentes replantios,
bem como nas capinas, fertilização
e tratamentos contra pragas e doenças.
Esses problemas podem ser intensificados, a
depender da espécie, quando um maior espaço
físico pode ser necessário, demandando
um enorme trabalho, como normalmente acontece
com as plantas lenhosas.
Todos estes aspectos, portanto, justificam que
o desenvolvimento de técnicas alternativas
de conservação dos recursos genéticos,
de preferência, a longo prazo, torne-se
uma importante prioridade.
Diante da possibilidade de se obter plantas
completas a partir do cultivo de células,
tecidos ou órgãos, se pleiteou,
na década de 70, que as técnicas
in vitro poderiam ter, na conservação
dos recursos fitogenéticos, alternativas
valiosas para a manutenção de coleções
a serem empregadas de imediato em programas de
melhoramento vegetal.
A conservação in vitro se baseia
no cultivo de coleções em laboratório,
devendo ser considerada como parte de uma estratégia
geral de preservação de plantas,
sendo muito importante para aquelas espécies
que normalmente são propagadas vegetativamente.
O processo de preservação in vitro
apresenta diversas vantagens sobre o processo
de conservação de germoplasma no
campo. Dentre elas destacam-se: a necessidade
de menor espaço para colocar o material;
a manutenção de material vegetal
livre de pragas e patógenos; a disponibilidade
de material para ser imediatamente propagado;
a redução dos custos de manutenção;
a alta taxa de multiplicação, independentemente
de condições climáticas;
a redução da erosão genética;
e, a simplificação do intercâmbio
de germoplasma.
Neste sistema, brotos e plantas, derivados diretamente
de ápices meristemáticos e gemas
laterais, são mantidos em condições
ambientais (temperatura, intensidade luminosa
e fotoperíodo) e/ou químicas (meios
de cultura) que permitam estender ao máximo
o intervalo das transferências para meios
novos, sem afetar a viabilidade e estabilidade
genética dos cultivos.
Na Embrapa Mandioca e Fruticultura, então
sendo mantidos in vitro cerca de 55% dos 1.860
acessos que compõem sua coleção
de campo.
(*) Pesquisadores, D.Sc., da Embrapa
Mandioca e
Fruticultura - Rua Embrapa, s/nº
Caixa Postal 007 - 44.380-000 - Cruz das Almas-BA.
assouza@cnpmf.embrapa.br
fernanda@cnpmf.embrapa.br
tatiana@cnpmf.embrapa.br
janay@cnpmf.embrapa.br
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(*) Joselito Motta é engenheiro
agrônomo, pesquisador da Embrapa Mandioca
e Fruticultura, tem mestrado em Extensão
Rural pela Universidade Federal de Viçosa/MG
e cursos de especialização em uso
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