| Fábio
Felipe e
Lucílio Rogério Aparecido Alves
(*)
Omercado de fécula / amido de mandioca
movimentou a cifra de R$ 573,3 milhões
em 2004, quando o parque industrial brasileiro
atingiu a produção de 395,4 mil
toneladas, apesar das condições
adversas, especificamente de falta de matéria
prima e de preços médios altos,
na maior parte do ano. O valor movimentado pelo
setor levou em conta o preço médio
de comercialização de fécula
no ano passado, de, aproximadamente, R$ 1.450,00/t
FOB indústria. Em média, cada indústria
produziu 6.700 toneladas de fécula. Diante
desses aspectos, a produção esperada
para 2005 é de 592.105 toneladas, acréscimo
de 46,1% sobre a produção de 2004.
É o que demonstra o resultado do questionário
aplicado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados
em Economia Aplicada), em conjunto com a ABAM,
junto às unidades produtoras de fécula
no Brasil, entre o início do mês
de fevereiro e a primeira quinzena de março
deste ano, com o intuito de efetuar um levantamento
da produção de fécula brasileira
no ano passado; entender a gestão da matéria
prima; identificar os principais setores compradores
de fécula; e, projetar perspectivas de
produção para este ano.
Foram enviados questionários para todas
as unidades que estiveram ativas no ano passado,
num total de 61. Os questionários recebidos
corresponderam a 92% desse total. Para os questionários
não respondidos o Cepea e a ABAM fizeram
uma estimativa da produção do ano
passado, e da perspectiva de produção
de fécula para este ano, com base na produção
de cada empresa no ano 2003, e nas características
do mercado, de modo a determinar qual teria sido
o comportamento no ano passado, quando os preços
estiveram altos e a oferta de raiz restrita. A
estimativa para este ano foi fundamentada na maior
oferta de raiz e na redução de preços.
De acordo com as respostas, é expressivo
o nível de empregos diretos gerados pelas
indústrias de amido de mandioca no ano
passado, que ficou próximo de 3.000. As
indústrias ativas possuíam uma capacidade
total instalada que permitia o processamento de,
aproximadamente, 14 mil toneladas de raiz de mandioca
por dia, sendo que cada empresa pode processar,
em média, 236 toneladas/dia de raiz.
Conforme se pode observar no Gráfico
2, a produção brasileira de fécula
no ano passado sofreu ligeira redução
em comparação com a estimada em
2003. Isto é reflexo da falta de matéria
prima e dos preços da raiz e da fécula,
que contribuíram para diminuir a competitividade
do setor, culminando na perda de mercado para
amidos substitutos.
O principal produtor de fécula de mandioca
continua sendo o Estado do Paraná, que
representou 66,9% do total produzido no ano passado,
seguido pelo Estado do Mato Grosso do Sul (23,2%);
de São Paulo (7,3%); de Santa Catarina
(2%); e, de outros Estados - Minas Gerais e Ceará,
que responderam por 0,6% do total produzido (Gráfico
1).
Entre os principais compradores de fécula
no ano passado, destaca-se o setor de papel e
papelão, com compras de, aproximadamente,
20,6% do total de fécula produzida, seguido
pelo setor de frigoríficos (18,4%); atacadistas
(18%); outras fecularias (11,4%); setor de massas,
biscoitos e panificação (10,8%);
indústrias químicas (9,8%); varejistas
(5,9%); setor têxtil (3,8%); e, outros setores
(1,3). Do total comercializado pelas empresas,
67,7% são de amido natural (in natura);
26,4% de amido modificado; e, 5,9% de polvilho.
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O
total de oferta para o mercado interno pode ser
computado somando-se as importações
à produção interna, e, subtraindo-se
as exportações. Segundo dados da
Secex (Secretaria de Comércio Exterior),
o Brasil importou no ano passado 58.328,6 toneladas,
e exportou 8.444 toneladas de fécula. Assim,
a oferta total para o mercado interno no ano passado
foi de 445.234 toneladas de fécula. Vale
destacar que não dispúnhamos da
quantidade de estoque da passagem de 2003 para
2004. Da produção total do ano passado,
em média 10,5% estavam estocadas no mês
de dezembro.
Outro fator relevante, diz respeito à
gestão da matéria prima. De acordo
com as respostas, 71,7% das empresas compram alguma
parcela da raiz necessária para processamento
via mercado físico (spot) sem nenhum controle.
Enquanto 61,7% das empresas vinculam alguma parte
da matéria prima em contratos com os produtores,
20% possuem uma parcela da raiz produzida em áreas
arrendadas, e, 20% obtém alguma parcela
da raiz em áreas próprias.
Do total das empresas, 11 unidades compram 100%
da raiz no mercado físico, sem nenhum controle;
quatro empresas têm toda a matéria
prima necessária para produção
vinculada em contratos com produtores; e, uma
empresa utiliza somente a raiz oriunda de área
própria. Conforme mostram os dados, é
expressivo o número de empresas que possuem
alguma parcela da matéria prima vinculada
a contratos, que se traduz nos 23 mil alqueires
contratados.
As perspectivas do setor para este ano são
otimistas. Em média, 25,5% das empresas
dizem que irão variar sua capacidade de
processamento de raiz, aumentando-a em 43,5%,
em média. No geral, 66,7% das empresas
dizem que irão processar maior quantidade
de raiz; outros 8,3% que processarão uma
quantidade menor; e, 6,7% estimam processar a
mesma quantidade que no ano passado. Outros 18,3%
não opinaram sobre a questão.
As respostas apontaram que o processamento deverá
ser 56,8% maior este ano, em relação
ao ano passado. Segundo os agentes, esta variação
estará embasada em maior plantio nas regiões
produtoras (38,3% entre as justificativas de maior
processamento); menor preço da matéria
prima (23,5%); aumento da competitividade do setor
frente a amidos substitutos (13,6%); reconquista
de parte do mercado de amido de milho (7,4%);
aumento da capacidade instalada (6,2%); entre
outras justificativas tais como implantação
de nova unidade; contratos antecipados; possibilidade
de exportação; plantio próprio;
preço baixo de produtos concorrentes em
área (como soja); e, abertura de novos
mercados.
Para que essas estimativas se consolidem, a aposta
também é em continuidade de preços
competitivos na safra e na entressafra deste ano.
Segundo os agentes, no período de safra
de cada região há expectativa de
que o preço médio da raiz na Região
Centro-Sul do país fique em R$ 133,80/t,
e o da fécula em R$ 894,0/t. Na entressafra,
as expectativas apontam para um preço médio
da raiz de R$ 160,00/t e de, aproximadamente,
R$ 1.052,00/t para a fécula. É preciso
ressaltar que essas expectativas repassadas pelos
agentes fundamentadas nas condições
de mercado que prevaleciam entre o mês de
fevereiro e a primeira quinzena de março
deste ano, período de aplicação
dos questionários.
(*) Fábio Felipe e Lucílio Rogério
Aparecido Alves são pesquisadores do Cepea/Esalq/USP |