Editorial
Expectativas para 2005
João Eduardo Pasquini (*)
O ano 2004 está se encerrando. Assim como
em 2003, os preços, tanto no âmbito
do produtor quanto da indústria, continuaram
altos. Os produtores continuaram a receber pela
tonelada valor que elegeu a mandioca como a cultura
que mais remunerou o agricultor nos últimos
dois anos. Em alguns períodos desses dois
últimos anos alguns agricultores chegaram
a receber até R$ 350,00 por tonelada de
raiz, sendo que o custo de produção
não ultrapassou R$ 80,00 ou R$ 90,00 por
tonelada. Mas, isso trouxe um ônus para
o setor, levando o amido de mandioca a perder
competitividade em relação a outros
amidos.
Para 2005 há perspectivas de um cenário
mais animador para o amido de mandioca. Apesar
de ter havido alguns problemas climáticos
na época do plantio, com significativa
oscilação entre excesso e falta
de chuvas em alguns períodos, observamos
um grande aumento na área de plantio nos
principais estados produtores de mandioca industrial.
Nas regiões Norte / Nordeste também
houve estabilização do plantio,
o que deverá assegurar volume de raiz para
suprir suas necessidades para a produção
de farinha, sem que seja necessário que
os estados que integram essas regiões venham
se abastecer nos estados do Centro-Sul do país.
As estimativas indicam produção
para o Brasil acima de 25 milhões de toneladas
de raiz no ano que vem. Mas, é sempre bom
lembrar que a produção só
deve começar a ser disponibilizada para
a industrialização, devido aos efeitos
climáticos, a partir do mês de maio
do ano que vem. Portanto é preciso que
fiquemos atentos ao mercado, pois, ao mesmo tempo
em que sabemos que os preços estão
altos em relação a outros amidos,
não sabemos se a quantidade de raiz a ser
ofertada para a indústria até a
entrada desta nova safra será suficiente
para que os preços sejam reduzidos a níveis
mais competitivos nos primeiros meses do ano.
Creio que os fatos ocorridos nos últimos
anos no setor mostraram, tanto aos produtores
quanto aos industriais e ao mercado consumidor,
que devemos ter preços mais competitivos
para o amido. Contudo, não podemos nos
esquecer que devemos remunerar todos os integrantes
da cadeia produtiva, afim de que não se
quebre o ciclo de produção mais
uma vez, e vejamos o setor enfrentar nova crise
no futuro.
Temos que ter produto industrializado para oferecer
a nossos clientes em valores que sejam competitivos,
mas também não podemos esquecer
que temos de oferecer aos produtores de mandioca
preços que remunerem sua produção,
e façam com que eles se sintam estimulados
a produzir todos os anos, eliminando, definitivamente,
as oscilações de preços que
acompanham a cultura da mandioca há vários
anos.
Acredito que como há preocupação
dos industriais em remunerar sua produção,
o produtor tem que ter preocupação
em produzir mandioca com margem de lucro menor
na hora de comercializar sua produção,
dando condições para que as indústrias
tenham mais competitividade. Afinal, em qualquer
relação de mercado, para que haja
crescimento sustentável, tem que haver
benefícios para todas as partes que integram
o processo produtivo.
João Eduardo Pasquini é Presidente
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