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ANO II - Nº8 - Setembro - Dezembro/2004
Editorial

Expectativas para 2005

João Eduardo Pasquini (*)

O ano 2004 está se encerrando. Assim como em 2003, os preços, tanto no âmbito do produtor quanto da indústria, continuaram altos. Os produtores continuaram a receber pela tonelada valor que elegeu a mandioca como a cultura que mais remunerou o agricultor nos últimos dois anos. Em alguns períodos desses dois últimos anos alguns agricultores chegaram a receber até R$ 350,00 por tonelada de raiz, sendo que o custo de produção não ultrapassou R$ 80,00 ou R$ 90,00 por tonelada. Mas, isso trouxe um ônus para o setor, levando o amido de mandioca a perder competitividade em relação a outros amidos.

Para 2005 há perspectivas de um cenário mais animador para o amido de mandioca. Apesar de ter havido alguns problemas climáticos na época do plantio, com significativa oscilação entre excesso e falta de chuvas em alguns períodos, observamos um grande aumento na área de plantio nos principais estados produtores de mandioca industrial. Nas regiões Norte / Nordeste também houve estabilização do plantio, o que deverá assegurar volume de raiz para suprir suas necessidades para a produção de farinha, sem que seja necessário que os estados que integram essas regiões venham se abastecer nos estados do Centro-Sul do país.

As estimativas indicam produção para o Brasil acima de 25 milhões de toneladas de raiz no ano que vem. Mas, é sempre bom lembrar que a produção só deve começar a ser disponibilizada para a industrialização, devido aos efeitos climáticos, a partir do mês de maio do ano que vem. Portanto é preciso que fiquemos atentos ao mercado, pois, ao mesmo tempo em que sabemos que os preços estão altos em relação a outros amidos, não sabemos se a quantidade de raiz a ser ofertada para a indústria até a entrada desta nova safra será suficiente para que os preços sejam reduzidos a níveis mais competitivos nos primeiros meses do ano.

Creio que os fatos ocorridos nos últimos anos no setor mostraram, tanto aos produtores quanto aos industriais e ao mercado consumidor, que devemos ter preços mais competitivos para o amido. Contudo, não podemos nos esquecer que devemos remunerar todos os integrantes da cadeia produtiva, afim de que não se quebre o ciclo de produção mais uma vez, e vejamos o setor enfrentar nova crise no futuro.

Temos que ter produto industrializado para oferecer a nossos clientes em valores que sejam competitivos, mas também não podemos esquecer que temos de oferecer aos produtores de mandioca preços que remunerem sua produção, e façam com que eles se sintam estimulados a produzir todos os anos, eliminando, definitivamente, as oscilações de preços que acompanham a cultura da mandioca há vários anos.

Acredito que como há preocupação dos industriais em remunerar sua produção, o produtor tem que ter preocupação em produzir mandioca com margem de lucro menor na hora de comercializar sua produção, dando condições para que as indústrias tenham mais competitividade. Afinal, em qualquer relação de mercado, para que haja crescimento sustentável, tem que haver benefícios para todas as partes que integram o processo produtivo.

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