Nesta Edição
Editorial
Brasil deverá produzir 25 milhões de toneladas de mandioca em 2005
Colhedeira de Mandioca está em fase de testes
Alcool de Mandioca
Viagem técnica ao Vietnâ e à Tailândia
Estiagem prolongada afetou cultura da mandioca
Perspectivas para a cadeia da mandioca em 2005
ABAM difunde uso do amido de mandioca na Food Ingredients
Conservação em laboratório do germoplasma de mandioca
Arranjo Produtivo Local da Mandioca
Câmara Setorial da Mandioca do Paraná define primeiras metas
Bolsa de Negociações ABAM
Metodologia de determinação de amido digestão ácida em microondas
MS ganha Centro de Pesquisa e Treinamento
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ANO II - Nº8 - Setembro - Dezembro/2004


Viagem técnica ao Vietnâ e à Tailândia

(*) Mário Takahashi

Em viagem técnica ao Vietnã e à Tailândia, no mês de outubro deste ano, no intuito de conhecer a cadeia produtiva da mandioca desses dois países, que são, atualmente, grandes exportadores, pude fazer uma análise do ciclo produtivo, cujas considerações publico nesta coluna, para informação dos leitores:

 

 

(*) Mário Takahashi é engenheiro agrônomo, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná.

VIETNÂ

O Vietnã é considerado na região um dos poucos países que ainda possuem condições de crescer na área agrícola, principalmente pela possibilidade do aumento da área plantada. Nesse país os principais produtos agrícolas, em ordem de importância, são: arroz, café, pimenta, seringueira e caju.

Vale destacar o café, pois o Viena é o segundo maior exportador de café, ficando atrás somente do Brasil. A mandioca ainda não aparece como um produto agrícola muito importante, embora venha apresentando crescimento significativo nos últimos anos. O Vietnã produz fécula e chip de mandioca - raspas secas ao sol. A fécula e o chip destinam-se, na sua maioria, para a China, Japão e Taiwan.

Assim como no Brasil, está ocorrendo no Vietnã falta de raiz para processamento das indústrias de mandioca, acarretando ociosidade e colheita prematura das lavouras. Os preços informados foram de R$ 150,00 por tonelada de raízes e R$ 660,00 por tonelada de fécula. No caso das raízes, o referido valor é o mínimo que estimularia o produtor a plantar.

A colheita das lavouras é efetuada, na grande maioria, de novembro a maio, com um ciclo de, aproximadamente, 10 meses de idade. A produtividade estimada é de 12 a 16 t/ha. Atualmente, não existe nenhum tipo de apoio governamental, ou das indústrias, aos agricultores. A entrega das raízes é efetuada diretamente nas indústrias, não existindo também qualquer tipo de contrato entre as partes. As indústrias seguem padrão semelhante às da Tailândia.

TAILÂNDIA

A Tailândia é um país eminentemente exportador, com infraestrutura preparada para essa finalidade. Desde as estradas e portos até pessoas que, normalmente, falam mais de um idioma, eles viram a importância da inserção do país num mundo globalizado.

A cadeia produtiva da mandioca não foge à regra. As instituições e associações são muito organizadas e articuladas entre si, no firme propósito de conquistar novos mercados de forma conjunta, pois viram que de maneira isolada cada indústria pouco poderia fazer. Os principais produtos agropecuários, em ordem de importância, são: arroz, seringueira, cana-de-açúcar, camarão e, em quinto lugar, a mandioca. A Tailândia é o segundo maior exportador de açúcar, ficando atrás somente do Brasil.

Nos últimos anos, em função da cana-de-açúcar, houve redução da área de plantio de mandioca. Mas as organizações do setor estimam compensar essa redução, com elevação da produtividade das lavouras em 10% anuais. Os industriais tailandeses, e outras autoridades ligadas ao setor, manifestaram grande interesse pela produção de álcool de mandioca, principalmente com relação à tecnologia já disponível no Brasil. Isto em parte é justificado porque parte do chip que exportam para a China já é transformada em álcool.

O principal derivado exportado anteriormente era o chip, representando até 80% das exportações. Atualmente a fécula é mais importante, representando 60% das exportações. No caso da exportação para a Europa, haverá nos próximos anos limites de exportação para 5,5 milhões de toneladas por ano. Os derivados de mandioca por lá produzidos são destinados principalmente para a alimentação animal e para indústrias de tecelagem e alimentos.

A importância da exportação na Tailândia é evidente, pois, até setembro do presente ano, somente 800 mil toneladas de chips e 1,2 milhões toneladas de amido foram destinados para uso interno. A quantidade e o valor das exportações dos diferentes produtos, através da maior associação de produtores, encontram-se no Quadro 2. Embora não representem o total, mostram uma boa idéia dos principais derivados exportados, sem contar os chips.

Considerando-se os valores parciais de 2004, houve aumento da participação das exportações devido aos amidos modificados em 1,8%. Os principais destinos das exportações pela mesma associação encontram-se no Quadro 3. As maiores quantidades exportadas foram para Taiwan perfazendo 24,9% do total. O Brasil e o Chile estão incluídos em outros 70 países.

PRODUÇÃO
A produção de raízes de mandioca, bem como seus principais derivados produzidos na Tailândia encontram-se quadro 1. De 1994 até 2004 houve decréscimo da área de 20,8%, mas a produção de raízes aumentou em 2,9%, graças ao ganho de produtividade das lavouras de 29,7%. O rendimento industrial também aumentou, pois em 1994 uma tonelada de raiz gerava 322 kg de derivados. Em 2004, a mesma quantidade de raiz gerou 441 kg de produtos.

Ano
Área
Produtividade
Raízes
Chips
Amido
1994
1.419
13,95
19,80
5,05
1,33
1996
1.259
13,76
17,34
3,93
1,40
1998
0.940
15,62
14,68
3,90
1,57
2000
1.235
16,37
20,24
4,66
2,37
2001
1.219
14,75
17,99
5,33
2,26
2002
1.047
15,81
16,52
3,80
2,28
2003
1.087
15,87
17,24
4,76
2,69
2004*
1.124
18,10
20,40
6,00
3,00
Quadro 1. Área (mil ha) produtividade (t/ha) e produção
de raízes, de chips e de amido (milhões t) de 1994
até 2004. *Até Setembro 2004
 
Produtos
Quantidade (t)
Valor (R$)
.
2003
2004*
2003
2004
Amido nativo
1.084.050
744.295
557.925
393.600
Amido modificado
525.515
421.227
658.500
500.625
Sagu
20.281
15.710
17.025
14.025
Total
1.629.046
1.181.232
1.233.450
908.250
Quadro 2. Quantidade e valor exportado dos diferentes produtos em
2003 e 2004 via Associação Tailandesa de Amido de Mandioca.
*Até Setembro 2004

A importância da exportação na Tailândia é evidente, pois, até setembro do presente ano, somente 800 mil toneladas de chips e 1,2 milhões toneladas de amido foram destinados para uso interno.

A quantidade e o valor das exportações dos diferentes produtos, através da maior associação de produtores, encontram-se no Quadro 2. Embora não representem o total, mostram uma boa idéia dos principais derivados exportados, sem contar os chips. Considerando-se os valores parciais de 2004, houve aumento da participação das exportações devido aos amidos modificados em 1,8%.

Os principais destinos das exportações pela mesma associação encontram-se no Quadro 3. As maiores quantidades exportadas foram para Taiwan perfazendo 24,9% do total. O Brasil e o Chile estão incluídos em outros 70 países.

Países
Quantidade
Taiwam
269.630
Indonésia
243.679
Malásia
109.612
Japão
93.839
Hong Kong
69.789
China
48.105
Singapura
44.859
Outros 70 países
204.537
Total
1.084.050
Quadro 3. Destino da exportação do amido nativo e modificado
(t) em 2003, via Associação Tailandesa de Amido de Mandioca.


INDÚSTRIAS

1) INDÚSTRIA DE CHIP
O chip de mandioca nada mais é que a raiz fragmentada e seca ao sol. Sua fabricação, é extremamente rústica, constituindo-se de terreiros e maquinários adaptados para distribuição e auxílio na secagem. O chip é utilizado basicamente para alimentação animal e mais recentemente para a produção de álcool.

Existem atualmente 871 unidades de produção de chip na Tailândia e apresentam, em média, rendimento industrial de 47,6%. O custo de produção para os chips é de R$ 18,00/t, com preço de venda entre R$ 255,00 a R$ 270,00/t.

2) INDÚSTRIA DE PELLET
A indústria de pellet surgiu da necessidade de uniformização do formato e do tamanho do chip na composição e utilização das rações para animais, principalmente para atender a exportação para a Europa.

A peletização do chip também reduz a emissão de poeira no momento do embarque e desembarque dos navios. Em 2004 estão em funcionamento 63 unidades de peletização, concentradas mais ao Sul da Tailândia.

3) INDÚSTRIA DE FÉCULA
As indústrias de fécula e derivados modificados na Tailândia possuem capacidades de processamento variadas: de 400 a 500 t/dia de raiz até mais de 2.000 t/dia. No total, contabilizam, atualmente, 64 fecularias.

Uma das indústrias visitadas estava fazendo ampliações, e, até dezembro deste ano, pretendia atingir capacidade de 4.000 t/dia de processamento de raiz, com produção de 20 tipos de modificados. Nessa indústria estava em fase de conclusão uma unidade de tratamento do resíduo líquido, com conversão para biogás, com investimentos R$ 3 milhões de reais.

O custo médio de produção para a fécula é de R$ 75,00/t, com preços de venda entre R$ 540,00/t a R$ 570,00/t. Outro custo levantado foi o transporte da indústria até o porto, que gira ao redor de R$ 15,00/t.

ASSOCIAÇÕES

As associações de produção e comercialização da Tailândia são divididas segundo as regiões e áreas de interesse: Associação Comercial da Mandioca da Tailândia, Associação Tailandesa de Amido de Mandioca TTSA, Associação das Indústrias de Mandioca da Tailândia, Associação Comercial da Mandioca da Região Noroeste. A TTSA é a associação mais importante, principalmente pelo volume exportado, congregando 98 associados e 90% da produção de derivados.

As associações recebem uma reversão das exportações, que, no caso do chip, é de R$ 0,30 por tonelada, e para a fécula é de R$ 0,57 por tonelada. Isto proporcionou neste ano receita ao redor de R$ 1,8 milhão devido ao chip; e, R$ 1,71 milhões devido à fécula.

LAVOURAS

As lavouras de mandioca na Tailândia são conduzidas manualmente havendo a mecanização do preparo do solo, que, normalmente, é terceirizado. O solo é preparado em camalhões na maioria das lavouras. Não utilizam agroquímicos.

O plantio manual é efetuado no final do período chuvoso: de outubro a novembro - utilizando mudas posicionadas verticalmente ao terreno. A colheita é efetuada manualmente, com um ciclo durante novembro a maio. Eventualmente, utiliza-se afofador, muito semelhante ao utilizado no Brasil. A mandioca é cultivada num grande número de propriedades, estimadas ao redor de três milhões. A área média das lavouras é de cinco hectares, variando de um a 15 hectares. Na sua maioria não efetuam rotação de culturas, mas, em algumas situações, realizam a consorciação com outras plantas cultiváveis.

O custo de produção da raiz situa-se ao redor de R$ 45,00/t, e os preços de venda da raiz entre R$ 75,00/t a R$ 100,00/t, com 25% a 30% de amido. A mão-de-obra para a colheita situa-se entre R$ 8,40/dia a R$ 10,50/dia, e para os serviços gerais, ao redor de R$ 18,00/dia.

Outro custo também presente na Tailândia é o arrendamento, que, em uma das lavouras visitadas, era de R$ 145,00/ha em um ano de utilização. A entrega das raízes é feita diretamente pelos produtores, não existindo intermediários.


Lavoura de mandioca na Tailândia: colheita
simultânea de ramas e raízes

 


Secagem de chips de mandioca na Tailândia

Transporte/Embarque
O transporte de chip é efetuado, na maioria dos casos, da indústria até os navios em barcaças, puxadas por barcos carregadores. Posteriormente, é efetuado o transbordo da barcaça para os navios, que seguem para exportação. A fécula e modificados seguem via conteiner.


Recebimento de raiz em fecularia na Tailândia


Transbordo de chips da barcaça para o navio

ORGANIZAÇÃO

A importância da exportação na Tailândia é evidente, pois, até setembro do presente ano, somente 800 mil toneladas de chips e 1,2 milhões toneladas de amido foram destinados para uso interno.

A quantidade e o valor das exportações dos diferentes produtos, através da maior associação de produtores, encontram-se no Quadro 2. Embora não representem o total, mostram uma boa idéia dos principais derivados exportados, sem contar os chips.

Considerando-se os valores parciais de 2004, houve aumento da participação das exportações devido aos amidos modificados em 1,8%. Os principais destinos das exportações pela mesma associação encontram-se no Quadro 3. As maiores quantidades exportadas foram para Taiwan perfazendo 24,9% do total. O Brasil e o Chile estão incluídos em outros 70 países.

PESQUISA AGRÍCOLA

O centro de pesquisa agrícola do TTDI possui uma área de 450 hectares, divididos em três fazendas, onde trabalham 41 funcionários, incluindo pesquisadores voltados, exclusivamente, para a mandioca.

Os trabalhos de pesquisa estão baseados, principalmente, no melhoramento genético e no desenvolvimento de práticas culturais que proporcionem aumento de produtividade e redução de custos. Além disso, desenvolvem projetos visando o incremento do uso da mandioca na alimentação animal e pesquisas para reduzir custos na produção de amido. Fornecem, ainda, assistência técnica diretamente para os produtores.
Nos últimos 13 anos lançaram quatro variedades de mandioca, e, neste ano, foi lançada a variedade Huay Bong 60, com percentuais de amido extraível industrialmente por volta de 25%.

A produtividade média das variedades em condições experimentais foi de 33 t/ha com 10 meses de idade. Esta produtividade é bastante elevada, se comparada aos padrões de experimentos realizados no Brasil. Todas as variedades que puderam ser visualizadas possuíam porte acima de dois metros de altura e ramificação elevada.


Mostra das principais variedades no centro de pesquisa do TTDI

   
 
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